segunda-feira, 27 de abril de 2020

CAPOEIRA - Dissertação de Mestrado

O ano de 2012, foi o momento síntese para a finalização de minha dissertação de mestrado. "O Fetiche de Capoeira Patrimônio" foi a conclusão de um profundo estudo no campo das políticas culturais. Aos interessados, segue o link da mesma.

O Fetiche da Capoeira Patrimônio: Quem quer abrir mão da história da capoeira?

Grupo de Capoeira Roda Livre mestre e professor maizena - YouTube
Fonte Arquivo Pessoal. No Jogo, Mestre Mineiro e Instrutor Maizena.

SINDICAL - O que você propõe? Em relação ao ensino não presencial de Florianópolis

No último dia 18 de Abril, após tomar conhecimento que muitos diretores e diretoras estavam contrariados devido as críticas que apontei aos mesmos, uma diretora me indagou a seguinte questão:
"Marcos, posso saber o que de fato vc pensa? Como devemos agir nesse momento tão difícil para todos??? Qual é a sua sugestão para as aulas??? Eu vejo vc falar tanto, mas fico pensando..m o que ele que??? Gostaria de saber..." Em resposta sistematizei o texto abaixo, já contendo elementos de solução apontados nos textos anteriores. Tenho percebido há algum tempo entre várias pessoas que há uma certa dificuldade de exercitar a reflexão e ler um texto longo por parte de algumas pessoas, algo não simplista que vá além... Talvez isso tenha também me motivado para o Blog, afinal é preciso registrar para não esquecer, em especial quando o conteúdo é complexo, como o enfrentamento a Pandemia por parte de profissionais da educação... O quê fazer?

Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento – Livraria ...
Imagem Ilustrativa do Livro Que Fazer de Lênin, publicado pela Editora Expressão Popular


