Fonte Facebook
PONTO E CONTRAPONTO! A NECESSIDADE DE METERMOS A COLHER NO
INTENTO DE QUEM MANIPULA OS INTERESSES DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS.
Acabei de visualizar um objeto em construção, uma tal “carta
reação” (reacionária seria um termo melhor) de um grupo específico de Diretores
e Diretoras das unidades educativas de nosso município. A reação vem após a
nota de esclarecimento do Conselho Municipal de Educação (CME), o qual, com
embasamento técnico, expôs os equívocos da portaria que visava legalizar o
ensino não presencial para a rede municipal. O CME ainda fará o devido
relatório para posterior publicação enquanto resolução, mas seu posicionamento
já está claro: É a favor de atividades complementares, mas definitivamente é
contrário a lógica impositiva de frequência e avaliação para os estudantes, uma
vez que, independente da ideia de uma educação não presencial, a falta do
professor no processo de ensino-aprendizagem precariza e, em se tratando do
ensino fundamental, segrega e exclui muitos de nossos estudantes! Isso sem
falar na ideia de ensino virtual na própria escola o que dissolve o isolamento
social e aumenta as chances de contágio da COVID-19.
Na carta esse pseudo-grupo expõe sua preocupação em dar
conta do ano letivo, defendendo que sua posição “não é unilateral e conta com a
efetiva participação de professores e equipes técnicas, ou seja, uma construção
coletiva da rede”. Vamos aos fatos: Desde o início da pandemia estamos
apreensivos, pois não sabemos o tempo de duração do isolamento, se perderemos
algum ente querido ou se contrairemos a COVID-19, como estão nossos estudantes
que vivem em situação de vulnerabilidade social, se estão passando fome, se
estão sofrendo violência devido ao ambiente precarizado, além é claro, da
preocupação de como faremos a reposição desse período que estamos sem aula.
Tanto a portaria 156/2020, quanto esse documento dos
diretores é sim um posicionamento unilateral, pois não foi construído de forma
ampla e democrática com toda a rede. Você professor, você professora, recebeu
algum convite para participar de um círculo de debates sobre o que é ou como
pode ser a Educação a Distância (EAD) no ensino fundamental? Foi questionado a
você qual é a sua realidade em termos de acessibilidade à internet, qual a
velocidade em sua residência, se você tem computador, quantas pessoas moram
contigo e usam o computador, celular etc.? Foi feito um diálogo na sua escola
antes da publicação da portaria, se você e seu grupo concordam com um documento
normatizador que exigirá frequência e avaliação do estudante, mesmo sem saber
como o estudante participará dessas aulas? Ou ainda, você está apto para,
diante desse momento inclusive de adoecimento mental de nossa população, se
reinventar e trabalhar no formato “teletrabalho”? Você concorda em expor os
estudantes sem acesso à internet ao contágio do coronavirus, devido ao seu
deslocamento (sem transporte) e permanência na escola? Por fim, você concorda
em criarmos uma ferramenta que permitirá descontar de seu salário caso você não
saiba fazer o que a secretaria ordenar? Se apenas uma das respostas é negativa
já é suficiente para refutar o argumento de que foi uma posição coletiva de
rede! Diretores e diretoras que assinarem esse documento, saibam que vocês
estão sendo incoerentes com esse argumento e, portanto, estão assumindo uma
posição unilateral e antidemocrática!
O documento ainda cita municípios que já aprovaram a medida,
mas não cita tantos outros municípios, universidades e estados que tem o
entendimento que primeiro o foco é para a garantia da vida da população, depois
o ano letivo. Estudiosos da educação já se manifestaram e no final desse texto
colocarei alguns links que auxiliam nesse entendimento. Mas não precisamos ir
longe, a UFSC e a UDESC já se posicionaram afirmando a impossibilidade de EAD
em tempos de pandemia, mas essa afirmativa técnico-científica não é valida para
quem só enxerga o que se determina via Secretaria Municipal de Educação.
Diretores e diretoras, que estão “temerários” quanto a
reposição das aulas, é hora de acordar e passar a temer a possibilidade de
sermos o exemplo nacional de descaso em relação ao isolamento social, forçando
nossos estudantes a uma situação de ensino insustentável e que gerará vários
processos negativos na formação discente.
O CME foi prudente e implacável, sendo ao mesmo tempo
propositivo e coerente. Enfatizo a vocês diretoras e diretores, que por ventura
assinarem esse documento, estarão assumindo que não pensam em rede, não
reconhecem os instrumentos de contra-peso na democracia, tais como o próprio
CME e o nosso Sindicato, além de fazerem coro com o pior da política, a
política nefasta, oportunista, a qual se vale de uma crise para fortalecer apenas os seus, jogando para
o serviço público a ameaça de descontar salário em caso de descumprimento, bem
como de desconto do vale alimentação tratando esse direito como se o mesmo
fosse um mero favor.
Eu, um simples professor, que conviveu com muito afinco por
longos seis anos a frente de uma maravilhosa escola de nossa rede, não posso
assistir a esse retrocesso calado. Como orientava as famílias em nossa escola,
em briga de marido e mulher temos sim que meter a colher, em especial para
salvaguardar a integridade das mulheres e crianças envolvidas. Por isso eu meto
a colher nessa problemática, aqui, em frente ao meu notebook, de forma
contraditória exponho essa reflexão virtualmente, com o intuito de fazer um
contraponto a essa enviesada posição que custará muito caro para toda população
de nossa cidade, a começar pelos nossos próprios estudantes, servidores e quem
mais tem compromisso com o serviço público.
Marcos Canguru,
Resistência, 08/04/2020, 22:59...
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