Marcos Canguru Resistência Sindical, Florianópolis.
Faltando menos de 20
dias para fim do primeiro turno a prefeitura da capital, cada candidata e
candidato começam a mostrar mais qual o nível de sua política e interesse em
governar Florianópolis. Apesar da lei eleitoral proibir “qualquer material que
proporcione vantagem ao eleitor”, a legislação não aborda a
subjetividade do uso da máquina pública para campanha, muito menos proíbe a
cara de pau de candidatos que disputam a qualquer custo o poder.
Imagem: Reprodução https://www.humorpolitico.com.br/
Gean, o grande mentiroso
A campanha de 2016,
quando Gean venceu a disputa por uma minúscula diferença de pouco mais de 3 mil
votos, ficou claro que estava disposto a vencer a qualquer custo. Foram tantas
promessas de campanha que os outros candidatos a época chegaram a apelidá-lo de
Gean “Lorota” em alusão ao seu sobrenome.
Gean foi em todos os
debates, até no Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal,
SINTRASEM, sempre reafirmando promessas de agradar a todos os interesses. Mas
logo que ganhou uma de suas primeiras ações como prefeito foi encaminhar um
conjunto de medidas para a cidade que ficou conhecido como o “Pacotão de
Maldades do Gean”. As medidas incluíam enorme retirada de direitos do serviço
público, carta branca para especulação imobiliária, destinação de recursos para
programas ainda em fase de elaboração entre outros ataques que tanto mal
fizeram e ainda fazem para nossa cidade.
Ampliou-se o sequestro
do dinheiro público para empreiteiras e prestadores de serviço que “maquiaram”
a cidade ao longo dos quatro anos de gestão, mas praticamente não possuem
autoria de nenhuma das obras que disseram ter concluído.
A educação foi
precarizada a níveis anteriores a década de 1990, quando não havia recursos
didático-pedagógicos para trabalhar. A desculpa permanente de “problemas de
licitação” empurrou várias ações e políticas sociais para o último ano de sua
gestão, corroborando com sua estratégia política para se reeleger.
Agora, vendo que seu
favoritismo derrete na medida em que sua propaganda é desmascarada pela
realidade, Gean apela para o pior da política, a campanha subjetiva pelo uso da
máquina pública. Não bastassem as denúncias relacionadas a campanha do
“asfaltaço” serem caracterizadas como propaganda eleitoral, agora a prefeitura
acena para as famílias das unidades educativas municipais e para os servidores
e servidoras municipais.
Desde o início da
pandemia várias famílias têm sofrido com a falta de alimentação para seus
filhos estudantes das escolas e núcleos de educação infantil municipais (NEIM’s).
Gean anunciou um cartão merenda que logo após o início da implementação foi
desmascarado por se tratar de empresa envolvida até o pescoço com casos de
corrupção.
As famílias seguiram
sofrendo com a falta de alimentos enquanto Gean angariava doações da iniciativa
privada para fornecer as famílias e almejar lucrar politicamente. Mas o fato é
que o envio de cestas básicas não era regular e muita gente que dependia da
alimentação da escola para seus filhos ficou refém dessa má gestão que incluiu,
com o passar do tempo, kits de alimentos comprados como merenda escolar. Ao
mesmo tempo questionávamos, sem resposta, para onde estava sendo direcionada as
verbas para compra de todo o conjunto da alimentação escolar, uma vez que
estudantes estavam em isolamento social. Faltando menos de um mês para as
eleições, as direções das escolas e NEIM’s receberam, além dos kits de
alimentos não perecíveis, alimentos de Hortifruti e carne, os quais tem sido
distribuídos nesta última semana. Não há qualquer explicação do porquê esses
alimentos só estão sendo entregues agora, nem se continuarão sendo entregues
após a eleição. Já há relatos até que hortifruti foram entregues em estado de
decomposição e não foram aproveitados em sua totalidade pelas famílias.
Gean, portanto, apela para
o estômago do eleitor, que não pode cair nesse canto de sereia, pois até
dias antes sobravam ações de solidariedade entre moradores e inclusive
profissionais da educação para atender com alimentação as famílias mais
necessitadas, doando de seus próprios recursos financeiros para situação não
piorar mais.
O candidato que já pode
ser alcunhado até como Loki (deus da mentira) aprontou mais uma. Abandonou o
discurso de serviço público eficiente, no qual foram cortados todos os pontos facultativos
nos anos anteriores, para agora decretar ponto facultativo no dia do servidor
público, próximo 28 de outubro. Mas os servidores e servidoras municipais nunca
caíram em suas lorotas, é só lembrarmos do pacotão de maldades, e do recém
confisco de nosso salário em 3% no mês passado.
