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terça-feira, 23 de março de 2021

É GREVE! PELA VIDA!


    Boa noite, pessoal! Após vários adiamentos, amanhã iniciamos mais uma greve em nossa categoria. Contudo, diferente de tudo que já experienciamos até hoje, não será uma greve por reajuste salarial ou para manter nossos direitos trabalhistas... Pela primeira vez na história de nosso sindicato e na história de muitos outros sindicatos mundo a fora, aprovamos uma greve para continuarmos vivos! Isso mesmo, a greve pela vida é, de fato, para que cada estudante, cada familiar responsável, cada trabalhador e trabalhadora da educação não coloque sua vida em risco, uma vez que nosso trabalho no magistério é, em resumo, de aglomeração diária. Negar isso é negar o próprio processo pedagógico.
    Não é uma greve para defender o trabalho remoto. Até porque o trabalho que vem sendo realizado, com todo o compromisso e exaustão de nossos educadores e educadoras não é o ideal de educação que defendemos. Defendemos o ENSINO PRESENCIAL. Mas o mesmo só pode voltar a acontecer com condições reais de segurança e controle da pandemia! 
    Repito, não é greve para trabalharmos remotamente. É greve para garantirmos nossas vidas e a dos demais envolvidos no processo pedagógico. O direito a vida é o essencial. Enquanto o Gean, Moisés e Bolsonaro seguem com palavras diferentes para concretizar na prática a mesma política genocida, nós trabalhadoras e trabalhadores do serviço público municipal de Florianópolis, com o início da greve a partir de amanhã, estamos reafirmando nosso papel na luta de classes!
    O mapa de nosso sindicato indica que apenas 5 das 120 unidades educativas vão retornar amanhã. A prefeitura de forma sorrateira, após a aprovação de nossa greve na última assembleia da categoria, saiu ligando para algumas unidades educativas sugerindo que trocassem a data de início do ensino híbrido para o dia 05 de abril. Se o objetivo foi enfraquecer nosso movimento, o fato é que só aumentou nossa indignação, além de comprovar que a própria secretaria municipal de educação não quer forçar tanto o retorno porque sabe que muitas unidades educativas não têm sequer condição estrutural para abrirem as portas.
    Estamos numa encruzilhada. De um lado o descaso plantado pela secretaria, com a narrativa de que não vale a pena entrar em greve porque a maior parte das escolas e neims só retornarão em abril; do outro lado a realidade do risco de vida para as/os profissionais, estudantes e familiares das 5 unidades educativas que abrirão as portas amanhã... Como profissional da educação é nosso dever antever o cenário que se aproxima.
    Assim como no poema “Intertexto” (1) de Brecht , se não fizermos nada antes do retorno dessas cinco unidades, depois será tarde, pois não teremos legitimidade para defendermos uns aos outros. Agora é greve! Vamos parar os trabalhos para não morrermos trabalhando.
    Enfim, queremos viver! Estamos vivendo o momento mais derradeiro de nossas vidas. A catástrofe já é real em nossas UPAs e Hospitais. Seremos mais um número na lista de espera para UTI que segue lotada, ou reafirmaremos nosso protagonismo dizendo não ao trabalho sem condição sanitária e segura?
    Nossas companheiras e companheiros da Saúde estão exauridos diante do colapso do sistema. Com o retorno das aulas presenciais toda uma cadeia produtiva volta a rodar, com aglomeração não apenas na escola, mas no transporte público, na porta da escola, no trânsito, e, consequentemente, no próprio sistema de saúde que terá ainda mais pessoas com necessidade de tratamento.
    É pela vacina para toda população, é pelo auxílio emergencial até o fim da pandemia, é pelo direito a vida de toda classe trabalhadora e dos filhos e filhas da classe trabalhadora!
    Nossa categoria decidiu: É GREVE! Cabe agora a cada um e cada uma tomar posição e assumir seu protagonismo na história! É tempo de resistência e só o nosso cruzar de braços, unidos, pode abrir a chance de seguirmos o trabalho tal como está, com as escolas e neims fechados até o fim da pandemia. A máxima “o ensino se recupera, vidas não” nunca fez tanto sentido quanto o momento atual.
    É momento de colocarmos nossa criatividade em prática, propor saídas para fortalecer a mobilização, para ocupar os espaços virtuais, para construir um caminho que priorize a vida e não o interesse dos agentes da morte, que preferem estar em Cancun de férias quando seu povo lota as UTIs... É tempo de resistência, pela vida! Retorno só com vacina!