Vou lhe responder em dois pontos os questionamentos:
Já expus várias proposições nos textos que publiquei anteriormente, por isso vou citar aqui novamente para tentar deixar mais explícito o entendimento, considerando apenas as duas últimas publicações. O que estiver entre aspas já foi escrito anteriormente, mas agradeço sua atenção para explicar melhor alguns pontos e avançar na proposição de outros:
1º Sobre o que fazer:
1. “...primeiro o foco é para a garantia da vida da população, depois o ano letivo” (08/ABR/2020).
2. “pela revogação imediata desta portaria” (07/ABR/2020).
3. O Conselho Municipal de Educação (CME), assim como eu somos “...a favor de atividades complementares” (08/ABR/2020).
4. Por isso, afirmei em 07 de Abril: “Nenhuma criança fora de casa, pelo isolamento social até o fim da pandemia, nenhum servidor ou servidora a menos!”
5. Preocupar-se primeiramente com:
a. “Desde o início da pandemia estamos apreensivos, pois não sabemos o tempo de duração do isolamento, se perderemos algum ente querido ou se contrairemos a COVID-19, como estão nossos estudantes que vivem em situação de vulnerabilidade social, se estão passando fome, se estão sofrendo violência devido ao ambiente precarizado, além é claro, da preocupação de como faremos a reposição desse período que estamos sem aula” (08/ABR/2020).
b. Dessa preocupação decorre que é preciso primeiramente um plano estratégico de acolhimento das famílias em situação vulnerável, em especial do ponto de vista da fome e de fonte de renda mínima. É preciso, portanto, agilizar a eficiência do Cartão merenda, desburocratizar essa ferramenta, pois muitos familiares estão com dificuldades de acessar. Ampliar em quantidade para mais famílias e em valor para as respectivas. 
c. Outra decorrência é a necessidade de um salário mínimo tal qual o necessário conforme o estudo do DIEESE, para todas as famílias vulneráveis, diferente dos míseros 600 reais que mal pagam uma cesta básica completa para uma família de 4 pessoas. Junto a isso também é preciso agilizar o pagamento, pois muitos liberados ainda não receberam.
6. A experiência que se desenha na Educação Infantil do município, já é de grande valia, se a considerarmos pelo viés formativo para as famílias, diferente do viés impositivo presente para o ensino fundamental.
7. Construir uma proposição pedagógica “de forma ampla e democrática com toda a rede” (08/ABR/2020). Em outras palavras, um plano estratégico que primeiro estruture como fazer essa construção, sendo o mesmo divulgado amplamente.
a. O plano deve conter prazos específicos relacionados na seguinte ordem:
i. Diagnóstico de formação dos professores com aptidão para o trato com as tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIs);
ii. Diagnóstico de acesso e qualidade de acesso para os profissionais da rede;
iii. Diagnóstico preciso de acesso e qualidade de acesso dos estudantes 
iv. Seminários virtuais de proposição para construção de propostas pedagógicas, de modo a fortalecer um pensamento de rede, mas que permita a valorização de todo o corpo docente.
8. Concomitante a essa construção no campo pedagógico a PMF deveria:
a. Exigir, juntamente com outros munícipios e estados a estatização e a democratização total do acesso a internet, permitindo que as proposições pedagógicas tenham eficiência no sentido de chegarem ao estudante que precisa.
b. Enquanto o governo federal não avança nessa proposta, a PMF poderia comprar equipamentos de grande amplitude de compartilhamento de wi-fi, bem como instalar em pontos estratégicos da cidade de modo a ampliar o alcance para todos os munícipes e estudantes;
c. A PMF também, por meio da assistência social, deveria avaliar o que poderia ser realizado, de forma justa e democrática, para que em todas as residências houvesse pelo menos um equipamento eletrônico que permita o acesso à internet.
9. Concomitante também, já deveria ter sido elaborado pela PMF um plano estratégico de acompanhamento assistencial para as famílias vulneráveis, bem como ter aprovado um orçamento específico para auxiliar a população em suas necessidades básicas, como moradia digna, renda básica e, no caso, acesso a internet.
10. Também ao mesmo tempo, a PMF já deveria ter elaborado um plano de acompanhamento psicológico para toda a população, considerando especificidades, tais como organização familiar, cuidado com ações de rotina durante o isolamento, auxilio psicológico para não pressionar as famílias, estudantes e profissionais da educação, que por ventura estão assumindo atividades diferenciadas.
11. Nos apropriarmos criticamente dos documentos oficiais que tem sido elaborados, via governos, conselho nacional e municipal, para que nossa proposição pedagógica não seja enviesada por pressões governamentais, mas que sim pela garantia de algo que garanta o acesso universal para todos.
12. Uma primeira ação poderia ser uma aproximação FAMÍLIA-ESCOLA pelo contato virtual, de modo a levantar experiências de cuidado contra a pandemia realizado pelas famílias, no sentido de fazer da escola “virtual” um portal de compartilhamento de relatos exitosos de experiências de famílias e profissionais da educação no enfrentamento a pandemia;
13. Outra ação seria, a partir desses relatos, que os profissionais da educação estudassem formas de apoio frente as dificuldades, relacionando pedagogicamente a importância de conteúdos e apropriação científica para solução de problemas.
a. Compartilhamento de materiais, vídeos, áudios e demais experiências focadas na valorização do conhecimento científico seria de grande valia nesse momento, em especial para fortalecer a necessidade do isolamento social, o qual começa a ruir na consciência da população, em especial a partir de ações irresponsáveis de governantes em todas as esferas, federal, estadual e municipal.
2º Sobre o que NÃO fazer:
1. Apresentar uma solução para a educação que “ameaça a vida das crianças e de seus parentes. Prefeito quer que estes alunos frequentem a escola para assistir as aulas virtuais” (07/ABR/2020).
2. “crianças e adolescentes estão sendo incentivadas a sair de casa” (07/ABR/2020).
3. O CME, assim como eu, somos “contrário [s] a lógica impositiva de frequência e avaliação para os estudantes, uma vez que, independente da ideia de uma educação não presencial, a falta do professor no processo de ensino-aprendizagem precariza e, em se tratando do ensino fundamental, segrega e exclui muitos de nossos estudantes!” (08/ABR/2020)
4. “...a ideia de ensino virtual na própria escola o que dissolve o isolamento social e aumenta as chances de contágio da COVID-19”. (08/ABR/2020)
5. A portaria 156/2020 “...não foi construído de forma ampla e democrática com toda a rede.” (08/ABR/2020)
6. Diagnóstico frágil, a partir do SGE, sobre o acesso as famílias em relação a internet.
7. “...expor os estudantes sem acesso à internet ao contágio do coronavirus, devido ao seu deslocamento (sem transporte) e permanência na escola”. (08/ABR/2020)
8. “uma ferramenta que permitirá descontar de seu salário caso você não saiba fazer o que a secretaria ordenar”. (08/ABR/2020)
9. A UFSC e a UDESC “já se posicionaram afirmando a impossibilidade de EAD em tempos de pandemia, mas essa afirmativa técnico-científica não é válida para quem só enxerga o que se determina via Secretaria Municipal de Educação.” (08/ABR/2020)
10. Forçar “... nossos estudantes a uma situação de ensino insustentável e que gerará vários processos negativos na formação discente.” (08/ABR/2020)
11. Valer-se “de uma crise  para fortalecer apenas os seus [governantes e comissionados], jogando para o serviço público a ameaça de descontar salário em caso de descumprimento, bem como de desconto do vale alimentação tratando esse direito como se o mesmo fosse um mero favor.” (08/ABR/2020)
12. “Gean anunciou à abertura de alguns outros serviços não essenciais, expondo claramente sua prática de ser favorável a retomada da economia e não a preocupação em salvar vidas! Ou seja, ainda que mascarado, Gean escancara sua face perversa, politiqueira, descomprometida com a cidade e nosso povo” (07/ABR/2020). O detalhe é que ontem, dia 16/04 ele veio a público e anunciou a abertura do comércio a partir de segunda feira. Se naquele momento era preocupante, imagine agora, dez dias depois com o considerável aumento do contágio.
Concluindo, não sou o dono da verdade, muito menos alguém que está acima de alguém, mas reivindico que efetivamente consigamos dialogar, sem melindres, rechaçando o que pode colocar em risco a vida de qualquer um, e, a partir da valorização da vida, não do lucro, construirmos coletivamente estratégias que possam auxiliar nossa população a sair dessa crise com o menor prejuízo possível. Essa é, na minha opinião a MISSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO MUNICIPAL. Se algumas das proposições parecem inalcançáveis, lembre-se que em períodos de crise o que parecia IMPOSSÍVEL torna-se INEVITÁVEL. O exemplo disso é alguém imaginar, em sã consciência, que algum dia o Governo Bolsonaro aprovaria uma lei de renda mínima para a população carente. E ainda, que esse valor seria de 600 reais, superior a ideia inicial de 200 reais proposta pelo governo. Para além de grupos de Whatsapp, é preciso qualificarmos nosso debate. Abraços fraternos.
Marcos Canguru. 18/04/2020.

