Pessoal, dizem que hoje é O DIA DO AMIGO. Como professor, para comemorarmos esse dia, ainda que distantes de nossos amigos e de nossos educandos, me permito citar as palavras de Paulo Freire na expectativa de fazermos desse dia um dia do amigo coerente com as necessidades de construção da humanidade. No caso do Brasil, na expectativa que no dia do amigo tenhamos a aprovação do #FUNDEBpraValer, sem emendas e destaques, sem a pegadinha do governo federal que é INIMIGO da educação. Como afirmava Paulo Freire (1996, p.36-37):
Como professor, se minha opção é
progressista e venho sendo coerente com ela, se não me posso permitir a
ingenuidade de pensar-me igual ao educando, de desconhecer a especificidade da
tarefa do professor, não posso, por outro lado, negar que o meu papel fundamental
é contribuir positivamente para que o educando vá sendo o artífice de sua
formação com a ajuda necessária do educador. Se trabalho com crianças, devo
estar atento à difícil passagem ou caminhada da heteronomia para a autonomia,
atento à responsabilidade de minha presença que tanto pode ser auxiliadora como
pode virar perturbadora da busca inquieta dos educandos; se trabalho com jovens
ou adultos, não menos atento devo estar com relação a que o meu trabalho possa
significar como estímulo ou não à ruptura necessária com algo defeituosamente
assentado e à espera de superação. Primordialmente, minha posição tem de ser a
de respeito à pessoa que queira mudar ou que recuse mudar. Não posso negar-lhe
ou esconder-lhe minha postura mas não posso desconhecer o seu direito de
rejeitá-la. Em nome do respeito que devo aos alunos não tenho por que me
omitir, por que ocultar a minha opção política, assumindo uma neutralidade que
não existe. Esta, a omissão do professor em nome do respeito ao aluno, talvez
seja a melhor maneira de desrespeitá-lo. O meu papel, ao contrário, é o de quem
testemunha o direito de comparar, de escolher, de romper, de decidir e
estimular a assunção deste direito por parte dos educandos.
Recentemente, num encontro
público, um jovem recém-entrado na universidade me disse cortesmente:
“Não entendo como o senhor
defende os sem-terra, no fundo, uns baderneiros, criadores de problemas.”
“Pode haver baderneiros entre os
sem-terra”, disse, “mas sua luta é legítima e ética”. “Baderneira” é a
resistência reacionária de quem se opõe a ferro e a fogo à reforma
agrária. A imoralidade e a desordem estão na manutenção de uma “ordem” injusta.
A conversa aparentemente morreu
aí. O moço apertou minha mão em silêncio. Não sei como terá “tratado” a questão
depois, mas foi importante que tivesse dito o que pensava e que tivesse ouvido
de mim o que me parece justo que devesse ter dito.
É assim que venho tentando ser
professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à
boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem
burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço
por superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito
que me tenho e aos educandos.
Se o ditado popular afirma que o
cão é o melhor amigo do homem, talvez seja mais válido lembrar que sem o
professor e a professora, as chances do homem respeitar o cão em sua
singularidade talvez sejam infinitamente menores. Por isso, vale a máxima para
o dia de hoje: Feliz aquele e aquela que aprenderam ou ainda aprendem com seus
professores a professoras a construírem uma sociedade justa e igualitária,
respaldada no direito à vida de todos os seres, na coletividade, na
socialização dos meios de produção, enfim, fundada e multiplicada no amor. Boa
semana à todes!
Referência:
FREIRE, P. Pedagogia da
Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 25° Ed. 1996.


Tmj!
ResponderExcluirPaulo Freire, contemporâneo, gênio, amado...!!!
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