quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Moacir Pereira, a velha cortina de fumaça e o real confisco no salário do serviço público municipal de Florianópolis.


Circulou nas redes sociais e nos jornais impressos, no dia de hoje, um artigo do ex-desembargador, ex-NSC/Globo/Diário Catarinense, atualmente colunista na Record, Moacir Pereira, criticando a política de combate a pandemia, em especial sobre a educação pública. De forma despudorada, cínica e em flagrante “cara de pau” o senhor Moacir citou os “diretores” de escolas privadas (o termo correto não seria “Donos da escola”?) que afirmam ter “constatado” que os professores da escola pública estão “acomodados”, por isso não criam “opções por aulas presenciais”.

É evidente que o tal artigo de opinião é uma afronta a educação pública, em especial porque é uma grande mentira. Uma pesquisa rápida no site da Secretaria Estadual de Educação, ou da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis já nos serve, com inúmeros registros e, portanto, sólidos argumentos, para refutar essa fala tendenciosa, mesquinha e definitivamente falsa. Simples assim.

Mas por que uma fala como essa circulando nos grupos dos servidores municipais de Florianópolis neste momento? Você servidor, você servidora, sabe o que de fato aconteceu no dia de hoje que realmente importa e impactará em sua vida profissional daqui em diante?

O secretário municipal de educação soltou uma nota respondendo ao Moacir de forma objetiva e serena, sem grandes alardes, mas defendendo a educação pública, afinal ele é o secretário. Mas o que ele e os demais secretários têm feito para realmente defender a educação e o serviço público municipal de Florianópolis? Sim, é uma pergunta retórica e está aqui apenas para citar a triste constatação de que a partir de hoje nossa educação, nossa saúde, nossa assistência social, enfim, nosso serviço público municipal de Florianópolis perde qualidade...

As trabalhadoras e trabalhadores que tem atuado na linha de frente nas UPAs, Centros de Saúde e CRAS, além dos que estão em trabalho remoto como no exemplo da educação, confortando as famílias de Florianópolis para que mantenham vínculo com a escola, respeitem o isolamento social, valorizem a ciência e protejam suas vidas, agora o farão recebendo 3% a menos de seus salários!

Em meio a pandemia, a proposta do governo federal de “passar a boiada” segue também no município de Florianópolis, mas vem com uma cortina de fumaça de Moacir Pereira, junto com a raspa do tacho de jornalistas desprezíveis, como Alexandre Garcia, Luiz Carlos Prates etc. É pessoal, a "granada explodiu em nossos bolsos" ou melhor, em nossos salários.

Que bom que houve reações da categoria para responder a opinião estapafúrdia do Moacir, como o exemplo da nota do coletivo de diretores das escolas do município. Mas e nossa reação ao confisco salarial? Muitas unidades de saúde e assistência social pararam os serviços após às 15:30, quando nossa organização sindical convocou a categoria para ação contra a votação do PL 1812, na câmara de vereadores. Algumas unidades educativas que tinham reuniões hoje, além de formações da Secretaria municipal, também foram interrompidas pelos trabalhadores para que nos organizássemos em resistência. Sim, perdemos essa batalha, a votação foi um escárnio, tal qual a política hipócrita do governo Gean e seus subalternos correligionários. Mas a luta não acabou e cobraremos nas ruas e nas urnas, de todos os inimigos do serviço municipal, de colunistas de jornal de quinta categoria à necropolíticos  como vereadores da base do prefeito e o próprio, já amplamente considerado o pior que a cidade já teve.

 A lição que fica é que precisamos fortalecer nossa resistência, superando as cortinas de fumaça que se apresentam no horizonte e combatendo o que de fato nos impacta: O governo Bolsonaro e sua política de ruptura pró-fascista, bem como os demais governos que representam o grande capital, como de Moisés e de Gean.

Moacir Pereira pode falar as abobrinhas que quiser, mas o fato é que ele não paga meu salário, diferente do prefeito e o próprio secretário de educação, que cortaram nosso vale alimentação em março, em julho e agora arrematam com o confisco da previdência de mais 3% do nosso salário. Um confisco que acoberta a parte patronal que não vem sendo paga corretamente, mas sim através de parcelamentos a perder de vista, desde as gestões anteriores e, de forma mais absurda, a partir do pacotão do Gean de 2017.

Enfim, a luta continua e não é, nem será em vão! A partir de 01 de janeiro de 2021 este hipócrita governo acabará e além da cortina de fumaça existe a esperança de dias melhores. A chuva de hoje será o nascer do sol e da vida de amanhã. As sementes têm sido cultivadas e por certo os girassóis vencerão as ervas daninhas... No meio ambiente, nas câmaras de vereadores, nos gabinetes de prefeitos...

Viva a Resistência!  

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