segunda-feira, 27 de abril de 2020

SINDICAL - PONTO E CONTRAPONTO - Resposta aos Diretores

Após a repercussão negativa da ação da Prefeitura em relação a EAD, A Secretaria Municipal de Educação, por intermédio do próprio Secretário, persuadiu os Diretores e um grupo minoritário produziu uma carta endereçada ao Conselho Municipal de Educação. Abaixo o contraponto à mesma, referendando a posição já exposta no artigo anterior e feito com agilidade, inibindo a escalada ideológica que a prefeitura inferiu no período seguinte a publicação da portaria 156/2020.

Fonte Facebook



PONTO E CONTRAPONTO! A NECESSIDADE DE METERMOS A COLHER NO INTENTO DE QUEM MANIPULA OS INTERESSES DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS.

Acabei de visualizar um objeto em construção, uma tal “carta reação” (reacionária seria um termo melhor) de um grupo específico de Diretores e Diretoras das unidades educativas de nosso município. A reação vem após a nota de esclarecimento do Conselho Municipal de Educação (CME), o qual, com embasamento técnico, expôs os equívocos da portaria que visava legalizar o ensino não presencial para a rede municipal. O CME ainda fará o devido relatório para posterior publicação enquanto resolução, mas seu posicionamento já está claro: É a favor de atividades complementares, mas definitivamente é contrário a lógica impositiva de frequência e avaliação para os estudantes, uma vez que, independente da ideia de uma educação não presencial, a falta do professor no processo de ensino-aprendizagem precariza e, em se tratando do ensino fundamental, segrega e exclui muitos de nossos estudantes! Isso sem falar na ideia de ensino virtual na própria escola o que dissolve o isolamento social e aumenta as chances de contágio da COVID-19.
Na carta esse pseudo-grupo expõe sua preocupação em dar conta do ano letivo, defendendo que sua posição “não é unilateral e conta com a efetiva participação de professores e equipes técnicas, ou seja, uma construção coletiva da rede”. Vamos aos fatos: Desde o início da pandemia estamos apreensivos, pois não sabemos o tempo de duração do isolamento, se perderemos algum ente querido ou se contrairemos a COVID-19, como estão nossos estudantes que vivem em situação de vulnerabilidade social, se estão passando fome, se estão sofrendo violência devido ao ambiente precarizado, além é claro, da preocupação de como faremos a reposição desse período que estamos sem aula.
Tanto a portaria 156/2020, quanto esse documento dos diretores é sim um posicionamento unilateral, pois não foi construído de forma ampla e democrática com toda a rede. Você professor, você professora, recebeu algum convite para participar de um círculo de debates sobre o que é ou como pode ser a Educação a Distância (EAD) no ensino fundamental? Foi questionado a você qual é a sua realidade em termos de acessibilidade à internet, qual a velocidade em sua residência, se você tem computador, quantas pessoas moram contigo e usam o computador, celular etc.? Foi feito um diálogo na sua escola antes da publicação da portaria, se você e seu grupo concordam com um documento normatizador que exigirá frequência e avaliação do estudante, mesmo sem saber como o estudante participará dessas aulas? Ou ainda, você está apto para, diante desse momento inclusive de adoecimento mental de nossa população, se reinventar e trabalhar no formato “teletrabalho”? Você concorda em expor os estudantes sem acesso à internet ao contágio do coronavirus, devido ao seu deslocamento (sem transporte) e permanência na escola? Por fim, você concorda em criarmos uma ferramenta que permitirá descontar de seu salário caso você não saiba fazer o que a secretaria ordenar? Se apenas uma das respostas é negativa já é suficiente para refutar o argumento de que foi uma posição coletiva de rede! Diretores e diretoras que assinarem esse documento, saibam que vocês estão sendo incoerentes com esse argumento e, portanto, estão assumindo uma posição unilateral e antidemocrática!
O documento ainda cita municípios que já aprovaram a medida, mas não cita tantos outros municípios, universidades e estados que tem o entendimento que primeiro o foco é para a garantia da vida da população, depois o ano letivo. Estudiosos da educação já se manifestaram e no final desse texto colocarei alguns links que auxiliam nesse entendimento. Mas não precisamos ir longe, a UFSC e a UDESC já se posicionaram afirmando a impossibilidade de EAD em tempos de pandemia, mas essa afirmativa técnico-científica não é valida para quem só enxerga o que se determina via Secretaria Municipal de Educação.
Diretores e diretoras, que estão “temerários” quanto a reposição das aulas, é hora de acordar e passar a temer a possibilidade de sermos o exemplo nacional de descaso em relação ao isolamento social, forçando nossos estudantes a uma situação de ensino insustentável e que gerará vários processos negativos na formação discente.
O CME foi prudente e implacável, sendo ao mesmo tempo propositivo e coerente. Enfatizo a vocês diretoras e diretores, que por ventura assinarem esse documento, estarão assumindo que não pensam em rede, não reconhecem os instrumentos de contra-peso na democracia, tais como o próprio CME e o nosso Sindicato, além de fazerem coro com o pior da política, a política nefasta, oportunista, a qual se vale de uma crise  para fortalecer apenas os seus, jogando para o serviço público a ameaça de descontar salário em caso de descumprimento, bem como de desconto do vale alimentação tratando esse direito como se o mesmo fosse um mero favor.
Eu, um simples professor, que conviveu com muito afinco por longos seis anos a frente de uma maravilhosa escola de nossa rede, não posso assistir a esse retrocesso calado. Como orientava as famílias em nossa escola, em briga de marido e mulher temos sim que meter a colher, em especial para salvaguardar a integridade das mulheres e crianças envolvidas. Por isso eu meto a colher nessa problemática, aqui, em frente ao meu notebook, de forma contraditória exponho essa reflexão virtualmente, com o intuito de fazer um contraponto a essa enviesada posição que custará muito caro para toda população de nossa cidade, a começar pelos nossos próprios estudantes, servidores e quem mais tem compromisso com o serviço público.

Marcos Canguru, Resistência, 08/04/2020, 22:59...

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