Circulou nas redes sociais e nos jornais impressos,
no dia de hoje, um artigo do ex-desembargador, ex-NSC/Globo/Diário Catarinense, atualmente colunista na Record, Moacir Pereira, criticando a política de
combate a pandemia, em especial sobre a educação pública. De forma
despudorada, cínica e em flagrante “cara de pau” o senhor Moacir citou os “diretores”
de escolas privadas (o termo correto não seria “Donos da escola”?) que afirmam
ter “constatado” que os professores da escola pública estão “acomodados”, por
isso não criam “opções por aulas presenciais”.
É evidente que o tal artigo de opinião é uma
afronta a educação pública, em especial porque é uma grande mentira. Uma
pesquisa rápida no site da Secretaria Estadual de Educação, ou da Secretaria
Municipal de Educação de Florianópolis já nos serve, com inúmeros registros e, portanto,
sólidos argumentos, para refutar essa fala tendenciosa, mesquinha e
definitivamente falsa. Simples assim.
Mas por que uma fala como essa circulando nos
grupos dos servidores municipais de Florianópolis neste momento? Você servidor,
você servidora, sabe o que de fato aconteceu no dia de hoje que realmente importa
e impactará em sua vida profissional daqui em diante?
O secretário municipal de educação soltou uma
nota respondendo ao Moacir de forma objetiva e serena, sem grandes alardes, mas
defendendo a educação pública, afinal ele é o secretário. Mas o que ele e os
demais secretários têm feito para realmente defender a educação e o serviço
público municipal de Florianópolis? Sim, é uma pergunta retórica e está aqui
apenas para citar a triste constatação de que a partir de hoje nossa educação,
nossa saúde, nossa assistência social, enfim, nosso serviço público municipal
de Florianópolis perde qualidade...
As trabalhadoras e trabalhadores que tem atuado
na linha de frente nas UPAs, Centros de Saúde e CRAS, além dos que estão em
trabalho remoto como no exemplo da educação, confortando as famílias de Florianópolis para que
mantenham vínculo com a escola, respeitem o isolamento social, valorizem a
ciência e protejam suas vidas, agora o farão recebendo 3% a menos de seus
salários!
Em meio a pandemia, a proposta do governo
federal de “passar a boiada” segue também no município de Florianópolis, mas vem com uma cortina de fumaça de Moacir Pereira, junto com a raspa do tacho de jornalistas
desprezíveis, como Alexandre Garcia, Luiz Carlos Prates etc. É pessoal, a "granada explodiu em nossos bolsos" ou melhor, em nossos salários.
Que bom que houve reações da categoria para
responder a opinião estapafúrdia do Moacir, como o exemplo da nota do coletivo
de diretores das escolas do município. Mas e nossa reação ao confisco salarial?
Muitas unidades de saúde e assistência social pararam os serviços após às
15:30, quando nossa organização sindical convocou a categoria para ação contra
a votação do PL 1812, na câmara de vereadores. Algumas unidades educativas que tinham reuniões hoje, além de formações da Secretaria municipal, também foram interrompidas pelos trabalhadores para que nos organizássemos em resistência. Sim, perdemos essa batalha, a
votação foi um escárnio, tal qual a política hipócrita do governo Gean e seus
subalternos correligionários. Mas a luta não acabou e cobraremos nas ruas e nas
urnas, de todos os inimigos do serviço municipal, de colunistas de jornal de
quinta categoria à necropolíticos como
vereadores da base do prefeito e o próprio, já amplamente considerado o pior que
a cidade já teve.
Moacir Pereira pode falar as abobrinhas que
quiser, mas o fato é que ele não paga meu salário, diferente do prefeito e o
próprio secretário de educação, que cortaram nosso vale alimentação em março, em
julho e agora arrematam com o confisco da previdência de mais 3% do nosso salário.
Um confisco que acoberta a parte patronal que não vem sendo paga
corretamente, mas sim através de parcelamentos a perder de vista, desde as gestões
anteriores e, de forma mais absurda, a partir do pacotão do Gean de 2017.
Enfim, a luta continua e não é, nem será em
vão! A partir de 01 de janeiro de 2021 este hipócrita governo acabará e além da
cortina de fumaça existe a esperança de dias melhores. A chuva de hoje será o
nascer do sol e da vida de amanhã. As sementes têm sido cultivadas e por certo os
girassóis vencerão as ervas daninhas... No meio ambiente, nas câmaras de
vereadores, nos gabinetes de prefeitos...
Viva a Resistência!


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