A mentira é tamanha,
que a campanha de Gean tornou-se meme na internet, ironizando que ele fez obra
de tudo quanto é tipo de coisa. Mas a realidade é que vemos sua base na câmara
de vereadores aprovando mais recursos para compra de asfalto enquanto não
discutem nada objetivamente para fortalecer o combate a pandemia.
Gean segue sua
propaganda mostrando o arco-íris belo de sua cidade imaginária enquanto joga
nas costas da população a responsabilidade para o recente aumento no número de
contaminados em nossa cidade, que representa um quarto de todo o contágio ativo
de Santa Catarina. Retornamos ao estado de ocupação máxima em algumas UTIs da
capital e o prefeito sequer se pronuncia sobre a questão neste momento tão
delicado.
Um político manchado
por falcatruas, preso em operação da polícia federal, que pintam uma cidade que
só existe na campanha eleitoral não pode seguir mais quatro anos de desmonte de
nossa cidade! Gean saiu do partido MDB com a cara de pau de afirmar não se
associar a corrupção e filiou-se num partido histórico relacionado a corrupção
que é o DEM, antigo PFL. Esse é o partido que de fato governa o país,
pois possui a presidência do Senado e da Câmara de Deputados, o que lhe permite
escolher quais projetos de leis devem ou não tramitar e ir a votação.
Foi com Maia na
presidência da Câmara que se votou a PEC da Morte, a EC 95, do teto de gastos,
que têm paralisado nosso país! Foi das mãos de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia
que o projeto da Reforma da Previdência foi aprovado, acabando com a
aposentadoria da classe trabalhadora. É pelas mãos sujas de sangue que este
partido com seus representantes pretende aprovar a Reforma Administrativa, a
PEC 32, que acabará com todo o serviço público e mudará a concepção de Estado
promotor de políticas públicas para o Estado-Empresa prestador de serviços.
Gean e seus cabos
eleitorais já vem colocando em prática essa nefasta política, por isso não
podem continuar!
Sobre uma mulher que é uma
vergonha para as mulheres.
Em meados da década de
noventa Florianópolis passava por profundas transformações em razão do governo
de frente popular que construiu as bases para valorização da cidade e dos
cidadãos para além de interesses privados. Enquanto o Brasil enfrentava crises
econômicas o governo da época promovia orçamento participativo e dialogava com
toda a sociedade o uso da máquina pública. Aprovação do Plano de carreira no
serviço público, ampliação da democracia escolar com a escolha para direção em
todas as unidades educativas, criação de linhas de transporte coletivo para
chegar até as periferias e morros foram apenas alguns dos feitos da referida
gestão que, apesar dos avanços, não resistiu as propagandas eleitoreiras da
oligárquica família Amin, a qual, por meio de sua representante mulher, foi
eleita para governar a cidade na segunda metade da década.
Angela Amin desde o
início preocupou-se mais em desfazer os feitos da gestão anterior do que
efetivamente fazer mais pela cidade. Enquanto voava na onda da política de
diminuição do estado, ancorada no governo federal de FHC, atendeu apenas a
interesses do grande empresariado, construindo viadutos mal planejados, mas que
saiam bem na foto para campanhas posteriores. Destaque para políticas aprovadas
em âmbito nacional que apenas foram seguidas no respectivo governo, porém de
forma atropelada e precária, como o caso das casas populares. Até hoje existem
famílias dessas moradias que não tem sua regularização fundiária, além de serem
cobradas taxas como IPTU para esta população, no descumprimento de promessas de
campanha.
Ainda assim, a
candidata do partido com mais condenados na operação Lava Jato, tem a cara de
pau de se ancorar em Bolsonaro para se autopromover. Vamos lembrar que o
próprio disse ter acabado com a Lava Jato, pois seu governo “não tem
corrupção”, mas faz acordos a todo momento com o centrão, capitaneado pelo
partido de Angela e por atuação de sua família nas três esferas, com o maridão
fechando acordos no senado, ela na câmara de deputados e o filho na assembleia
legislativa de nosso estado.
Pela política do medo,
seus cabos eleitorais têm ameaçado outros candidatos, além de fazer uso da
narrativa da lei e da ordem nazifascista do Bolsonarismo. Angela Amin não
engana mais ninguém, por isso apela para o apoio da extrema direita em sua
chapa, mas sendo totalmente incoerente no seu rol de apoio, com o PSDB na vice
e apoio de Dário Berger, o lixo mdbista que agora defende a lógica conservadora
da família... deles é claro!
