quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Moacir Pereira, a velha cortina de fumaça e o real confisco no salário do serviço público municipal de Florianópolis.


Circulou nas redes sociais e nos jornais impressos, no dia de hoje, um artigo do ex-desembargador, ex-NSC/Globo/Diário Catarinense, atualmente colunista na Record, Moacir Pereira, criticando a política de combate a pandemia, em especial sobre a educação pública. De forma despudorada, cínica e em flagrante “cara de pau” o senhor Moacir citou os “diretores” de escolas privadas (o termo correto não seria “Donos da escola”?) que afirmam ter “constatado” que os professores da escola pública estão “acomodados”, por isso não criam “opções por aulas presenciais”.

É evidente que o tal artigo de opinião é uma afronta a educação pública, em especial porque é uma grande mentira. Uma pesquisa rápida no site da Secretaria Estadual de Educação, ou da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis já nos serve, com inúmeros registros e, portanto, sólidos argumentos, para refutar essa fala tendenciosa, mesquinha e definitivamente falsa. Simples assim.

Mas por que uma fala como essa circulando nos grupos dos servidores municipais de Florianópolis neste momento? Você servidor, você servidora, sabe o que de fato aconteceu no dia de hoje que realmente importa e impactará em sua vida profissional daqui em diante?

O secretário municipal de educação soltou uma nota respondendo ao Moacir de forma objetiva e serena, sem grandes alardes, mas defendendo a educação pública, afinal ele é o secretário. Mas o que ele e os demais secretários têm feito para realmente defender a educação e o serviço público municipal de Florianópolis? Sim, é uma pergunta retórica e está aqui apenas para citar a triste constatação de que a partir de hoje nossa educação, nossa saúde, nossa assistência social, enfim, nosso serviço público municipal de Florianópolis perde qualidade...

As trabalhadoras e trabalhadores que tem atuado na linha de frente nas UPAs, Centros de Saúde e CRAS, além dos que estão em trabalho remoto como no exemplo da educação, confortando as famílias de Florianópolis para que mantenham vínculo com a escola, respeitem o isolamento social, valorizem a ciência e protejam suas vidas, agora o farão recebendo 3% a menos de seus salários!

Em meio a pandemia, a proposta do governo federal de “passar a boiada” segue também no município de Florianópolis, mas vem com uma cortina de fumaça de Moacir Pereira, junto com a raspa do tacho de jornalistas desprezíveis, como Alexandre Garcia, Luiz Carlos Prates etc. É pessoal, a "granada explodiu em nossos bolsos" ou melhor, em nossos salários.

Que bom que houve reações da categoria para responder a opinião estapafúrdia do Moacir, como o exemplo da nota do coletivo de diretores das escolas do município. Mas e nossa reação ao confisco salarial? Muitas unidades de saúde e assistência social pararam os serviços após às 15:30, quando nossa organização sindical convocou a categoria para ação contra a votação do PL 1812, na câmara de vereadores. Algumas unidades educativas que tinham reuniões hoje, além de formações da Secretaria municipal, também foram interrompidas pelos trabalhadores para que nos organizássemos em resistência. Sim, perdemos essa batalha, a votação foi um escárnio, tal qual a política hipócrita do governo Gean e seus subalternos correligionários. Mas a luta não acabou e cobraremos nas ruas e nas urnas, de todos os inimigos do serviço municipal, de colunistas de jornal de quinta categoria à necropolíticos  como vereadores da base do prefeito e o próprio, já amplamente considerado o pior que a cidade já teve.

 A lição que fica é que precisamos fortalecer nossa resistência, superando as cortinas de fumaça que se apresentam no horizonte e combatendo o que de fato nos impacta: O governo Bolsonaro e sua política de ruptura pró-fascista, bem como os demais governos que representam o grande capital, como de Moisés e de Gean.

Moacir Pereira pode falar as abobrinhas que quiser, mas o fato é que ele não paga meu salário, diferente do prefeito e o próprio secretário de educação, que cortaram nosso vale alimentação em março, em julho e agora arrematam com o confisco da previdência de mais 3% do nosso salário. Um confisco que acoberta a parte patronal que não vem sendo paga corretamente, mas sim através de parcelamentos a perder de vista, desde as gestões anteriores e, de forma mais absurda, a partir do pacotão do Gean de 2017.

Enfim, a luta continua e não é, nem será em vão! A partir de 01 de janeiro de 2021 este hipócrita governo acabará e além da cortina de fumaça existe a esperança de dias melhores. A chuva de hoje será o nascer do sol e da vida de amanhã. As sementes têm sido cultivadas e por certo os girassóis vencerão as ervas daninhas... No meio ambiente, nas câmaras de vereadores, nos gabinetes de prefeitos...

Viva a Resistência!  

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Abre o Zóio Siri de Mangue!


Contribuição de análise de conjuntura para a 9º Semana da Capoeira.

