quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Dilemas na cozinha pedagógica da rede municipal de educação de Florianópolis.

 

                Reflexões e crônicas da vida real para um momento de decisão dentro do Conselho Municipal de Educação.

Marcos Canguru.


Para falarmos de problemas latentes, as vezes é melhor procurarmos caminhos imaginários. Nesse sentido vou tentar apresentar um pouco da "cozinha" pedagógica da rede municipal de educação de Florianópolis. Talvez as semelhanças não sejam meras coincidências, mas prepare seu paladar, pois o prato dessa reflexão escrita pode ser um pouco picante

Todo início de ano cada professor dedica um longo tempo, individual e coletivo, para planejar o caminhar de seus grupos estudantis no processo de ensino aprendizagem. Os profissionais mais atentos, pesquisadores, curiosos por convicção, identificam elementos no próprio desenvolvimento de seus planejamentos, antes, durante e depois de cada aula, de cada ciclo de aprendizagem planejada.

Considerando a singularidade do processo de apreensão do conhecimento por parte de cada estudante, o profissional ideal, comprometido com a educação,  faz o que lhe cabe, ou seja, garante a qualidade da aprendizagem, o acesso ao conhecimento, a didática no processo, enfim, promove a educação em sua amplitude.

Esse cenário é o que almejamos, porém essa construção é limitada pelas condições objetivas do trabalho cotidiano, tais como estrutura escolar precária, superlotação de estudantes por sala, pouco material pedagógico disponível, sobrecarga da jornada de trabalho, baixos salários e desvalorização da profissão perante a sociedade, além de estudantes com sérios problemas sociais, culturais e econômicos, vítimas de violência de todo tipo, baixa autoestima, sem perspectivas de futuro. Esse é o panorama da educação de nosso país, ainda que existam particularidades de acordo com cada cidade ou estado. Ao considerarmos as condições objetivas e subjetivas no processo de formação dos profissionais da educação o problema só aumenta. Com o avanço da educação a distância (EAD) na formação de professores e professoras temos uma formação precarizada, acelerada, desconectada das reais necessidades do processo de profissionalização da educação. Com isso tanto professores e professoras, como estudantes das diversas modalidades de ensino acabam sendo prejudicados.

Na mexida desse caldo todo está a educação, algo que cada estudante consome ao produzir, um produto que não se separa do ato de sua produção, na qual o professor, a professora, são mediadores e promotores do conhecimento, “cozinheiros” que capricham no tempero da vida para que o sabor da escola, mesmo com tantos ingredientes picantes, seja o grande espaço de promoção da humanidade.

Mas estamos em tempos de pandemia, de modo que esse caldo está sendo servido frio na mesa de muitos estudantes. Pior, está faltando na mesa de outros tantos. Muitos profissionais da educação estão adoecendo tentando preparar essa “sopa” da melhor forma, mas não conseguem mantê-la “quente” até chegar no prato de cada estudante. O que falta, na verdade, é o “calor” das relações entre os seres humanos promovido singularmente no processo pedagógico. O olho no olho da professora com a criança, da interação do estudante com os outros, a permissão de novos olhares sobre o fazer pedagógico, a quentura que, ainda que queime de vez em quando, é fundamental para a boa alimentação.

O conhecimento dos tempos pandêmicos, pelas “plataformas virtuais”, pelos intermináveis formulários, das apostilas impressas, ainda que produzidos com todo o compromisso e carinho dos professores e professoras, não contém o calor de sua mediação. Por mais que as apostilas transbordem de intencionalidades, elas não contêm o calor da cozinha pedagógica, falta-lhes a presença do educador, da educadora... Falta, nestas atividades, o corpo presente, falante e pensante de momento, de cada educador, de cada educadora, da interação entre os seres (todos!). Por isso a sopa tem sido servida sempre fria...

