Há os ventos da alma...
Quem é este ser que permite o habitar de outro ser, o qual ao sair de suas entranhas, torna-se sua razão de ser?
Quem é este ser, que, como primeiro ato consumado, serve de alimento para o ser por si criado?
Mãe, palavra originada a partir de uma ação concreta, do fornecer o alimento para a criança...
Sua mama é a chave primeira para o ato mais nobre dos seres que, mais que viverem na natureza, a recriam e a transformam, ao seu interesse e semelhança.
Ser mãe é isso... O doar-se para a geração...
Dessa doação, nos seres humanos em geral, emana um sentimento que resume o que de melhor a humanidade já produziu: O Amor...
Celebrar a existência de todas as mães do mundo é um fenômeno cultural de profundo conjunto de sentimentos... Se o amor resume todos eles, é válido lembrar que neste meio se encontra o afeto, a saudade, a preocupação, a alegria, a dor... E quando as emoções não encontram mais palavras para se justificar, a ação que permanece é a do Choro, emoção sensivelmente não elaborada, que diz muito, mesmo quando não consegue dizer nada...
Fui criado numa cultura eurocêntrica, por isso, ou apesar disso, aprendi a valorizar a mãe para além de sua particularidade, ou seja, cada ser gerado deveria ter uma forma de mãe que contemplasse apenas o que de melhor as mães da história já registraram, mas em verdade, o mundo não funciona dessa forma...
E que bom que não funciona!
Seria tedioso se todas as mães fossem apenas Deusas e não seres humanos, contraditórios, únicos!
Aos Deuses da história, que destaquemos Reia, a mãe dos Deuses... Ou a Mãe Terra, como também a chamam... Pachamama, melhor dizendo...
Sim, existem referências históricas e muitas outras mitológicas...
Mas ninguém é igual a minha mãe!
Capitalistas podem vender a imagem da mãe branca, bonita, sempre sorridente, dona de casa, recatada e do lar... que merece uma mercadoria em forma de homenagem...
Outros ainda podem carregar a mágoa de momentos históricos impeditivos, os quais não permitiram que mulheres, pelas mais variadas razões, fossem mães, ou ainda, se o fossem, não tenham vivido o momento mãe com seus filhos e filhas...
Mas repito, ninguém é igual a minha mãe!
Por isso estou cansado de dar voltas sobre a necessidade de justificar um dia a mais, para celebrar a vida e todos os momentos que passamos juntos...
O dia das mães, apesar de todas as contradições, em especial sua perversa metabolização pelo capitalismo, não é um dia como todos os outros...
Se sinto a segurança em afirmar que minha mãe me ama, me amou e me amará durante todos os dias de sua vida, isso é mais do que suficiente para justificar que sim, ela merece ser amada todos os dias também!
Porém, ao somarmos nosso amor, em especial na minha família, considerando que minha mãe teve seis filhos, a celebração de um dia a mais, para resumir e recordar, o ato de ser mãe, mas não de qualquer mãe e sim da minha mãe, é sem dúvida, de extrema necessidade!
Mãezinha, estou distante, mas estou perto, estou triste, mas estou feliz, porque eu te amo e sempre te amarei.
Se a contradição desse menino, programado para nascer, que fugiu de perto de sua asa, para voar ainda mais longe do que o horizonte aponte, é sabido que seu ninho, onde você estiver, é e sempre será meu eterno refúgio! Por isso meu amor por você transborda e se multiplica... pelo menos por três!
E as palavras vêm a mente apenas para tentar elaborar a profundidade de emoções que não se explicam, mas que explodem em mim, principalmente no atual momento pandêmico que vivemos...
Por isso, não haverá álcool em gel, máscara ou isolamento que me impeça de te contagiar... Com meu amor, minha saudade, enfim, a manutenção de minha esperança na humanidade, tendo como referência maior o amor que você depositou em mim, desde o ato de minha criação até os cabelos brancos que já me atingem nesses trinta e poucos anos...
Te amo demais!!!
Mas fica em casa, tá?
Que os ventos de minha alma, pedindo ajuda para Mercedes Sosa... cheguem até você e a nossa linda, amada e única família!
Com cambaleante carinho...
Seguindo os ventos da liberdade...
Seguindo os ventos da liberdade...
Marcos com Orgulho CORDEIRO...



Não comemoro nenhuma data, mas e um texto maravilhoso. Que coisa mais linda. Tua mãe deve ser orgulhar muito da pessoa que tu és. Ainda colocar mercedes sosa é de chorar.
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