Uma roda de capoeira com um vereador, várias mulheres, professoras e ainda alguns sindicalistas, promete ter bons jogos, em especial para derrubarmos nossos inimigos feitores, capitães do mato e senhores do engenho...
Esses eram os nomes dos inimigos de ontem, agora é preciso identificarmos quem são esses inimigos em nossos dias. É verdade também que desde os tempos da escravidão haviam contradições nas lutas por libertação, como o exemplo da guarda negra que protegeu a Princesa Isabel, ou ainda cooptação de negros para participação na guerra do Paraguai.
Nos dias de hoje há os que lutam, mas também há os que desfrutam. Neste momento 2.153 bilionários possuem mais riqueza que 60% da população mundial (cerca de 7,8 bilhões – Jul/2020).  Ou seja, a riqueza dessas 2.153 pessoas é equivalente a riqueza de 4,6 Bilhões de pessoas. Nosso país, por exemplo, tem 210 milhões de pessoas, apenas para termos uma noção da dimensão dessa desigualdade.
Nós, na condição de cidadãos brasileiros, capoeiras e trabalhadores, temos o dever de transformar essa injustiça, mas nos entendendo como agentes de transformação. Se não há condições iguais de oportunidade para todos não é possível defender a tese que “basta correr atrás que você consegue”. Vamos a dois exemplos:
1° Exemplo – Muitos professores e mestres de capoeira atuam na informalidade, de modo que ao longo da pandemia muitos estão em situação de vulnerabilidade econômica. Há ainda outros que não dependem da capoeira como sustento principal, mas que também trabalham informalmente em outras áreas. Bimba, o estivador, foi um desses exemplos ao longo da história.
Nesse momento de crise é que precisamos do Estado para nos amparar, ou seja, dos impostos que pagamos todos os dias, em cada quilo de arroz ou feijão, ou ainda descontado de nosso salário no final de cada mês, temos o direito de receber assistência até que a crise passe.

“Contudo, no final de junho, o governo federal distribuiu apenas 10% da ajuda financeira prometida a trabalhadores e empresas, via Programa de Apoio ao Emprego de Emergência (PESE), com grandes empresas obtendo mais benefícios do governo do que trabalhadores ou micro e pequenas empresas. Da mesma forma, apenas 47,9% dos fundos destinados à assistência de emergência a pessoas vulneráveis foram distribuídos no início de julho.”

Na prática isso significa que 10 milhões de pessoas em situação de fome ainda esperam ser aprovadas para receber o auxílio emergencial. Ou seja, quase 90 bilhões de reais que poderiam auxiliar as famílias, ainda não saiu dos cofres públicos, mesmo já estando aprovados para tal. Como dizia um dos capitães do mato da atualidade, o ministro da economia Paulo Guedes, “Já colocamos a granada no bolso do trabalhador”. Sim, esse mesmo capitão do mato teve a cara de pau de afirmar que só deveriam ser ajudadas as grandes empresas, pois as pequenas não dão lucro. De fato para ele as vidas não importam.
Entre desempregados e desalentados no Brasil temos hoje cerca de 17,7 milhões de pessoas. Isso representa 12% da população em idade para trabalhar que está na rua...
2º Exemplo – Além da desigualdade econômica vivemos uma desigualdade étnica e de gênero. O feitor de ontem é o “neofascista” de hoje. É preciso dar nome aos bois, ou melhor, ao gado. O racismo e o machismo são elementos estruturais de nossa sociedade, não vieram com o Bolsonaro. Mas é pelo governo atual que movimentos fascistas têm crescido, o que aumenta o risco de vida do povo pobre, mas em especial dos negros, indígenas e das mulheres. Por exemplo, a cada 100 homicídios no Brasil, 75 são de pessoas negras. Com a pandemia dispararam os casos de violência doméstica contra a mulher, em especial em nosso estado, o qual tem uma mulher no próprio nome. Sei que outras pessoas trarão mais elementos sobre a questão racial e de gênero, por isso vou me ater a apenas mais alguns elementos:
72,7% da população pobre é composta por negros. Já entre as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, que não possuem renda superior a 145 reais por pessoa da família, 27,2 milhões são de mulheres negras. Se isso já é muito, o fato é que a renda por pessoa da família, entre pessoas negras é a metade do valor médio da renda de famílias brancas.
Nós precisamos lutar contra essas desigualdades, a começar pela defesa do avanço das políticas de equiparação social, as quais vem sendo destruídas no governo atual. Do jeito que as coisas vão, levaremos 202 anos para que as mulheres desfrutem do mesmo direito dos homens, apenas como exemplo.
Vivemos um governo que incentiva o fascismo. E foi o fascismo que assassinou Mestre Moa de Catende, foi o fascismo que matou Marielle Franco, é o fascismo militarizado que vem matando a juventude negra nas comunidades de nossa cidade, a exemplo das ações militares no morro do mocotó, do mont serrat, morro do quilombo e tantos outros. O número de pessoas mortas pela polícia militar no Brasil aumentou durante a pandemia. Nosso país é o que tem a polícia que mais mata e também o que mais policiais morrem. O direito a vida é de fato o direito pelo qual temos que lutar.
Mas estão roubando nossos direitos. A reforma trabalhista, a lei das terceirizações, a reforma da previdência, o sucateamento do serviço público, estão aí como armas do capital para fortalecer banqueiros e seus cofres, enquanto socializa para 99% da população apenas a pobreza e a miséria.
Nesse jogo a capoeira é mais que um patrimônio, é um bem cultural maravilhoso, singular, único! Mas sua prática ganha muito mais sentido quando aliada à sua história. É preciso reconhecer os avanços e os percalços.
Enfim, é preciso conclamar os capoeiras para realmente abrirem os olhos, pois a pandemia, vai passar, mas a luta contra o feitor permanece em nossos dias. É preciso identificarmos nossos inimigos, lutarmos para manter viva nossa história, mas principalmente, construirmos uma sociedade justa e igualitária, na qual o jogo da capoeira, a roda da capoeira, sejam mais que um patrimônio da humanidade, sejam bem culturais públicos, a serviço de nossa nação, tendo seus mestres e professores a proteção do estado para manutenção de nossa cultura.
Hoje são vários os movimentos em luta contra o governo e a lógica perversa do capital. Vidas Negras Importam, Fora Bolsonaro! Solidariedade a população necessitada! Em defesa do serviço público! Todo apoio as lutas dos trabalhadores entregadores de aplicativos! Contra o Genocídio, precisamos salvar vidas, não o lucro!
Seguindo as palavras de Mestre Cícero,
Eu sou capoeira, eu sou cantador, sou menino na hora da paz, sou guerreiro na hora da dor...” Iê Camará!