A candidata possui um
financiamento massivo nas redes sociais o que inclusive já gerou reclamação de
vários usuários das plataformas que tem tido seus perfis invadidos com
propagandas de sua chapa.
Votar nessa oligarquia
é manter o empresariado sujo no poder, seguir com o desmonte do serviço público
e a retirada de direitos e liberdades democráticas, basta lembrar os estudantes
presos e feridos durante as manifestações do Movimento Passe Livre na sua
gestão, seguindo na mesma toada pelo governo Dário Berger nos anos
seguintes...
Por fim, mas não menos
importante, é a bandeira dos movimentos populares pela ampliação da
representatividade das mulheres na política. Mas representatividade com
mulheres emancipadas, feministas e classistas, que pensem o feminismo para os
99% da população, não para o um 1%, na qual sua própria família Amin é uma das
oligarquias beneficiadas! Angela Amin é uma vergonha para as mulheres
trabalhadoras!
Avançar na luta pela
igualdade de direitos entre homens e mulheres passa pela superação do machismo
e o racismo estrutural, bem como a denúncia e o combate as mulheres que crescem
politicamente apenas para manter o status quo, desmoralizando a causa da
justiça social para todas, todos e todes!
Para superar a dupla cara de
pau, a alternativa é pela Esquerda!
O troca-troca dos
partidos que não tem base ideológica, apenas disputam o poder público
tratando-o como uma casa de apostas é a marca das candidaturas de Gean e
Angela. O atual prefeito montou sua coligação com o principal aliado do partido
da Angela na eleição passada, o PSD, que governou a cidade na gestão Cesar
Sousa junto com o filho da família Amin. De forma recíproca, Angela tem em sua
chapa o atual vice prefeito do governo Gean, João Batista, do PSDB. O que fica
claro, portanto, é que não há regra na disputa entre essas duas candidaturas,
mas sim a noção de quem dá mais leva...
A opção por não
sabatinar o outro candidato da direita, Pedrão, deu-se por sua falta de solidez
de campanha. O egocentrismo desse candidato, mais votado para vereador na
eleição passada, subiu a cabeça para que disputasse a prefeitura, mas, para
isso, precisou romper com a oligarquia dos Amin. Após o rompimento, Pedrão se
aproximou do bolsonarismo raiz, pela figura do senador Jorginho Melo e agora
tenta se desvincular como sendo um candidato que está aberto para todos, quando
na verdade é só mais um candidato cafetão no pleito municipal.
São, portanto, três
candidaturas que só representam o velho, o autoritário, o cara de pau, o
antidemocrático e burguês modo de gerir uma cidade. Mas, se em épocas passadas
a divisão da esquerda impedia uma disputa com chances de ganhar as eleições
municipais em Florianópolis, desta vez é esse racha na direita tradicional da
cidade que pode levar uma candidatura viável para o segundo turno. Agora é
Elson!
Contra a cara de pau
dos candidatos da direita, a chapa Elson e Lino representam uma construção que começou
a ser costurada pela esquerda da cidade logo após a eleição de Bolsonaro em
2018. De lá para cá muitos foram os debates e o resultado é um programa
alternativo e viável para cidade. Aqui vale a lembrança para leitura do artigo
“Florianópolis: Frente de Esquerda encabeçada pelo PSOL ameaça direita na
capital do estado mais bolsonarista do Brasil”, o qual possui dados muito
importantes que explicitam a viabilidade da esquerda voltar a prefeitura de
Florianópolis.
As trabalhadoras e
trabalhadores de Florianópolis tem a chance de votar em um Professor para
governar a cidade, recuperando, ao menos a nível municipal, as perdas de não
termos conseguido eleger um professor para presidência em 2018. A musculatura
da candidatura de Elson aproximou os partidos de esquerda e de centro-esquerda,
numa frente popular que tem alimentando a esperança dos que almejam dias
melhores, em especial na capital do estado que mais votou na extrema direita no
último período.
Mais de uma centena de
candidatos a vereador, construindo em unidade a chapa Elson e Lino,
perspectivam não apenas ganhar a eleição para prefeito, mas eleger a maioria
das cadeiras para vereador e vereadora pela esquerda em nossa cidade. A
oportunidade se aponta no horizonte e é preciso mais do que nunca o engajamento
de todos, todas e todes, para fazer de fato uma Floripa de toda nossa gente! Vote
Elson 50!
https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2019/resolucao-no-23-610-de-18-de-dezembro-de-2019