POESIA - Vírus no Plural

Vírus no plural

Fonte Facebook


Eu quero ir embora,
Eu quero gritar,
Eu quero o fim da demora,
Eu quero chorar,

Quero esquecer,
Parar de lembrar,
Quero viver,
Desatinar...
Me tranquilizar...
Em meio a essa pandemia
Não tem hora não tem dia,
É respirar vendo o tempo passar...

Ah, o tempo...
Tempo de reeducar,
Para um outro querer,
Um outro pensar...

É tempo de viver juntos, mas separados,
De se unir, cada um na sua casa,
De valorizar antigos aglomerados em luta
Ocupando as ruas em brasa...

O tempo material da história
É definitivamente dialético!
Material, mas dialético.
Nesse confundir-se ao se esclarecer
Nesse morrer em vida
Nessa presente luta de classes
Por tanto intento escondida...

Alto lá, ninguém se move,
Lá vem o COVID-19.
Governos batem cabeça,
Pessoas suscitam descrença,
Enquanto ele corre...

Corre, voa e em gotículas se espalha
Como não o vemos pouco podemos fazer
E sem perceber ele se instala...

A ciência estuda e é atacada
Governantes oportunistas se aproveitam,
Elevando o senso comum, e arquitetando outra empreitada...

Educação a distância...
Professor em obsolescência programada,
Trabalhadores essenciais morrendo,
A população sendo enganada.

Enfim, vamos ao critério de verdade:
Há um vírus rondando por aí...
Crescendo junto a um vírus mais mortal...
Um vírus que existe há alguns séculos...
O vírus do Capital...
Marcos Canguru, Resistência, 16 de Abril de 2020.