Minha gratidão ao Fórum pela oportunidade e aos grandes camaradas Danusa, Marquito, Vitinho, Jumeri e Elisa que contribuíram imensamente em minha formação no dia de hoje. Abraços.


Referências dos dados:


segunda-feira, 20 de julho de 2020

FELIZ DIA DO AMIGO!




Pessoal, dizem que hoje é O DIA DO AMIGO. Como professor, para comemorarmos esse dia, ainda que distantes de nossos amigos e de nossos educandos, me permito citar as palavras de Paulo Freire na expectativa de fazermos desse dia um dia do amigo coerente com as necessidades de construção da humanidade. No caso do Brasil, na expectativa que no dia do amigo tenhamos a aprovação do #FUNDEBpraValer, sem emendas e destaques, sem a pegadinha do governo federal que é INIMIGO da educação. Como afirmava Paulo Freire (1996, p.36-37):
Como professor, se minha opção é progressista e venho sendo coerente com ela, se não me posso permitir a ingenuidade de pensar-me igual ao educando, de desconhecer a especificidade da tarefa do professor, não posso, por outro lado, negar que o meu papel fundamental é contribuir positivamente para que o educando vá sendo o artífice de sua formação com a ajuda necessária do educador. Se trabalho com crianças, devo estar atento à difícil passagem ou caminhada da heteronomia para a autonomia, atento à responsabilidade de minha presença que tanto pode ser auxiliadora como pode virar perturbadora da busca inquieta dos educandos; se trabalho com jovens ou adultos, não menos atento devo estar com relação a que o meu trabalho possa significar como estímulo ou não à ruptura necessária com algo defeituosamente assentado e à espera de superação. Primordialmente, minha posição tem de ser a de respeito à pessoa que queira mudar ou que recuse mudar. Não posso negar-lhe ou esconder-lhe minha postura mas não posso desconhecer o seu direito de rejeitá-la. Em nome do respeito que devo aos alunos não tenho por que me omitir, por que ocultar a minha opção política, assumindo uma neutralidade que não existe. Esta, a omissão do professor em nome do respeito ao aluno, talvez seja a melhor maneira de desrespeitá-lo. O meu papel, ao contrário, é o de quem testemunha o direito de comparar, de escolher, de romper, de decidir e estimular a assunção deste direito por parte dos educandos.
Recentemente, num encontro público, um jovem recém-entrado na universidade me disse cortesmente:
“Não entendo como o senhor defende os sem-terra, no fundo, uns baderneiros, criadores de problemas.”
“Pode haver baderneiros entre os sem-terra”, disse, “mas sua luta é legítima e ética”. “Baderneira” é a resistência reacionária de quem se opõe a ferro e a fogo à reforma agrária. A imoralidade e a desordem estão na manutenção de uma “ordem” injusta.
A conversa aparentemente morreu aí. O moço apertou minha mão em silêncio. Não sei como terá “tratado” a questão depois, mas foi importante que tivesse dito o que pensava e que tivesse ouvido de mim o que me parece justo que devesse ter dito.
É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço por superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos.

