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terça-feira, 2 de junho de 2020

CAPOEIRA - O QUE PODEM DIZER OS DISCÍPULOS DE BIMBA E PASTINHA SOBRE O RACISMO?

Camaradas, abaixo uma reflexão em forma de ideia/campanha...



Uma pergunta título tem o objetivo único de provocar a manifestação de Mestres e discípulos dos dois maiores ícones da capoeira, Mestre Pastinha e Mestre Bimba. Em 2018 a morte de Mestre Moa foi um prelúdio do que viria pela frente.
Para não haver dúvidas, começo me identificando, afirmando que sou um praticante de capoeira de origem branca, criado em uma família cristã. Contudo, ao vivenciar organicamente a capoeira, me apaixonei por esse bem cultural, pelos variados elementos da cultura afro-brasileira e, desde então, sou um amante e defensor da cultura afrodescendente. Minha construção acadêmico-universitária só foi possível pela Capoeira, tenho uma dívida eterna com esse fenômeno cultural e por essa razão assumo o ônus e o bônus das provocações que virão a seguir.

CHAMANDO PRO JOGO...
A morte da população negra é histórica e, como diria Will Smith, a diferença é que “está sendo filmada”. Mas a luta do povo negro pela igualdade racial também é histórica e nesse momento ganha contornos de enfrentamento que nos exige uma tomada de posição. Berimbau já fez sua chamada, é hora de lutar...
Infelizmente, aqui na região Sul do país, há exemplos (não sei quantos, mas existem e podem ser facilmente identificados em redes sociais e grupos de capoeira no whatsapp) de praticantes de capoeira que abertamente ainda defendem o governo Bolsonaro e, nessa mesma toada, tem acordo com a fala racista do atual “presidente” da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, o qual afirmou em uma recente gravação de áudio que o Movimento Negro (MN) é uma “escória maldita”. Este ser ainda criticou o Dia da Consciência Negra, xingando Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a escravidão no Brasil.
Muitos estudiosos trariam elementos históricos para repudiar Sérgio Camargo, bem como comprovar o quanto sua fala sobre Zumbi é preconceituosa e equivocada. Mas há um caminho que talvez seja mais elementar e profícuo...

CAPOEIRA ME CHAMA EU VOU ATENDER (M.Canjiquinha)
Ao pouco que sei, faço uma aposta que as duas maiores contribuições para a permanência e existência da capoeira até os dias atuais se deram a partir da vida em prol da capoeira de dois Mestres: Bimba e Pastinha.
Esses dois mestres são relembrados nas cantigas e em muitos ensinamentos que seus discípulos disseminaram e disseminam pelo Brasil e pelo mundo. As poucas filmagens que temos demonstram muito o profundo vínculo de Pastinha e Bimba com a cultura Afro-brasileira, com a Capoeira, com a luta pela vida, contra o preconceito racial.
Pois bem, diante do grave momento que nosso país e nosso mundo passam, com uma pandemia, crise econômica e o bater na porta da população negra o risco de governos autoritários retirarem ainda mais direitos sociais, o que tem então a dizer os que caminharam ao lado desses mestres, sobre o racismo e as reações de enfrentamento?
Mestre Bimba e Mestre Pastinha, se estivessem vivos, assistiriam calados a toda essa situação? Que orientação cada um daria para seus discípulos? Concordariam eles com as ações governamentais de colocar Sérgio Camargo a frente da principal entidade que representa a cultura negra do Brasil? Concordariam eles com as palavras e opiniões deste “presidente” da Fundação Palmares?

AO PÉ DO BERIMBAU, À LUTA NECESSÁRIA
            Não há dúvidas que a diversidade da capoeira é o que faz desse bem cultural um símbolo único e ao mesmo tempo plural. Nesse momento muitos mestres, discípulos de Bimba e Pastinha tem opiniões muito diversas sobre a capoeiragem. Mas será que suas opiniões também são tão diversas em relação a defesa da igualdade racial?
            A partir dos ensinamentos de Bimba e Pastinha, como cada discípulo poderia expor, nesse momento sua opinião em relação ao preconceito racial?
            Sinceramente, meu objetivo é que esses variados discípulos, pudessem se manifestar nesse momento, em vídeos, áudios ou textos, expondo sua opinião sobre a luta contra o racismo, sobre a presença de Sérgio Camargo na Fundação Palmares, enfim, sobre a necessária luta em defesa do povo negro, de nossa cultura ancestral. Para isso, da forma que for possível, citar a hashtag #CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA,  #CAPOEIRASCONTRAORACISMO, #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO ou ainda outra forma que você criar e compartilhar nas redes sociais. O importante é contribuir com sua opinião.
            Como tem afirmado movimentos em defesa da igualdade racial pelo mundo, “Black Lives Matter!”, ou seja, “Vidas Negras Importam!”. A comprovação entre nós, defensores da capoeira, que de fato vidas negras importam, bem como Salvar Vidas é mais importante do que salvar os lucros ou os governos, me faz provocar aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar um pouco das vivências de Mestre Bimba e Mestre Pastinha para que contribuam nessa campanha, em defesa da vida! Você mestre e/ou discípulo, desses que foram e são nossos grandes detentores do saber da capoeira, poderia contribuir com essa iniciativa? Você capoeirista, que defende esse bem cultural, bem como a vida, que não concorda com o Racismo e o Fascismo, vamos nos somar também? Todas as contribuições são bem vindas, a provocação é para que consigamos ecoar nossa voz, pois é preciso nos unirmos nessa luta, em nosso país e no mundo.
            Partir da referência de Mestre Pastinha e Mestre Bimba, pode, quem sabe, auxiliar a todos os praticantes da capoeira ou mesmo simpatizantes de nossa cultura, a tomarem consciência e se unirem na luta em defesa de nossa cultura, de nosso povo atual e ancestral.
            Termino essa reflexão com a saudosa, porém enigmática citação de Mestre Pastinha quando afirmou que “a capoeira é tudo que a boca come”. Se é, não podemos permitir que capoeiras em geral comam as sementes do Racismo e do Fascismo, pois isso seria o fim da capoeira, pelo menos em sua pluralidade, resistência ao opressor, e em defesa da vida. A você Mestre, Professor, Graduado, iniciante ou simpatizante, a hora é agora!
             Comente aqui no Blog ou em sua rede social preferida, mas não se cale! Essa luta é de todos! Como dizia o Samba, "a minha liberdade custou sangue",
            Axé.
#CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA #CAPOEIRASCONTRAORACISMO #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO