Professor Marcos
Canguru
Circulou nos
últimos dias uma propaganda do atual candidato a reeleição para prefeitura de Florianópolis,
Gean, trazendo como mérito seu o atual estado de conservação da Escola Básica
Municipal Donícia Maria da Costa, situada no bairro Saco Grande. Mas quem mora
na comunidade e é estudante ou familiar de algum ou alguma estudante sabe que a
mentira tem perna curta assim como a credibilidade do atual prefeito.
Um
pouco do contexto
O atual prédio da
EBM Donícia Maria da Costa tem cerca de vinte anos e foi construído para
atender duas demandas: 1º atender a comunidade que já lutava pela ampliação da
escola situada anteriormente onde hoje é o NEIM Barreira do Janga; 2º atender a
recém formada comunidade da Vila Cachoeira, a qual veio com a promessa de uma
escola para comunidade, mas que se deparou com uma escola já existente, com
muitos estudantes, que apenas foram transferidos do prédio antigo para o novo.
A inauguração do
prédio novo foi fruto do Governo Angela Amin, porém a obra foi tão mal feita
que em poucos anos de funcionamento da “nova” escola precisou ter seus
alicerces reconstruídos, pois estava cedendo. Isso ocorreu já no governo Dário
Berger, o qual, para acalmar os ânimos do problema, prometeu construir uma
quadra coberta na unidade, o que não cumpriu.
Na última década
nossa escola passou por profundas transformações, em especial pelo adensamento
da população que amenizou seus conflitos comunitários. Mais que isso, aprendeu
a se organizar e lutar pelo melhor da comunidade. Nessa luta, com contribuição
fundamental do Conselho de Moradores do Saco Grande (COMOSG), muito se avançou
desde então, não a partir de favores espúrios com a gestão da prefeitura de
plantão, mas com luta comunitária organizada.
Nesse processo a
gestão mudança coletiva foi eleita para dirigir a escola em novembro de 2013 e
permanece até os dias atuais. Desde então podemos afirmar com mais propriedade
o quanto avançamos. Em 2014, debaixo de muita luta, manifestação nas redes
sociais e protesto organizados pela comunidade, em especial por alguns
familiares e estudantes da EJA, conquistamos a quadra coberta. Um projeto que
não atende a necessidade da escola que era a de construir um ginásio. Porém, a
comunidade avaliou que retornar toda a burocracia faria demorar ainda mais para
obra sair, por isso aceitou o projeto que apesar das críticas, foi colocado em
prática.
Nos anos seguintes
de 2015, 2016 e 2017, antes do governo Gean, com muita luta conquistamos uma
sala informatizada nova, um laboratório de ciências novo, uma sala nova para o
projeto mais educação, além do principal, que foi o recurso humano! Tanto profissionais
que se efetivaram, como outros substitutos que todo ano escolhem nossa escola
para continuar trabalhando foram moldando a identidade doniciana!
Como temos uma
comunidade rotativa, com muitas pessoas dos mais variados lugares do Brasil que
almejam uma vida melhor em nossa cidade e acabam por ancorar-se em nossa
região, a identidade de nossa escola foi se construindo a partir dessa diversidade,
do acolhimento, do respeito a cada um e cada uma, bem como uma forte crítica e
luta contra todo tipo de opressão. O ápice desse momento foi a comemoração de
30 anos da escola, em 2018, quando consagrou-se esse espírito coletivo que vem
florindo inclusive em outros jardins desde então, tanto pelos familiares que seguiram
suas lutas por sobrevivência em outros lugares, como pelos profissionais que
foram para outras unidades mas fazem sempre questão de lembrar e, de certo
modo, reproduzir ensinamentos e práticas construídas em solo doniciano.
A luta histórica
da comunidade, desde pelo menos 2015, foi pela ampliação da escola, com um
projeto que ampliaria o número de salas, garantiria uma sala multimeios com
espaço satisfatório, uma cozinha ampliada, com deposito de alimentos atendendo
as medidas sanitárias de conservação, além de um depósito de limpeza com
vestiário para os profissionais da limpeza, cozinha e demais que necessitam de
ambiente para troca de roupas, banho etc. O projeto da ampliação foi assinado como
promessa pelo então governo Cesar Souza, mas não saiu do papel.