Se o ditado popular afirma que o cão é o melhor amigo do homem, talvez seja mais válido lembrar que sem o professor e a professora, as chances do homem respeitar o cão em sua singularidade talvez sejam infinitamente menores. Por isso, vale a máxima para o dia de hoje: Feliz aquele e aquela que aprenderam ou ainda aprendem com seus professores a professoras a construírem uma sociedade justa e igualitária, respaldada no direito à vida de todos os seres, na coletividade, na socialização dos meios de produção, enfim, fundada e multiplicada no amor. Boa semana à todes!
 
Referência:
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 25° Ed. 1996.

terça-feira, 2 de junho de 2020

CAPOEIRA - O QUE PODEM DIZER OS DISCÍPULOS DE BIMBA E PASTINHA SOBRE O RACISMO?

Camaradas, abaixo uma reflexão em forma de ideia/campanha...



Uma pergunta título tem o objetivo único de provocar a manifestação de Mestres e discípulos dos dois maiores ícones da capoeira, Mestre Pastinha e Mestre Bimba. Em 2018 a morte de Mestre Moa foi um prelúdio do que viria pela frente.
Para não haver dúvidas, começo me identificando, afirmando que sou um praticante de capoeira de origem branca, criado em uma família cristã. Contudo, ao vivenciar organicamente a capoeira, me apaixonei por esse bem cultural, pelos variados elementos da cultura afro-brasileira e, desde então, sou um amante e defensor da cultura afrodescendente. Minha construção acadêmico-universitária só foi possível pela Capoeira, tenho uma dívida eterna com esse fenômeno cultural e por essa razão assumo o ônus e o bônus das provocações que virão a seguir.

CHAMANDO PRO JOGO...
A morte da população negra é histórica e, como diria Will Smith, a diferença é que “está sendo filmada”. Mas a luta do povo negro pela igualdade racial também é histórica e nesse momento ganha contornos de enfrentamento que nos exige uma tomada de posição. Berimbau já fez sua chamada, é hora de lutar...
Infelizmente, aqui na região Sul do país, há exemplos (não sei quantos, mas existem e podem ser facilmente identificados em redes sociais e grupos de capoeira no whatsapp) de praticantes de capoeira que abertamente ainda defendem o governo Bolsonaro e, nessa mesma toada, tem acordo com a fala racista do atual “presidente” da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, o qual afirmou em uma recente gravação de áudio que o Movimento Negro (MN) é uma “escória maldita”. Este ser ainda criticou o Dia da Consciência Negra, xingando Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a escravidão no Brasil.
Muitos estudiosos trariam elementos históricos para repudiar Sérgio Camargo, bem como comprovar o quanto sua fala sobre Zumbi é preconceituosa e equivocada. Mas há um caminho que talvez seja mais elementar e profícuo...

CAPOEIRA ME CHAMA EU VOU ATENDER (M.Canjiquinha)
Ao pouco que sei, faço uma aposta que as duas maiores contribuições para a permanência e existência da capoeira até os dias atuais se deram a partir da vida em prol da capoeira de dois Mestres: Bimba e Pastinha.
Esses dois mestres são relembrados nas cantigas e em muitos ensinamentos que seus discípulos disseminaram e disseminam pelo Brasil e pelo mundo. As poucas filmagens que temos demonstram muito o profundo vínculo de Pastinha e Bimba com a cultura Afro-brasileira, com a Capoeira, com a luta pela vida, contra o preconceito racial.
Pois bem, diante do grave momento que nosso país e nosso mundo passam, com uma pandemia, crise econômica e o bater na porta da população negra o risco de governos autoritários retirarem ainda mais direitos sociais, o que tem então a dizer os que caminharam ao lado desses mestres, sobre o racismo e as reações de enfrentamento?
Mestre Bimba e Mestre Pastinha, se estivessem vivos, assistiriam calados a toda essa situação? Que orientação cada um daria para seus discípulos? Concordariam eles com as ações governamentais de colocar Sérgio Camargo a frente da principal entidade que representa a cultura negra do Brasil? Concordariam eles com as palavras e opiniões deste “presidente” da Fundação Palmares?