Mas o pior é a sopa jogada fora, pelo “ralo” das secretarias de educação municipais e estaduais, as quais em geral têm exigido a intensificação do trabalho cozinha-remoto dos educadores e educadoras, desconsiderando em muitos casos suas condições individuais, tais como equipamentos tecnológicos de qualidade, internet de qualidade e formação em ferramentas digitais para cozinhar a sopa. O fato é que além disso muitos estudantes não tem acesso a sopa (aula virtual, por exemplo), de modo que grande parte desse preparo acaba sendo jogado fora. Em Florianópolis, a impressão é que a Secretaria, de forma análoga a criança dona da bola no jogo de futebol, quer ser a atacante, artilheira e juíza, destacando abertamente sua falta de diálogo profissional (fominha!) e aberto com o Conselho Municipal de Educação (CME), órgão regulador da possível normatização da reorganização do “menu” pedagógico, ou melhor, da reorganização curricular e do calendário letivo.

O tal “cardápio” apresentado pelo CME, ainda que não apresente saídas muito saborosas diante da situação pandêmica, destaca alguns avanços importantes para as “refeições” pedagógicas. Daqui a pouco voltamos nisso, primeiro vamos destacar alguns problemas que precisam de consideração...

Muitos estudantes não têm internet, mas esse não é o principal problema. Muitos não têm computador ou celular, mas esse também não é o principal problema. Muitos sequer têm o que comer neste momento, pois a escola, além de servir a sopa do conhecimento, também era espaço para alimentação saudável de verdade, sem analogia. Esse sim, é um problema imenso. Uma grande cozinheira (de verdade) da escola que trabalho sempre afirmou que “barriga vazia não aprende” e isso é um fato! Se não considerarmos as condições de moradia de cada família, em especial nos locais em que a pobreza impede qualquer tipo de "isolamento social" ou ainda condição mínima para estudar, é certo que a sopa não chegará na mesa de nossos estudantes.

Talvez alguns políticos demagogos afirmem que não é papel da escola garantir a comida na mesa das famílias. Ok, mas durante a pandemia, se as famílias não podem levar seus filhos para escola é papel do poder público levar alimento até as famílias! Mais que isso, é dever dos governos de plantão a proteção da vida de cada cidadão, de cada cidadã! Isso significa que para garantir o isolamento social, por exemplo, mais que uma quantia na forma de auxílio emergencial, os governos federal, estadual e municipal deveriam se debruçar para garantir dignidade a cada um, a cada uma. R$ 600,00 reais não é dignidade! Nem o salário-mínimo hoje em nosso país não garante a sobrevivência de um cidadão, muito menos de uma família se considerarmos o que diz a nossa constituição federal.

Mas voltemos a sopa do conhecimento, afinal esse texto iniciou por isso. Algumas questões ainda permanecem em nossa “fome imaginária”: Como é que professores e professoras, pais e familiares, trabalhadores e trabalhadoras podem exigir que a vida seja preservada em tempos de pandemia? Lembrem-se, já passamos de 100 mil mortos e a curva segue subindo...

As professoras e professores, cozinheiros da vida em sociedade, devem aceitar que sua sopa chegue fria ou que nem chegue a muitos lares?

Será que o momento que vivemos não pode servir para refletirmos talvez, em mudarmos nosso cardápio, ou seja, cientes que não é possível as aulas presenciais neste momento, nos preocuparmos mais com docinhos, salgadinhos, sorvetes e chocolates pedagógicos, promovendo a garantia do vínculo entre educadora e educando? Entre escola e família? Calma, a sopa é importante, mas podemos voltar nela com mais afinco quando retornarmos as atividades presenciais, ok? Muito aprendizado pode surgir dessa interação, mesmo que seja no formato virtual ou impresso (temporariamente apenas, insisto nisso!). Sem abandonarmos o horizonte que permitirá novamente o ensino presencial, a manutenção de vínculo pode contribuir para amenizar o sofrimento de professores, professoras, familiares e estudantes. Talvez essa seja uma boa “receita” para o momento.

Sou professor do município de Florianópolis e estou muito convicto que nossa rede tem condição de realizar melhores “menus” de conhecimento aos nossos estudantes. Mais que isso, que nós, como cozinheiras e cozinheiros do conhecimento, podemos sim estarmos juntos e organizados, mesmo que virtualmente, numa grande cozinha virtual, com nossas colheres e paus de amassar, exigindo que nenhum direito seja retirado, nem das trabalhadoras e trabalhadores, nem dos estudantes, de todas as esferas da educação básica.

