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segunda-feira, 20 de julho de 2020

FELIZ DIA DO AMIGO!




Pessoal, dizem que hoje é O DIA DO AMIGO. Como professor, para comemorarmos esse dia, ainda que distantes de nossos amigos e de nossos educandos, me permito citar as palavras de Paulo Freire na expectativa de fazermos desse dia um dia do amigo coerente com as necessidades de construção da humanidade. No caso do Brasil, na expectativa que no dia do amigo tenhamos a aprovação do #FUNDEBpraValer, sem emendas e destaques, sem a pegadinha do governo federal que é INIMIGO da educação. Como afirmava Paulo Freire (1996, p.36-37):
Como professor, se minha opção é progressista e venho sendo coerente com ela, se não me posso permitir a ingenuidade de pensar-me igual ao educando, de desconhecer a especificidade da tarefa do professor, não posso, por outro lado, negar que o meu papel fundamental é contribuir positivamente para que o educando vá sendo o artífice de sua formação com a ajuda necessária do educador. Se trabalho com crianças, devo estar atento à difícil passagem ou caminhada da heteronomia para a autonomia, atento à responsabilidade de minha presença que tanto pode ser auxiliadora como pode virar perturbadora da busca inquieta dos educandos; se trabalho com jovens ou adultos, não menos atento devo estar com relação a que o meu trabalho possa significar como estímulo ou não à ruptura necessária com algo defeituosamente assentado e à espera de superação. Primordialmente, minha posição tem de ser a de respeito à pessoa que queira mudar ou que recuse mudar. Não posso negar-lhe ou esconder-lhe minha postura mas não posso desconhecer o seu direito de rejeitá-la. Em nome do respeito que devo aos alunos não tenho por que me omitir, por que ocultar a minha opção política, assumindo uma neutralidade que não existe. Esta, a omissão do professor em nome do respeito ao aluno, talvez seja a melhor maneira de desrespeitá-lo. O meu papel, ao contrário, é o de quem testemunha o direito de comparar, de escolher, de romper, de decidir e estimular a assunção deste direito por parte dos educandos.
Recentemente, num encontro público, um jovem recém-entrado na universidade me disse cortesmente:
“Não entendo como o senhor defende os sem-terra, no fundo, uns baderneiros, criadores de problemas.”
“Pode haver baderneiros entre os sem-terra”, disse, “mas sua luta é legítima e ética”. “Baderneira” é a resistência reacionária de quem se opõe a ferro e a fogo à reforma agrária. A imoralidade e a desordem estão na manutenção de uma “ordem” injusta.
A conversa aparentemente morreu aí. O moço apertou minha mão em silêncio. Não sei como terá “tratado” a questão depois, mas foi importante que tivesse dito o que pensava e que tivesse ouvido de mim o que me parece justo que devesse ter dito.
É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço por superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos.

Se o ditado popular afirma que o cão é o melhor amigo do homem, talvez seja mais válido lembrar que sem o professor e a professora, as chances do homem respeitar o cão em sua singularidade talvez sejam infinitamente menores. Por isso, vale a máxima para o dia de hoje: Feliz aquele e aquela que aprenderam ou ainda aprendem com seus professores a professoras a construírem uma sociedade justa e igualitária, respaldada no direito à vida de todos os seres, na coletividade, na socialização dos meios de produção, enfim, fundada e multiplicada no amor. Boa semana à todes!
 
Referência:
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 25° Ed. 1996.