AO PÉ DO BERIMBAU, À LUTA NECESSÁRIA
            Não há dúvidas que a diversidade da capoeira é o que faz desse bem cultural um símbolo único e ao mesmo tempo plural. Nesse momento muitos mestres, discípulos de Bimba e Pastinha tem opiniões muito diversas sobre a capoeiragem. Mas será que suas opiniões também são tão diversas em relação a defesa da igualdade racial?
            A partir dos ensinamentos de Bimba e Pastinha, como cada discípulo poderia expor, nesse momento sua opinião em relação ao preconceito racial?
            Sinceramente, meu objetivo é que esses variados discípulos, pudessem se manifestar nesse momento, em vídeos, áudios ou textos, expondo sua opinião sobre a luta contra o racismo, sobre a presença de Sérgio Camargo na Fundação Palmares, enfim, sobre a necessária luta em defesa do povo negro, de nossa cultura ancestral. Para isso, da forma que for possível, citar a hashtag #CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA,  #CAPOEIRASCONTRAORACISMO, #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO ou ainda outra forma que você criar e compartilhar nas redes sociais. O importante é contribuir com sua opinião.
            Como tem afirmado movimentos em defesa da igualdade racial pelo mundo, “Black Lives Matter!”, ou seja, “Vidas Negras Importam!”. A comprovação entre nós, defensores da capoeira, que de fato vidas negras importam, bem como Salvar Vidas é mais importante do que salvar os lucros ou os governos, me faz provocar aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar um pouco das vivências de Mestre Bimba e Mestre Pastinha para que contribuam nessa campanha, em defesa da vida! Você mestre e/ou discípulo, desses que foram e são nossos grandes detentores do saber da capoeira, poderia contribuir com essa iniciativa? Você capoeirista, que defende esse bem cultural, bem como a vida, que não concorda com o Racismo e o Fascismo, vamos nos somar também? Todas as contribuições são bem vindas, a provocação é para que consigamos ecoar nossa voz, pois é preciso nos unirmos nessa luta, em nosso país e no mundo.
            Partir da referência de Mestre Pastinha e Mestre Bimba, pode, quem sabe, auxiliar a todos os praticantes da capoeira ou mesmo simpatizantes de nossa cultura, a tomarem consciência e se unirem na luta em defesa de nossa cultura, de nosso povo atual e ancestral.
            Termino essa reflexão com a saudosa, porém enigmática citação de Mestre Pastinha quando afirmou que “a capoeira é tudo que a boca come”. Se é, não podemos permitir que capoeiras em geral comam as sementes do Racismo e do Fascismo, pois isso seria o fim da capoeira, pelo menos em sua pluralidade, resistência ao opressor, e em defesa da vida. A você Mestre, Professor, Graduado, iniciante ou simpatizante, a hora é agora!
             Comente aqui no Blog ou em sua rede social preferida, mas não se cale! Essa luta é de todos! Como dizia o Samba, "a minha liberdade custou sangue",
            Axé.
#CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA #CAPOEIRASCONTRAORACISMO #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO


domingo, 10 de maio de 2020

FAMILIA - DIA DAS MÃES, UM DIA COMO TODOS OS OUTROS?


Há os ventos da alma...



Quem é este ser que permite o habitar de outro ser, o qual ao sair de suas entranhas, torna-se sua razão de ser?
Quem é este ser, que, como primeiro ato consumado, serve de alimento para o ser por si criado?
Mãe, palavra originada a partir de uma ação concreta, do fornecer o alimento para a criança...
Sua mama é a chave primeira para o ato mais nobre dos seres que, mais que viverem na natureza, a recriam e a transformam, ao seu interesse e semelhança.
Ser mãe é isso... O doar-se para a geração...
Dessa doação, nos seres humanos em geral, emana um sentimento que resume o que de melhor a humanidade já produziu: O Amor...
Celebrar a existência de todas as mães do mundo é um fenômeno cultural de profundo conjunto de sentimentos... Se o amor resume todos eles, é válido lembrar que neste meio se encontra o afeto, a saudade, a preocupação, a alegria, a dor... E quando as emoções não encontram mais palavras para se justificar, a ação que permanece é a do Choro, emoção sensivelmente não elaborada, que diz muito, mesmo quando não consegue dizer nada...
Fui criado numa cultura eurocêntrica, por isso, ou apesar disso, aprendi a valorizar a mãe para além de sua particularidade, ou seja, cada ser gerado deveria ter uma forma de mãe que contemplasse apenas o que de melhor as mães da história já registraram, mas em verdade, o mundo não funciona dessa forma...
E que bom que não funciona!
Seria tedioso se todas as mães fossem apenas Deusas e não seres humanos, contraditórios, únicos!
Aos Deuses da história, que destaquemos Reia, a mãe dos Deuses... Ou a Mãe Terra, como também a chamam... Pachamama, melhor dizendo...
Sim, existem referências históricas e muitas outras mitológicas...
Mas ninguém é igual a minha mãe!
Capitalistas podem vender a imagem da mãe branca, bonita, sempre sorridente, dona de casa, recatada e do lar... que merece uma mercadoria em forma de homenagem...
Outros ainda podem carregar a mágoa de momentos históricos impeditivos, os quais não permitiram que mulheres, pelas mais variadas razões, fossem mães, ou ainda, se o fossem, não tenham vivido o momento mãe com seus filhos e filhas...
Mas repito, ninguém é igual a minha mãe!
Por isso estou cansado de dar voltas sobre a necessidade de justificar um dia a mais, para celebrar a vida e todos os momentos que passamos juntos...
O dia das mães, apesar de todas as contradições, em especial sua perversa metabolização pelo capitalismo, não é um dia como todos os outros...
Se sinto a segurança em afirmar que minha mãe me ama, me amou e me amará durante todos os dias de sua vida, isso é mais do que suficiente para justificar que sim, ela merece ser amada todos os dias também!
Porém, ao somarmos nosso amor, em especial na minha família, considerando que minha mãe teve seis filhos, a celebração de um dia a mais, para resumir e recordar, o ato de ser mãe, mas não de qualquer mãe e sim da minha mãe, é sem dúvida, de extrema necessidade!