Sempre na luta.

Marcos Canguru – Resistência Florianópolis e Coletivo Travessia.


Abaixo o Poema para ficar no registro do Blog:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht.

sábado, 7 de novembro de 2020

DONÍCIA 100% CONTRA A FARSA DA PROPAGANDA DO GEAN!

 

Professor Marcos Canguru

ARQUIVO PESSOAL

Circulou nos últimos dias uma propaganda do atual candidato a reeleição para prefeitura de Florianópolis, Gean, trazendo como mérito seu o atual estado de conservação da Escola Básica Municipal Donícia Maria da Costa, situada no bairro Saco Grande. Mas quem mora na comunidade e é estudante ou familiar de algum ou alguma estudante sabe que a mentira tem perna curta assim como a credibilidade do atual prefeito.

 

Um pouco do contexto

O atual prédio da EBM Donícia Maria da Costa tem cerca de vinte anos e foi construído para atender duas demandas: 1º atender a comunidade que já lutava pela ampliação da escola situada anteriormente onde hoje é o NEIM Barreira do Janga; 2º atender a recém formada comunidade da Vila Cachoeira, a qual veio com a promessa de uma escola para comunidade, mas que se deparou com uma escola já existente, com muitos estudantes, que apenas foram transferidos do prédio antigo para o novo.

A inauguração do prédio novo foi fruto do Governo Angela Amin, porém a obra foi tão mal feita que em poucos anos de funcionamento da “nova” escola precisou ter seus alicerces reconstruídos, pois estava cedendo. Isso ocorreu já no governo Dário Berger, o qual, para acalmar os ânimos do problema, prometeu construir uma quadra coberta na unidade, o que não cumpriu.

Na última década nossa escola passou por profundas transformações, em especial pelo adensamento da população que amenizou seus conflitos comunitários. Mais que isso, aprendeu a se organizar e lutar pelo melhor da comunidade. Nessa luta, com contribuição fundamental do Conselho de Moradores do Saco Grande (COMOSG), muito se avançou desde então, não a partir de favores espúrios com a gestão da prefeitura de plantão, mas com luta comunitária organizada.

Nesse processo a gestão mudança coletiva foi eleita para dirigir a escola em novembro de 2013 e permanece até os dias atuais. Desde então podemos afirmar com mais propriedade o quanto avançamos. Em 2014, debaixo de muita luta, manifestação nas redes sociais e protesto organizados pela comunidade, em especial por alguns familiares e estudantes da EJA, conquistamos a quadra coberta. Um projeto que não atende a necessidade da escola que era a de construir um ginásio. Porém, a comunidade avaliou que retornar toda a burocracia faria demorar ainda mais para obra sair, por isso aceitou o projeto que apesar das críticas, foi colocado em prática.

Nos anos seguintes de 2015, 2016 e 2017, antes do governo Gean, com muita luta conquistamos uma sala informatizada nova, um laboratório de ciências novo, uma sala nova para o projeto mais educação, além do principal, que foi o recurso humano! Tanto profissionais que se efetivaram, como outros substitutos que todo ano escolhem nossa escola para continuar trabalhando foram moldando a identidade doniciana!

Como temos uma comunidade rotativa, com muitas pessoas dos mais variados lugares do Brasil que almejam uma vida melhor em nossa cidade e acabam por ancorar-se em nossa região, a identidade de nossa escola foi se construindo a partir dessa diversidade, do acolhimento, do respeito a cada um e cada uma, bem como uma forte crítica e luta contra todo tipo de opressão. O ápice desse momento foi a comemoração de 30 anos da escola, em 2018, quando consagrou-se esse espírito coletivo que vem florindo inclusive em outros jardins desde então, tanto pelos familiares que seguiram suas lutas por sobrevivência em outros lugares, como pelos profissionais que foram para outras unidades mas fazem sempre questão de lembrar e, de certo modo, reproduzir ensinamentos e práticas construídas em solo doniciano.

