Uma pergunta título tem o
objetivo único de provocar a manifestação de Mestres e discípulos dos dois
maiores ícones da capoeira, Mestre Pastinha e Mestre Bimba. Em 2018 a morte de
Mestre Moa foi um prelúdio do que viria pela frente.
Para não haver dúvidas,
começo me identificando, afirmando que sou um praticante de capoeira de origem
branca, criado em uma família cristã. Contudo, ao vivenciar organicamente a
capoeira, me apaixonei por esse bem cultural, pelos variados elementos da
cultura afro-brasileira e, desde então, sou um amante e defensor da cultura afrodescendente.
Minha construção acadêmico-universitária só foi possível pela Capoeira, tenho
uma dívida eterna com esse fenômeno cultural e por essa razão assumo o ônus e o
bônus das provocações que virão a seguir.
CHAMANDO PRO JOGO...
A morte da população negra
é histórica e, como diria Will Smith, a diferença é que “está sendo filmada”. Mas
a luta do povo negro pela igualdade racial também é histórica e nesse momento
ganha contornos de enfrentamento que nos exige uma tomada de posição. Berimbau
já fez sua chamada, é hora de lutar...
Infelizmente, aqui na
região Sul do país, há exemplos (não sei quantos, mas existem e podem ser
facilmente identificados em redes sociais e grupos de capoeira no whatsapp) de
praticantes de capoeira que abertamente ainda defendem o governo Bolsonaro e, nessa
mesma toada, tem acordo com a fala racista do atual “presidente” da Fundação
Palmares, Sérgio Camargo, o qual afirmou em uma recente gravação de áudio que o
Movimento Negro (MN) é uma “escória maldita”. Este ser ainda criticou o Dia da
Consciência Negra, xingando Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a
escravidão no Brasil.
Muitos estudiosos trariam
elementos históricos para repudiar Sérgio Camargo, bem como comprovar o quanto
sua fala sobre Zumbi é preconceituosa e equivocada. Mas há um caminho que
talvez seja mais elementar e profícuo...
CAPOEIRA ME CHAMA EU VOU ATENDER (M.Canjiquinha)
Ao pouco que sei, faço
uma aposta que as duas maiores contribuições para a permanência e existência da
capoeira até os dias atuais se deram a partir da vida em prol da capoeira de
dois Mestres: Bimba e Pastinha.
Esses dois mestres são
relembrados nas cantigas e em muitos ensinamentos que seus discípulos disseminaram
e disseminam pelo Brasil e pelo mundo. As poucas filmagens que temos demonstram
muito o profundo vínculo de Pastinha e Bimba com a cultura Afro-brasileira, com
a Capoeira, com a luta pela vida, contra o preconceito racial.
Pois bem, diante do grave
momento que nosso país e nosso mundo passam, com uma pandemia, crise econômica
e o bater na porta da população negra o risco de governos autoritários
retirarem ainda mais direitos sociais, o que tem então a dizer os que caminharam
ao lado desses mestres, sobre o racismo e as reações de enfrentamento?
Mestre Bimba e Mestre
Pastinha, se estivessem vivos, assistiriam calados a toda essa situação? Que
orientação cada um daria para seus discípulos? Concordariam eles com as ações governamentais
de colocar Sérgio Camargo a frente da principal entidade que representa a
cultura negra do Brasil? Concordariam eles com as palavras e opiniões deste “presidente”
da Fundação Palmares?
AO PÉ DO BERIMBAU, À LUTA NECESSÁRIA
Não
há dúvidas que a diversidade da capoeira é o que faz desse bem cultural um símbolo
único e ao mesmo tempo plural. Nesse momento muitos mestres, discípulos de Bimba
e Pastinha tem opiniões muito diversas sobre a capoeiragem. Mas será que suas
opiniões também são tão diversas em relação a defesa da igualdade racial?
A
partir dos ensinamentos de Bimba e Pastinha, como cada discípulo poderia expor,
nesse momento sua opinião em relação ao preconceito racial?
Sinceramente,
meu objetivo é que esses variados discípulos, pudessem se manifestar nesse
momento, em vídeos, áudios ou textos, expondo sua opinião sobre a luta contra o
racismo, sobre a presença de Sérgio Camargo na Fundação Palmares, enfim, sobre
a necessária luta em defesa do povo negro, de nossa cultura ancestral. Para
isso, da forma que for possível, citar a hashtag #CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA, #CAPOEIRASCONTRAORACISMO, #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO
ou ainda outra forma que você criar e compartilhar nas redes sociais. O importante
é contribuir com sua opinião.
Como
tem afirmado movimentos em defesa da igualdade racial pelo mundo, “Black Lives
Matter!”, ou seja, “Vidas Negras Importam!”. A comprovação entre nós,
defensores da capoeira, que de fato vidas negras importam, bem como Salvar
Vidas é mais importante do que salvar os lucros ou os governos, me faz provocar
aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar um pouco das vivências de
Mestre Bimba e Mestre Pastinha para que contribuam nessa campanha, em defesa da
vida! Você mestre e/ou discípulo, desses que foram e são nossos grandes detentores
do saber da capoeira, poderia contribuir com essa iniciativa? Você capoeirista,
que defende esse bem cultural, bem como a vida, que não concorda com o Racismo
e o Fascismo, vamos nos somar também? Todas as contribuições são bem vindas, a
provocação é para que consigamos ecoar nossa voz, pois é preciso nos unirmos nessa
luta, em nosso país e no mundo.
Partir
da referência de Mestre Pastinha e Mestre Bimba, pode, quem sabe, auxiliar a
todos os praticantes da capoeira ou mesmo simpatizantes de nossa cultura, a tomarem
consciência e se unirem na luta em defesa de nossa cultura, de nosso povo atual
e ancestral.
Termino
essa reflexão com a saudosa, porém enigmática citação de Mestre Pastinha quando
afirmou que “a capoeira é tudo que a boca come”. Se é, não podemos permitir que
capoeiras em geral comam as sementes do Racismo e do Fascismo, pois isso seria
o fim da capoeira, pelo menos em sua pluralidade, resistência ao opressor, e em
defesa da vida. A você Mestre, Professor, Graduado, iniciante ou simpatizante,
a hora é agora!
Comente aqui no Blog ou em sua rede social preferida, mas não se cale! Essa luta é de todos! Como dizia o Samba, "a minha liberdade custou sangue",
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Axé.
#CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA #CAPOEIRASCONTRAORACISMO
#CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO

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