Mãezinha, estou distante, mas estou perto, estou triste, mas estou feliz, porque eu te amo e sempre te amarei.
Se a contradição desse menino, programado para nascer, que fugiu de perto de sua asa, para voar ainda mais longe do que o horizonte aponte, é sabido que seu ninho, onde você estiver, é e sempre será meu eterno refúgio! Por isso meu amor por você transborda e se multiplica... pelo menos por três!


E as palavras vêm a mente apenas para tentar elaborar a profundidade de emoções que não se explicam, mas que explodem em mim, principalmente no atual momento pandêmico que vivemos...
Por isso, não haverá álcool em gel, máscara ou isolamento que me impeça de te contagiar... Com meu amor, minha saudade, enfim, a manutenção de minha esperança na humanidade, tendo como referência maior o amor que você depositou em mim, desde o ato de minha criação até os cabelos brancos que já me atingem nesses trinta e poucos anos...
Te amo demais!!!

Mas fica em casa, tá?

Que os ventos de minha alma, pedindo ajuda para Mercedes Sosa... cheguem até você e a nossa linda, amada e única família!










 Com cambaleante carinho... 

Seguindo os ventos da liberdade...

Marcos com Orgulho CORDEIRO...

sexta-feira, 8 de maio de 2020

DONICIA - PROPOSTA DE TRABALHO COM TEMAS GERADORES


PROPOSTA DE TRABALHO COM TEMAS GERADORES
PARA OS ANOS FINAIS
EBM DONICIA MARIA DA COSTA



Florianópolis, 08 de Maio de 2020. 




Iniciando o diálogo, justificando e avançando...







A concepção metodológica de Paulo Freire, para a educação está sistematizada em várias obras, mas nos deteremos, neste primeiro momento, ao livro Pedagogia do Oprimido. São quatro capítulos. O primeiro com proposição de justificar a exposição de sua tese. O Segundo capítulo apresenta a crítica ao que o autor chama de Educação Bancária. Essa crítica serve de base para então propor saídas no processo pedagógico. Essa ação é a que nos interessa nesse primeiro momento.
No Capítulo 3, é exposto o entendimento da “essência da educação como prática da liberdade”, título que também está presente num livro anterior ao pedagogia do oprimido, interessante para uma leitura posterior. Por fim, no capítulo 4, nos é apresentado a teoria da ação antidialógica.
Mas voltemos ao capítulo 3. Para Freire (1987), essa essência da educação como prática da liberdade é a “dialogicidade”. Esse conceito precisa de uma outra elaboração, por isso tratarei aqui apenas como a necessidade de diálogo, na horizontalidade do estabelecimento de relações humanas, em específico nas relações Educador-Educador, Educador-Educando, Educador-Familia, Família-Educando a partir da atividade proposta pelo Educador e Educando-Educador, como resposta de síntese relacionada a determinada tarefa, mas também como ponto de partida para manutenção do diálogo (aprendizado), da dialogicidade em tempos de pandemia.
Dessas relações destacamos uma primeira problemática, ou melhor, uma primeira “situação-limite”[1]: Como dialogar com os estudantes durante a pandemia?
Para responder essa primeira pergunta vamos ao item do livro “o diálogo começa na busca do conteúdo programático” (1987, p.53). Ele começa afirmando que:

Daí que, para esta concepção como prática da liberdade, a sua dialogicidade comece, não quando o educador-educando se encontra com os educandos-educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes. Esta inquietação em torno do conteúdo do diálogo é a inquietação em torno do conteúdo programático da educação (grifo meu).