A luta histórica da comunidade, desde pelo menos 2015, foi pela ampliação da escola, com um projeto que ampliaria o número de salas, garantiria uma sala multimeios com espaço satisfatório, uma cozinha ampliada, com deposito de alimentos atendendo as medidas sanitárias de conservação, além de um depósito de limpeza com vestiário para os profissionais da limpeza, cozinha e demais que necessitam de ambiente para troca de roupas, banho etc. O projeto da ampliação foi assinado como promessa pelo então governo Cesar Souza, mas não saiu do papel.

 

A EBM Donícia sob o atual Governo Gean

O governo Gean logo que assumiu, além de atacar os servidores públicos com um pacote de medidas de retirada de direitos, ainda sucateou a Secretaria Municipal de Educação que demorou para funcionar minimamente. Com a desculpa que não havia licitação, seu primeiro ano de gestão foi marcado pela falta de alimentos na escola, falta de material pedagógico, além de pouquíssimas manutenções.

Quando nossa comunidade se organizou e ameaçou fechar a cozinha da escola pela condição insalubre e risco de vida iminente pelo fogão em péssimas condições que lá estava, o governo Gean trouxe um novo fogão que nem de perto resolveu o problema, porém minimizou os riscos. A comunidade então comprou um fogão com recurso do PDDE (verba federal que vem para escola) e só então a prefeitura, para não ficar ainda mais desmoralizada, construiu uma “casinha” externa para proteger os botijões de gás, além de refazer a instalação de gás.

A promessa de ampliação permaneceu no papel, porém o secretário de educação, junto com sua comitiva se fez presente em uma reunião do conselho deliberativo escolar, na qual foi recebido com o conjunto de reivindicações que já estavam em sua caixa de e-mails desde o início de sua gestão. O modo Gean de governar se deparou com uma comunidade que não bate palminhas para promessas, mas que efetivamente é engajada na luta pela melhoria da escola. O secretário chegou a afirmar estar se sentindo ameaçado durante a reunião, quando na verdade o estávamos confrontando com inteligência, no campo das ideias, reivindicando direitos da comunidade. Após essa reunião nosso conselho pegou os contatos de empresas contratadas pela prefeitura para reforma da escola e com muita cobrança e insistência conquistamos algumas melhorias, como a troca do gradeamento do muro da escola, troca dos corrimãos e instalação de outros corrimãos em mais locais da escola, instalação de um sistema preventivo de incêndio, reforma em muro que estava rachado, além da construção de um telhado improvisado para o espaço de lavação (tanque) da equipe de limpeza. Por fim, também conquistamos a pintura da escola, a qual ocorreu sob vários problemas e improvisações. Houve ainda outras pequenas reformas solicitadas pela comunidade e que também só saíram com muita luta e cobrança constante, como uma janela na sala do xerox, outra na frente da escola, junto com uma pavimentação e criação de mais uma sala no segundo andar prédio.

Nossa escola está sim bem linda, mas não estaria não fosse à luta da comunidade. O que efetivamente temos necessidade é sua ampliação, não uma propaganda enganosa que aproveitou uma escola boa para apenas pintá-la e “vende-la” como nova!

 Aos moradores, profissionais e estudantes que conhecem a escola, vivem e sentem a comunidade, suas angústias e perspectivas, fica a revolta, mas também a certeza que seguiremos lutando. Os ventos da mudança apontam no horizonte, também fruto dessa construção coletiva, algo que o atual prefeito desconhece e tanto ignora.

O pertencimento doniciano, portanto, se fez e se faz no olho no olho, no cuidado cotidiano com cada vida que adentra pelos portões de nossa unidade. Com o respeito ao pluralismo das ideias e no chão da realidade concreta, não nas promessas descumpridas pela atual gestão do Governo Gean, a qual está imersa de denúncias de corrupção, má gestão do recurso público e até estupro.

Nossa escola, nossa comunidade, nossa cidade, merece respeito! Seguiremos na luta, como sempre tivemos, inclusive para desmascarar propagandas que distorcem a realidade e objetivam perpetuar no poder quem sequer tem credibilidade e ética com o serviço público.

A palavra de ordem, construída no seio de nossa escola, foi, é e seguirá sendo, Donícia 100%! Seguimos florindo, tal qual o lindo Ipê amarelo, marca do amor e da esperança de nossa escola.