SINDICAL - Análise da Portaria SME 156/2020 - Florianópolis

Imagem Ilustrativa do Diário Oficial



Atenção SERVIDORES E SERVIDORAS DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL!
Não bastasse todos os problemas pelos quais a população está enfrentando, nós, servidoras e servidores públicos que atuamos em unidades educativas fomos surpreendidos na noite de hoje, dia 03 de abril pela portaria 156/2020. 
Em suas primeiras considerações, a portaria cita outra portaria, de número 1026/2020, publicada ontem, 02 de Abril e que estabelece o regime de teletrabalho <http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/diario/pdf/02_04_2020_22.37.30.be30339140652b136f8dd17da0b06c0c.pdf>. A portaria 1026/2020, é uma afronta aos servidores, pois permite que as chefias imediatas encaminhem para sua respectiva secretaria os nomes de quem não atender as metas estabelecidas/planejadas pela direção e equipe pedagógica, tendo o servidor desconto em folha, vejam:
Artigo 2º, § 3º “Na hipótese de não atendimento às metas estabelecidas com base no inciso IV, o Secretário fica autorizado a promover o desconto remuneratório proporcional.”
Voltando a portaria 156/2020:
Atendendo a reivindicação da categoria, essa portaria definiu a codificação mais apropriada para os servidores em isolamento social, que agora terão registrados o cód. 68 e não mais o que nos jogava para a ideia de “recesso escolar”, com o cód.76. Isso fica claro no artigo 1º. O detalhe é que esse código já existia, o que demonstra o despreparo da atual gestão.
Não obstante, vamos aos fatos expostos nos demais artigos:
• O artigo 1º, convoca os servidores a partir de 01 de Abril, porém o decreto saiu hoje, dia 03. Isso significa que já temos dois dias de falta??
• O Artigo 2º permite a convocação da chefia imediata, contudo não alerta para as especificidades de cada servidor, tais como relacionadas a forma de deslocamento para a unidade, se o servidor está em grupo de risco, se tem com quem deixar seus filhos etc.
• Sobre o Artigo 3º, o foco está na bomba para os Diretores e diretoras...
o O item I está em contradição com a LDB, pois a mesma em seu artigo 13, afirma que é uma incumbência dos docentes “V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;”. COMO SE OS DIAS LETIVOS ESTÃO SUSPENSOS?! A suspensão está na legislação citada nas próprias “considerações” no início da portaria.
o O item II fala da construção de um ambiente virtual de aprendizagem. Eu pergunto, a Equipe Pedagógica tem formação para dominar essa ferramenta? E os professores e professoras? E os estudantes de comunidades vulneráveis, com pouco ou nenhum instrumento tecnológico para acessar? É louvável já haver algumas iniciativas individuais sendo colocadas em prática, mas para uma rede municipal de ensino há que se construir algo profissional e conectado com a comunidade de fato, não algo para manter as aparências.
o O item III adentra na especificidade do professor. Como dar conta desse planejamento em horário normal de trabalho, respeitando a portaria 1026/2020, sendo que muitos professores e professoras tem filhos, estão com eles em casa, os quais também necessitarão do notebook ou celular no respectivo horário para assistir sua aula etc., como resolver essa questão?
o O item IV, relacionado aos cuidados com a pandemia é válido, mas o problema é como fazer chegar à informação aos estudantes de forma mediada pelo professor. Já não há vasta informação sobre essa questão sendo divulgada diariamente em todos os meios eletrônicos e jornalísticos?
o O Item V relacionado a frequência e registro de conteúdo é em minha opinião, simplesmente impossível em nossa unidade educativa, dado a vulnerabilidade social de nossos estudantes. É uma medida maquiadora e enganadora, pois deixa isso claro ao afirmar servir “para fins de cumprimento do ano letivo de 2020”. ANO LETIVO? 
o O Item VI deveria ser tratado para fins de um elemento a mais, não ser critério de avaliação, pois sem acesso a plataforma muitos estudantes serão simplesmente excluídos do processo de ensino e aprendizagem. O fato é que o ensino aprendizagem já está sendo obliterado, mutilado com essa proposta.
o O Item VII, que aferirá a viabilidade ou não dos planejamentos das escolas, não informa prazos, muito menos dá segurança no que está sendo proposto. Com isso é a saúde mental de nossos profissionais que será ainda mais adoecida e ao fim de todo esse processo corremos o risco de termos mais profissionais afastados por licença para tratamento de saúde.
• O Parágrafo 1º vai na mesma linha da análise do item VI acima, ou seja, a validação meritocrática dos estudantes, desconsiderando seus respectivos contextos sociais, uma afronta ao que dispõe o Plano Municipal de Educação e as diretrizes curriculares municipais no que concerne a Inclusão. E como fazer com os estudantes com deficiência/TEA? Eles não existem para esta portaria, será que é porque a ex-gerente de projetos inovadores, responsável pela Educação Especial em nosso município acabou de ser exonerada?
• Em relação ao parágrafo 2º, penso que além das unidades que não tem Professor Auxiliar de Tecnologia, todas as unidades educativas deveriam solicitar “ao Departamento de Tecnologia Educacional a organização e manutenção dos seus ambientes virtuais de aprendizagem”, dando primeiramente formação específica para todos os profissionais do município, bem como mapeando as unidades que atendem crianças e adolescentes com alto nível de vulnerabilidade social para pensar o que é possível ser feito para somente a posteriori traçar estratégias que consigam ser cumpridas diante de tamanhas limitações de cada público. 
• O Artigo 4º, voltado para a Educação Infantil, mantém o nível de ansiedade e desespero compartilhado com esse setor, pois coloca no colo da direção a responsabilidade, mas sem qualquer encaminhamento efetivo, a não ser manter o clima apreensivo.
• O Artigo 5º volta a colocar a responsabilidade em nossos ombros (leiam a portaria 1026/2020), deixando subliminar que o diretor que não se curvar a essa política será responsabilizado, bem como o professor que não correr atrás terá desconto em folha! Assédio moral formal em tempos de pandemia, triste e revoltante!
• O Artigo 6º, dos casos omissos, permite que tudo seja revisto, pois toda a situação é um caso omisso, não é mesmo?
• A portaria finaliza afirmando entrar em vigor na data de hoje (03/04), contradizendo o que está no início de seu próprio texto... 
Por fim, se defendemos que algo seja produzido para os estudantes terem alguma atividade com conteúdo pedagógico, a mesma, para surtir efeito, deve ser implementada de forma profissional, bem como não leve em consideração questões como rendimento, frequência e avaliação, pois a saúde mental de toda a população mundial está abalada diante da pandemia, sendo assim é uma grande irresponsabilidade jogar nas costas de professores a solução para um problema que é real - o cancelamento das aulas devido ao isolamento social, mas que é secundário diante do risco de contágio e elevação do número de mortes de todo o povo.
Seguimos atentos e em luta para que em tempos de crise haja união para solução de todos os problemas, de todas as ordens, mas sem oportunismo e criação de novos problemas, tais como os apontados nesta portaria.
Marcos Canguru, membro da RESISTÊNCIA, professor da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis.

SINDICAL - PONTO E CONTRAPONTO - Resposta aos Diretores

Após a repercussão negativa da ação da Prefeitura em relação a EAD, A Secretaria Municipal de Educação, por intermédio do próprio Secretário, persuadiu os Diretores e um grupo minoritário produziu uma carta endereçada ao Conselho Municipal de Educação. Abaixo o contraponto à mesma, referendando a posição já exposta no artigo anterior e feito com agilidade, inibindo a escalada ideológica que a prefeitura inferiu no período seguinte a publicação da portaria 156/2020.

Fonte Facebook



PONTO E CONTRAPONTO! A NECESSIDADE DE METERMOS A COLHER NO INTENTO DE QUEM MANIPULA OS INTERESSES DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS.

Acabei de visualizar um objeto em construção, uma tal “carta reação” (reacionária seria um termo melhor) de um grupo específico de Diretores e Diretoras das unidades educativas de nosso município. A reação vem após a nota de esclarecimento do Conselho Municipal de Educação (CME), o qual, com embasamento técnico, expôs os equívocos da portaria que visava legalizar o ensino não presencial para a rede municipal. O CME ainda fará o devido relatório para posterior publicação enquanto resolução, mas seu posicionamento já está claro: É a favor de atividades complementares, mas definitivamente é contrário a lógica impositiva de frequência e avaliação para os estudantes, uma vez que, independente da ideia de uma educação não presencial, a falta do professor no processo de ensino-aprendizagem precariza e, em se tratando do ensino fundamental, segrega e exclui muitos de nossos estudantes! Isso sem falar na ideia de ensino virtual na própria escola o que dissolve o isolamento social e aumenta as chances de contágio da COVID-19.
Na carta esse pseudo-grupo expõe sua preocupação em dar conta do ano letivo, defendendo que sua posição “não é unilateral e conta com a efetiva participação de professores e equipes técnicas, ou seja, uma construção coletiva da rede”. Vamos aos fatos: Desde o início da pandemia estamos apreensivos, pois não sabemos o tempo de duração do isolamento, se perderemos algum ente querido ou se contrairemos a COVID-19, como estão nossos estudantes que vivem em situação de vulnerabilidade social, se estão passando fome, se estão sofrendo violência devido ao ambiente precarizado, além é claro, da preocupação de como faremos a reposição desse período que estamos sem aula.
Tanto a portaria 156/2020, quanto esse documento dos diretores é sim um posicionamento unilateral, pois não foi construído de forma ampla e democrática com toda a rede. Você professor, você professora, recebeu algum convite para participar de um círculo de debates sobre o que é ou como pode ser a Educação a Distância (EAD) no ensino fundamental? Foi questionado a você qual é a sua realidade em termos de acessibilidade à internet, qual a velocidade em sua residência, se você tem computador, quantas pessoas moram contigo e usam o computador, celular etc.? Foi feito um diálogo na sua escola antes da publicação da portaria, se você e seu grupo concordam com um documento normatizador que exigirá frequência e avaliação do estudante, mesmo sem saber como o estudante participará dessas aulas? Ou ainda, você está apto para, diante desse momento inclusive de adoecimento mental de nossa população, se reinventar e trabalhar no formato “teletrabalho”? Você concorda em expor os estudantes sem acesso à internet ao contágio do coronavirus, devido ao seu deslocamento (sem transporte) e permanência na escola? Por fim, você concorda em criarmos uma ferramenta que permitirá descontar de seu salário caso você não saiba fazer o que a secretaria ordenar? Se apenas uma das respostas é negativa já é suficiente para refutar o argumento de que foi uma posição coletiva de rede! Diretores e diretoras que assinarem esse documento, saibam que vocês estão sendo incoerentes com esse argumento e, portanto, estão assumindo uma posição unilateral e antidemocrática!
O documento ainda cita municípios que já aprovaram a medida, mas não cita tantos outros municípios, universidades e estados que tem o entendimento que primeiro o foco é para a garantia da vida da população, depois o ano letivo. Estudiosos da educação já se manifestaram e no final desse texto colocarei alguns links que auxiliam nesse entendimento. Mas não precisamos ir longe, a UFSC e a UDESC já se posicionaram afirmando a impossibilidade de EAD em tempos de pandemia, mas essa afirmativa técnico-científica não é valida para quem só enxerga o que se determina via Secretaria Municipal de Educação.
Diretores e diretoras, que estão “temerários” quanto a reposição das aulas, é hora de acordar e passar a temer a possibilidade de sermos o exemplo nacional de descaso em relação ao isolamento social, forçando nossos estudantes a uma situação de ensino insustentável e que gerará vários processos negativos na formação discente.
O CME foi prudente e implacável, sendo ao mesmo tempo propositivo e coerente. Enfatizo a vocês diretoras e diretores, que por ventura assinarem esse documento, estarão assumindo que não pensam em rede, não reconhecem os instrumentos de contra-peso na democracia, tais como o próprio CME e o nosso Sindicato, além de fazerem coro com o pior da política, a política nefasta, oportunista, a qual se vale de uma crise  para fortalecer apenas os seus, jogando para o serviço público a ameaça de descontar salário em caso de descumprimento, bem como de desconto do vale alimentação tratando esse direito como se o mesmo fosse um mero favor.
Eu, um simples professor, que conviveu com muito afinco por longos seis anos a frente de uma maravilhosa escola de nossa rede, não posso assistir a esse retrocesso calado. Como orientava as famílias em nossa escola, em briga de marido e mulher temos sim que meter a colher, em especial para salvaguardar a integridade das mulheres e crianças envolvidas. Por isso eu meto a colher nessa problemática, aqui, em frente ao meu notebook, de forma contraditória exponho essa reflexão virtualmente, com o intuito de fazer um contraponto a essa enviesada posição que custará muito caro para toda população de nossa cidade, a começar pelos nossos próprios estudantes, servidores e quem mais tem compromisso com o serviço público.

Marcos Canguru, Resistência, 08/04/2020, 22:59...

Links para ampliar o debate:

















SINDICAL - EaD: Prefeito de Florianópolis quer que metade dos alunos volte a frequentar a escola

Abaixo o artigo publicado originalmente no Portal Esquerda On Line em 07/04/2020.

EaD: Prefeito de Florianópolis quer que metade dos alunos volte a frequentar a escola

Prefeito reconhece que 47,85% dos alunos não têm acesso a internet, para acompanhar aulas a distância. A solução apresentada ameaça a vida das crianças e de seus parentes. Prefeito quer que estes alunos frequentem a escola para assistir as aulas virtuais.


Nesta segunda-feira, 06, em uma transmissão ao vivo, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), veio a público anunciar medidas que afrouxam o combate a pandemia, em especial a serviços não essenciais e à educação. Com uma máscara de pano, ele, juntamente com o secretário de Saúde, mais uma vez expôs para a população como age um político dirigido pelo grande empresariado, impondo ações que jogarão a cidade no epicentro de contágio, com o aumento da circulação de pessoas. Agora os micro-empreendedores e até crianças e adolescentes estão sendo incentivadas a sair de casa! Isso mesmo, você não leu errado, crianças e adolescentes, estudantes da rede municipal de ensino.

Na quinta feira, 02/04, o governo publicou a portaria 1026/2020 determinando o que é o “teletrabalho”, ou seja, trabalhar em casa devido ao confinamento dos/as servidores/as. Essa portaria de fato já deveria ser objeto de representação junto ao Ministério Público, pois ela impõe um controle ameaçador sobre as chefias imediatas, bem como sobre os respectivos servidores/as.

Porém, não bastasse esse primeiro ataque, no dia seguinte, sexta-feira, na calada da noite, o governo publica uma nova portaria, a 156/2020 definindo ações para o setor da educação, com o intuito de garantir frequência e avaliação para os estudantes – leia-se segregação social e exclusão, bem como impondo o EAD para os profissionais que não foram capacitados para essa tarefa. Para piorar, o próprio governo divulga entre os/as diretores/as da rede municipal de ensino um dado apontando que apenas 47,85% dos estudantes tem acesso à internet. Sendo assim o mesmo assume sua total irresponsabilidade ao jogar nas costas das unidades educativas a incumbência de formularem vídeo aulas. Mas o pior ainda estava por vir…

Nossa organização identificou um mar de críticas à respectiva proposta, bem como muitos diretores/as indicados e alguns eleitos defendendo a ideia, julgando que “primeiro a gente faz, depois avalia”.

Não fosse o bastante o arremate veio na “live” de segunda (06/04), quando o prefeito afirmou saber que muitas crianças não têm acesso a internet, mas que conversou com o Secretário Maurício e o mesmo afirmou que as escolas já estão preparadas para receber os estudantes que não tiverem acesso, de modo que realizem, presencialmente, na escola, suas atividades virtuais. Em resumo, Gean quer que mais da metade dos estudantes do município circulem pela cidade, desfazendo toda a aparência até então defendida em favor do isolamento social. Gean, não queremos morrer, nossos estudantes também não!!! Você está jogando com a vida de pelo menos 15 mil crianças e adolescentes!!

Além dessa barbárie, Gean anunciou à abertura de alguns outros serviços não essenciais, expondo claramente sua prática de ser favorável a retomada da economia e não a preocupação em salvar vidas! Ou seja, ainda que mascarado, Gean escancara sua face perversa, politiqueira, descomprometida com a cidade e nosso povo!

Daqui a três dias vence a portaria de muitos professores e professoras substitutas e até agora Gean e seus vereadores não aceitaram a proposta encaminhada para que nenhum trabalhador, tanto do quadro municipal direto, quanto terceirizado fosse demitido. Não precisamos perguntar o que acontecerá sem sequer termos professores para elaboração das tais vídeo-aulas, não é mesmo?

ATAQUES E RECUOS

No início da pandemia os/as servidores/as se organizavam para entrar em greve contra os graves ataques que a gestão Gean preparava, porém corretamente decidimos recuar, por compreender a importância dos serviços públicos na contenção desta doença. Gean agiu aparentemente de forma conjunta, decretando normas de enfrentamento a pandemia bastante irrisórias e contraditórias, como a não permissão de aglomeração, mas mantendo as escolas aglomeradas.

Após ouvir o clamor da população, Gean apresentou um novo decreto, esse mais próximo do real, determinando o isolamento social como ferramenta de combate a COVID-19, bem como suspendendo as aulas e, na sequência, o transporte público e outros setores, mantendo apenas o essencial. Demonstrando ser guiado por questões técnico-sanitárias e não meramente econômicas, Gean ludibriou a população, preparando o terreno para o que viria.

Primeiro tentou abrir algumas unidades de educação infantil e escolas sob o argumento de atender apenas as crianças dos trabalhadores da PMF que estavam na linha de frente e não tinham com quem deixar seus filhos. A ideia era abrir não apenas para os/as servidores/as municipais e COMCAP, mas para todos os que fazem parte dos serviços essenciais, assim a população iria aumentar o contágio mais rapidamente, porém quem não fosse contagiado sairia fortalecido para o discurso de fim do isolamento social. Não deu certo, o governo recebeu uma avalanche de críticas e em seguida revogou a respectiva portaria que abriria essas unidades. Contudo, essa ação foi suficiente para plantar em nossas consciências a questão de haver algum tipo de aula para os estudantes, pois o ano letivo está passando enquanto há o isolamento social.

Na semana que passou Gean colocou seu time em campo e, apostando no descaso da população, conseguiu junto aos seus vereadores e vereadora a aprovação de um aumento nos gastos do município em R$ 100 milhões com empréstimos para seu “Asfaltaço”, campanha velha de seu antigo grupo quando o lema ainda era “Operação Tapete Preto”. Resistências à parte da bancada de oposição, Gean sentiu-se a vontade para seguir em sua lógica (similar a do Bolsonaro) de jogar para a plateia e a depender do resultado seguir ou não com seus planos. Dessa vez deu certo, vários fiéis defensores do fim do isolamento social defenderam a matéria e ainda acusaram a oposição de mentir pra população. De forma oportunista, Gean já havia gravado um vídeo junto com o presidente da Câmara de vereadores, para divulgar após a sessão da Câmara e, como os humores estavam tensos, o vídeo foi divulgado no momento da votação, de modo que a notícia de aumento de gastos da prefeitura acabou saindo abafada, juntamente com a notícia que o bonzinho prefeito e os vereadores teriam seus salários cortados para que o recurso ajudasse no combate a covid-19. Ele só não explicou porque fez aquilo somente após o salário de todos já ter entrado em suas contas, ou seja, o desconto de fato só ocorrerá no início de maio e não agora, momento em que precisamos fortalecer nosso sistema para receber as pessoas infectadas na sequência.

Não bastasse essa “pegadinha do malandro”, agora seus olhos se voltam para o uso da educação como elemento chave para o fim do isolamento social. Qual a estratégia? A mesma, ou seja, joga-se para a plateia o balão e caso ele estoure, se recua, mas se a plateia se iludir com seu voo temporário, então o plano segue.