Em nossa reunião do dia 07 de maio ficou evidente o quanto estamos, grosso modo, inquietos no sentido do que fazer diante da pandemia e a obrigatoriedade de planejar “aulas não presenciais”. Isso fica ainda mais escancarado ao identificarmos que as primeiras iniciativas de nosso coletivo obtiveram pouquíssimo retorno dos estudantes, por algumas razões conhecidas, tais como a vulnerabilidade social, acesso a internet etc. mas também outras razões desconhecidas, dentre elas o real interesse dos educandos acerca do que está sendo proposto, a dificuldade de articulação das disciplinas e as dúvidas frente a que caminho percorrer: Revisão de conteúdos? Conteúdos novos? Trato com os educandos com diagnóstico de deficiência ou TEA? Afinal QUÊ FAZER???
Seguindo a concepção metodológica de Paulo Freire, nada melhor que problematizar toda essa situação para que possamos vislumbrar, coletivamente, “inéditos-viáveis”[2]. É nessa perspectiva que esse texto agora se apresenta, pois, a partir da construção de “Temas-Geradores”, objetivamos dar sentido e de fato produzirmos coletivamente, em especial com os nossos educandos, esses inéditos-viáveis.
Nas palavras de Freire,

A educação autêntica, repitamos, não se faz de “A” para “B” ou de “A” sobre “B”, mas de “A” com “B”, mediatizados pelo mundo. Mundo que impressiona e desafia a uns e a outros, originando visões ou pontos de vista sobre ele. Visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças ou desesperanças que implicitam temas significativos, à base dos quais se constituirá o conteúdo programático da educação (1987, p.54).

Dessa citação já é possível lembrarmos o que nossos companheiros e companheiras das Ciências, História e Geografia estão caminhando enquanto planejamento. Ou seja, nosso tema gerador “Terra” já está bem embasado para ser ampliado com as demais disciplinas, pois inclusive já está sendo dialogado com os estudantes através do pioneirismo anterior a esse planejamento. Nos resta agora destacar a necessidade da relação Professor “com” Estudante, mediatizados pelo mundo. Em tempos de pandemia esse Planeta Terra e seus moradores, em especial os seres humanos, compartilham de visões, como afirmou Freire, ainda mais “impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças ou desesperanças que implicitam temas significativos” (p.54, 1987).

EEEM Santo Antônio: Tema Gerador de 2017


Tema Gerador: Conceito Chave.


É preciso primeiramente considerarmos, antes de qualquer proposição, a situação da Pandemia, da atual forma organizativa de nosso trabalho, da realidade de nossos educandos, enfim, da conjuntura, pois como nos afirma Paulo Freire,

Será a partir da situação presente, existencial, concreta, refletindo o conjunto de aspirações do povo, que poderemos organizar o conteúdo programático da situação ou da ação política, acrescentemos. (1987, p.55).

Dito isso, o tema gerador consiste em propor, através dessa situação presente, questionamentos, desafios, que permitam ao educando se reconhecer como parte da problemática, ou seja, não doar aos educandos “conteúdos que pouco ou nada tenham a ver com seus anseios, com suas dúvidas, com suas esperanças, com seus temores. Conteúdos que, às vezes, aumentam estes temores” (FREIRE, 1987, p.55). Lembrando que a base metodológica por ele proposta visa “a libertação da opressão”, portanto parte da relação dialética entre opressor e oprimido. Não entraremos nessa temática agora em função da singularidade de nossa necessidade, mas é preciso destacar essa relação primeira para não cairmos na negação das limitações de nossos estudantes, o que implicaria negativamente na formulação coletiva do planejamento pedagógico a partir de temas geradores.
Na configuração do Ensino Fundamental de nossa escola, é preciso usar o Tema-Gerador, como um guarda-chuva, ou seja, abrigar as disciplinas abaixo da temática, de modo a permitir que todas sigam caminhando articuladamente, em diálogo e relação direta com nossos educandos, perspectivando seu crescimento individual, mas cientes das limitações decorrentes do ensino remoto, bem como da falta de nossa mediação em tempo real com cada educando em seu processo de aprendizado.
O Tema-gerador é um elemento, nas palavras de Freire (1987), da “realidade mediatizadora” o qual precisamos buscar com os próprios educandos. Esse buscar, em ação-reflexão, “é o momento em que se realiza a investigação do que chamamos de universo temático do povo ou o conjunto de seus temas geradores (FREIRE, 1987, p.56).

Em verdade, o conceito de “tema gerador” não é uma criação arbitrária, ou uma hipótese de trabalho que deva ser comprovada. Se o “tema gerador” fosse uma hipótese que devesse ser comprovada, a investigação, primeiramente, não seria em torno dele, mas de sua existência ou não. (FREIRE, 1987, p.56).

Ou seja, o tema gerador “Terra” é o primeiro de muitos que poderemos elencar, na medida em que formos ganhando confiança coletiva dessa articulação, buscando nessa realidade mediatizadora, pandêmica, mas sem nos frustrar com o ‘abrir mão’ de conteúdos curriculares, o que é melhor para nossos educandos. Os conteúdos também fazem parte dessa realidade, diria até mais, são elementos mediatizadores da realidade, por isso sua importância. Mas diante desse momento de isolamento social, da falta dessa mediação educador-educando orgânica, presencial, a aposta metodológica via tema gerador deve ser considerada.
A noção de “temas” juntamente com a ideia de “geração” carrega a possibilidade do novo, que surgirá a partir da ação de nossos educandos frente aos desafios-temas que problematizarmos com eles. Em outras palavras,

Estes temas se chamam geradores porque, qualquer que seja a natureza de sua
compreensão como a ação por eles provocada, contêm em si a possibilidade de desdobrar-se em outros tantos temas que, por sua vez, provocam novas tarefas que devem ser cumpridas. (FREIRE, 1987, p.122).

