O ofício da militância por vezes nos leva a um "movimentismo" que nos adoece, por um lado, mas também limita nosso entendimento da realidade, por outro.
Em meio aos ataques do imperialismo que cada vez mais dão força para o fascismo, no mundo em geral, mas no Brasil em particular, ser um ativista de esquerda, um intelectual organico, um militante cultural ou outro conceito que se queira utilizar para adjetivar o ofício de lutar pela revolução socialista, está cada vez mais desafiador.
É bem verdade que enquanto cresce a "cabeça da cobra" do capital pelo viés fascista atual, ao qual prefiro a denominação de neofascismo, não deixou de existir, ao contrário, também segue crecendo, outra cabeça dessa mesma cobra, com viés neoliberal. Esse monstro é insaciável e combatê-lo torna-se a prioridade número 1 na conjuntura.
Dentro da luta sindical temos sentido o veneno dessa cobra que tem atacado, de formas cada vez mais complexas e bem elaboradas, os direitos da classe trabalhadora, em especial a que precisa dos serviços públicos.
MAS O QUE TEM A VER MISTURAR ALHOS COM BUGALHOS?
Defender uma sociedade para além do capital perpassa tanto pela disputa de corações e mentes na defesa de uma sociedade justa e igualitária, considerando todas as particularidades da profundidade dessa frase, como também elencar como fazer essa defesa para então "botar o bloco na rua".
Da trajetória militante na capoeira, no movimento estudantil de educação física, na escola pública, até a direção de um sindicato forte, como o SINTRASEM, nasceu a figura pública do "professor canguru".
Dentro do PSOL, partido que milito desde 2018, encontramos muitas contradições e disputas entre as forças políticas que o constróem, mas temos acordo que o momento atual nos exige uma unidade para lutar, para além das nossas divergências. Isso porque o que está em jogo é o nosso futuro, enquanto país soberano e democrático, enquanto classe trabalhadora com direito a vida, mesmo que para sobreviver resistindo ao capital enquanto acumulamos forças para superá-lo.
Por essa razão o PSOL convocou as figuras públicas de nosso partido para fortalecer a luta parlamentar, colocando seus nomes para disputa eleitoral.
Foi aí que o tal Professor Canguru resolveu aceitar o chamado para seguir "apontando as estrelas, mesmo com o risco das verrugas", em um terreno diferente da luta sindical, no parlamento do congresso nacional, como deputado federal.
Numa caminhada truncada e contraditória, mas sempre comprometida com a renovação da esperança da classe trabalhadora, a poesia é uma morada que ajuda a organizar as ideias desse tal professor canguru, um TDAH de mais de quarenta anos, três filhos, em um relacionamento nada "tradicional", cheio de boletos para pagar, mas também vontade de lutar.
O poeta militante Mauro Iasi as vezes trás análises que tenho desacordo, talvez por isso estamos em partidos diferentes. Mas é inegável o quanto sua contribuição na luta de classes é importante. Para mim, mais ainda na arte, através de seus poemas.
E é justamente pelo caminhar com a reflexão sobre o conteúdo do seu poema, que compartilho aqui nesse blog, que estava paralizado há alguns anos, meu compromisso de seguir lutando, com a firmeza e combatividade do professor e capoeirista, contra a extrema direita, mas também com a ternura do professor e capoeirista, que dialoga e acolhe, como canguru.
Nessa construção que as verrugas seguem aparecendo, pois mesmo após mais de 20 anos militando, sigo insistindo em apontar estrelas, inclusive a luz do dia, agora na disputa eleitoral. Pra quem chegou até aqui, vale ler o poema. Obrigado Mauro Iasi, pela inspiração.
Sobre o Ofício de Construir Estrelas e os Riscos das Verrugas (Mauro Iasi)