Por fim, mas não menos importante, o governo lembrou que existe um Conselho Municipal de Educação (CME) que regula o magistério municipal. Tanto lembrou que citou o mesmo como sendo apenas o que falta para que o ensino não presencial possa ser legalizado. Nós da RESISTÊNCIA reiteramos a defesa explícita em nossa tese durante o último congresso do Sintrasem, na qual defendíamos que houvesse participação crítica em todos os conselhos municipais democráticos, tais como o CME. Como este ponto não foi aprovado pelas forças políticas que compunham a maioria no congresso, não temos representantes sindicais, porém nossa atuação na base auxiliou na formulação de algumas lideranças representativas, das quais defendemos e apostamos em um posicionamento consciente e contrário a essa ingerência chamada Portaria 156/2020. Ademais, sabemos das limitações deste conselho, em especial pelos representantes indicados pele governo, mas não serão eles que nos calarão.
REVOGA, GEAN

A DESOBEDIÊNCIA CIVIL dos servidores e servidoras municipais, nesse momento reacionário e extremamente inseguro, torna-se elemento de segurança para garantir a manutenção do isolamento social e principalmente salvar vidas, não o lucro ou a imagem desse desgoverno oportunista! Fazemos um chamado à nossa CATEGORIA, a direção do SINTRASEM e a população para DESOBEDIÊNCIA CIVIL, ou seja, pela revogação imediata desta portaria! Nenhuma criança fora de casa, pelo isolamento social até o fim da pandemia, nenhum servidor ou servidora a menos!

FAMILIARES E RESPONSÁVEIS pelos estudantes da rede municipal, fazemos um apelo, pois sem o isolamento social, o coronavírus será presencial em nossas casas, talvez até mesmo levando a morte nossos entes queridos. RECUA GEAN!! REVOGA GEAN!!! CHEGA DE OPORTUNISMO, DEFENDA A VIDA DAS PESSOAS, NÃO OS LUCROS!!


SINDICAL - É NA LUTA QUE RENOVAMOS NOSSA ESPERANÇA!

Com o agravamento da pandemia a categoria tomou uma correta decisão, suspendendo o início da greve do serviço público. O texto abaixo descreve esse momento, assinalando que a luta só mudou de campo, não de objetivo...


Fonte Sintrasem


É NA LUTA QUE RENOVAMOS NOSSA ESPERANÇA!

No último domingo as servidoras e servidores públicos municipais deram uma aula de como organizar e atuar na luta em defesa de toda a classe trabalhadora. Após deflagrarmos greve a começar no dia de hoje, 16/03, fomos inundados pelo avanço do COVID-19 em nossa cidade, o que levou a mudanças em nosso movimento.
Até então o prefeito sequer dialogou com a categoria, fugindo da mesa de negociação e tentando nos colocar contra os cidadãos de Florianópolis, bem como nos tratando como se não tivéssemos força. Contudo, de forma acertada, uma reunião do Conselho Deliberativo, junto com a Direção do Sintrasem, no Domingo, 15/03, formulou um recuo estratégico, ou seja, um passo atrás em nosso movimento, de forma momentânea, para ajudar o povo de nossa cidade, para que após essa pandemia possamos ter a legitimidade necessária para o enfrentamento com o executivo. Esse recuo, ou melhor, o adiamento do início da greve, utilizou como ferramenta uma “carta resolução”, a qual, elaborada pela alta capacidade de nossa categoria, expôs para toda população o que efetivamente precisa ser feito para o combate eficaz contra o Coronavíros. Hoje, um dia após a publicação de nossa carta, a prefeitura vem a público e altera o decreto que havia sido publicado na última sexta-feira, incorporando ao mesmo, reivindicações que havíamos defendido em nosso documento, tais como a suspensão das aulas, o cuidado com os servidores com mais de 60 anos entre outros pontos.
Como afirmado dias atrás, o trem Floripa com o maquinista desgovernado Gean, pela primeira vez na história deu ouvidos ao clamor da população, em especial a formulação de nossa categoria. Ainda que ele não admita, o que vale é que nossa população neste momento tem mais condições para se cuidar diante dessa pandemia.
Falta agora a sensatez por parte dos que representam o governo na câmara de vereadores. Junto com os vereadores de luta, cabe a todos vocês suspenderem a tramitação do projeto que altera a alíquota da previdência do serviço público, pois essa será mais uma garantia para que os serviço municipal, em especial do setor da saúde, prestem o atendimento podendo focar no combate ao coronavirus, sem preocupação com redução de salário.
Por fim, esperamos que o desgoverno garanta que conseguirá cumprir na íntegra todo o decreto, de modo a não faltar nenhum item na saúde para o bom atendimento à população.
A história é prova que nossa ação acertada salvará muitas vidas!
Viva a luta das servidoras e dos servidores público municipais! Viva a luta em defesa do serviço público! Viva o SINTRASEM!
Viva o SUS!
Em defesa da vida de toda classe trabalhadora!

Marcos Canguru, Professor da Rede Municipal, membro da Resistência/Florianópolis.