Nesse interim, a leitura de todo o Capítulo 3 do livro Pedagogia do Oprimido, deve estar em nosso horizonte, até para qualificarmos esse primeiro diálogo-texto ora compartilhado.

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Da investigação temática







A realidade objetiva é um desafio ao qual os seres humanos, homens e mulheres, crianças, adolescentes e adultos, profissionais e estudantes, têm de responder. Talvez, o fatalismo presente no cotidiano de nossos educandos, mas também entre nós professores e professoras, nos imponha apenas “situações limite” que ainda não nos permita identificar respostas mais otimistas acerca do futuro. 
Antes mesmo da Pandemia já identificávamos entre os educandos um alto índice de baixa autoestima, desinteresse, automutilação entre outros problemas da realidade objetiva de nossa comunidade.
Segundo Paulo Freire é neste conjunto de contradições fatalistas que vislumbramos vários temas geradores, bem como possíveis caminhos de sua superação, percebam:
E nesta forma expressada de pensar o mundo fatalistamente, de pensá-lo dinâmica ou estaticamente, na maneira como realizam seu enfrentamento com o mundo, se encontram envolvidos seus “temas geradores”.
Ainda quando um grupo de indivíduos não chegue a expressar concretamente uma temática geradora, o que pode parecer inexistência de temas, sugere, pelo contrário, a existência de um tema dramático: o tema do silêncio. Sugere uma estrutura constituinte do mutismo ante a força esmagadora de “situações-limites”, em face das quais o óbvio é a adaptação.
É importante reenfatizar que o “tema gerador” não se encontra nos homens isolados da realidade, nem tampouco na realidade separada dos homens. Só pode ser compreendido nas relações homens-mundo.
Investigar o “tema gerador” é investigar, repitamos, o pensar dos homens referido à realidade, é investigar seu atuar sobre a realidade, que é sua práxis (FREIRE, 1987, p.62, grifos meus).

A ideia da investigação temática é, portanto, um dos princípios educativos da metodologia proposta. Em outras palavras, o exercício da pesquisa, o aguçar da curiosidade a partir de desafios implícitos e explícitos nos temas geradores, permite tanto aos educandos como aos educadores, a qualificação desse diálogo que tanto informa quanto forma a ambos, cada um no grau respectivo a sua experiência. Sendo assim,

A investigação temática, que se dá no domínio do humano e não no das coisas, não pode reduzir-se a um ato mecânico. Sendo processo de busca, de conhecimento, por isto tudo, de criação, exige de seus sujeitos que vão descobrindo, no encadeamento dos temas significativos, a interpenetração dos problemas (FREIRE, 1987, p.64, grifos meus).

Nessa perspectiva podemos propor temas-geradores, mas isto não nos classifica como sendo apenas nós os sujeitos exclusivos da investigação. O objetivo é sermos investigadores conjuntamente com os educandos, tarefa essa bastante limitada devido a forma não presencial do ensino neste momento.
Talvez, em função dessa situação problema, nosso primeiro objetivo seja, além de planejar a partir da metodologia dos temas geradores, também buscar a manutenção do vínculo dos educandos com a escola, com as nossas disciplinas curriculares, enfim, conosco enquanto agentes de sua formação.
A formulação de estratégias para avaliarmos, num período curto, se estamos ou não avançando satisfatoriamente em relação a esses objetivos, deve ser o pressuposto para o desvelar de inéditos viáveis e novas formas de seguir no processo de formação com os educandos ao longo do período de isolamento social, com as aulas não presenciais, a partir dos temas geradores.
É claro que ainda há muito mais a acrescentar em relação a obra de Paulo Freire, em especial do capítulo 3 até aqui exposto, mas por hora finalizo essa reflexão-proposição e, a depender de nosso avanço coletivo, me disponho a ir elaborando o aprofundamento da proposta Paulo Freiriana em futuros novos textos.
Sempre na luta,
Marcos Cordeiro Bueno (Canguru).




[1] Conforme entende Paulo Freire, ao citar PINTO (1960), afirma que “as “situações-limites” não são “o contorno infranqueável onde terminam as possibilidades, mas a margem real onde começam todas as possibilidades”; não são “a fronteira entre o ser e o nada, mas a fronteira entre o ser e o ser mais" (mais ser) (FREIRE, 1987, p.122).
[2] O inédito viável nada mais é do que “soluções praticáveis” até então despercebidas, em oposição as percebidas ou as efetivamente já realizadas. Ele surge na medida do avanço da busca investigativa de temas geradores em meio às situações problemas (FREIRE, 1987).