A
EBM Donícia sob o atual Governo Gean
O governo Gean logo
que assumiu, além de atacar os servidores públicos com um pacote de medidas de
retirada de direitos, ainda sucateou a Secretaria Municipal de Educação que
demorou para funcionar minimamente. Com a desculpa que não havia licitação, seu
primeiro ano de gestão foi marcado pela falta de alimentos na escola, falta de material
pedagógico, além de pouquíssimas manutenções.
Quando nossa
comunidade se organizou e ameaçou fechar a cozinha da escola pela condição
insalubre e risco de vida iminente pelo fogão em péssimas condições que lá
estava, o governo Gean trouxe um novo fogão que nem de perto resolveu o problema,
porém minimizou os riscos. A comunidade então comprou um fogão com recurso do PDDE
(verba federal que vem para escola) e só então a prefeitura, para não ficar
ainda mais desmoralizada, construiu uma “casinha” externa para proteger os
botijões de gás, além de refazer a instalação de gás.
A promessa de
ampliação permaneceu no papel, porém o secretário de educação, junto com sua
comitiva se fez presente em uma reunião do conselho deliberativo escolar, na
qual foi recebido com o conjunto de reivindicações que já estavam em sua caixa
de e-mails desde o início de sua gestão. O modo Gean de governar se deparou com
uma comunidade que não bate palminhas para promessas, mas que efetivamente é
engajada na luta pela melhoria da escola. O secretário chegou a afirmar estar
se sentindo ameaçado durante a reunião, quando na verdade o estávamos
confrontando com inteligência, no campo das ideias, reivindicando direitos da
comunidade. Após essa reunião nosso conselho pegou os contatos de empresas contratadas
pela prefeitura para reforma da escola e com muita cobrança e insistência
conquistamos algumas melhorias, como a troca do gradeamento do muro da escola,
troca dos corrimãos e instalação de outros corrimãos em mais locais da escola, instalação
de um sistema preventivo de incêndio, reforma em muro que estava rachado, além
da construção de um telhado improvisado para o espaço de lavação (tanque) da
equipe de limpeza. Por fim, também conquistamos a pintura da escola, a qual
ocorreu sob vários problemas e improvisações. Houve ainda outras pequenas
reformas solicitadas pela comunidade e que também só saíram com muita luta e cobrança
constante, como uma janela na sala do xerox, outra na frente da escola, junto
com uma pavimentação e criação de mais uma sala no segundo andar prédio.
Nossa escola está
sim bem linda, mas não estaria não fosse à luta da comunidade. O que
efetivamente temos necessidade é sua ampliação, não uma propaganda enganosa que
aproveitou uma escola boa para apenas pintá-la e “vende-la” como nova!
Aos moradores, profissionais e estudantes que
conhecem a escola, vivem e sentem a comunidade, suas angústias e perspectivas,
fica a revolta, mas também a certeza que seguiremos lutando. Os ventos da
mudança apontam no horizonte, também fruto dessa construção coletiva,
algo que o atual prefeito desconhece e tanto ignora.
O pertencimento doniciano,
portanto, se fez e se faz no olho no olho, no cuidado cotidiano com cada vida
que adentra pelos portões de nossa unidade. Com o respeito ao pluralismo das
ideias e no chão da realidade concreta, não nas promessas descumpridas pela
atual gestão do Governo Gean, a qual está imersa de denúncias de corrupção, má
gestão do recurso público e até estupro.
Nossa escola,
nossa comunidade, nossa cidade, merece respeito! Seguiremos na luta, como
sempre tivemos, inclusive para desmascarar propagandas que distorcem a
realidade e objetivam perpetuar no poder quem sequer tem credibilidade e ética
com o serviço público.
A palavra de ordem,
construída no seio de nossa escola, foi, é e seguirá sendo, Donícia 100%!
Seguimos florindo, tal qual o lindo Ipê amarelo, marca do amor e da esperança
de nossa escola.

A história se faz ao caminhar, por meio da Luta coletiva e cotidiana, permeada pela verdade. Avante! Donicianos.
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