Temos um instrumento sindical, o Sintrasem, que está na linha de frente da resistência de nossa luta em defesa da vida, da dignidade e por nenhum direito a menos.

Temos também neste momento um instrumento institucional, o CME que na próxima semana aprovará o documento que certamente impactará na vida profissional da educação e nas futuras sopas ou demais alimentos do conhecimento que viermos a produzir.

No primeiro cardápio divulgado, da minuta de resolução do conselho, percebe-se que há uma preocupação na garantia da sopa, bem como em não retirar direitos, nem dos estudantes, nem dos profissionais da educação. Mas a sensação ainda é que a sopa vai ser servida fria, pelo menos durante a pandemia. Também percebo que haverá uma certa amargura na sopa quando houver condições de retorno presencial, mas as iniciativas do cozinhar coletivo, das proposições dos educadores e educadoras da rede, nos debates democráticos em suas unidades educativas e posteriormente no Sintrasem, podem melhorar a expectativa desse cardápio a ser aprovado pelo CME na próxima semana.

Vejo com muito respeito quão exemplar tem sido o trabalho de elaboração dos conselheiros do CME, inclusive escutando todos os setores, com reuniões abertas demonstrando compromisso com processos democráticos de decisão... minha análise desse caldo, leva ao entendimento que nossa categoria tem se sentido anestesiada diante de tantos ataques... Ver números de mortos e contaminados no jornal diário passou a fazer parte da rotina, como colocar a mesa do café e chamar a atenção das crianças que não lavaram as mãos.

Trabalhadores e trabalhadoras da linha de frente do serviço municipal, estão neste momento salvando vidas com 3% a menos em seus salários, devido aos desprezíveis vereadores da base do governo que aprovaram a lei de aumento da alíquota de previdência. Pensem como essa refeição não caiu bem... O corte nos salários também vale para nós da cozinha pedagógica além de todos os demais setores que estão em trabalho remoto. Na expectativa velada de amenizar essa contradição o prefeito antecipa o décimo terceiro salário, num ato de desespero para aumentar o giro da economia municipal e tentar calar a boca dos servidores e servidoras (não calarão!) que sentirão o impacto da perda de renda daqui para frente.

Um detalhe: Nossa profissão é a que melhor dialoga, ouso em dizer, com as aglomerações. É no movimento dos pequenos ou grandes estudantes, em conjunto, as vezes em dezenas de pessoas, que promovemos a humanidade pelas interações, pelo confronto de ideias, pela apresentação da riqueza do conhecimento produzido ao longo da história.

O documento apresentado pelo CME é o momentâneo resultado de uma construção coletiva. Essa construção certamente será enriquecida pela força e combatividade dos representantes das unidades educativas no conselho deliberativo do Sintrasem. Sou um deles e nossa história sindical é prova da força de nossa categoria em momentos decisivos, e não será diferente na reconstrução da pauta pedagógica para escolas e NEIMs. Relembrando Gilberto Gil, "andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá (sic)", ou seja, buscaremos um acolhimento mais “quente” tanto para o paladar dos profissionais, como para todos os estudantes, da Educação Infantil, da Educação Especial, do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos.

Na verdade, quando retornarmos as atividades presenciais precisaremos de outro prato, que não seja apenas a sopa. Talvez com a robustez e simplicidade do arroz com feijão, salada, proteínas variadas e muito tempero, consigamos recuperar com muito sabor, a quentura do processo educativo, a alegria de ensinar, mas também a vontade de aprender.

Valorizar a ciência, a arte e a filosofia nos dias de hoje, é um verdadeiro ato revolucionário. Que a ideologia dominante não impere e que as alterações desta resolução sejam para beneficiar a todos e todas, sem corporativismo, garantindo uma necessária “alimentação” de conhecimento para os estudantes, manutenção e ampliação da qualidade da educação, nenhum direito a menos e nenhum dever a mais para os profissionais da educação.

Seguimos.

domingo, 16 de agosto de 2020

O REGISTRO QUE CONSAGROU UM MOMENTO NA HISTÓRIA DA FAMÍLIA RODA LIVRE

 Era 30 de Julho de 2002, como mostra a foto do registro que só temos impresso atualmente, nos arquivos secretos do grande camarada, amigo e irmão Maizena:

Um batizado histórico para a família roda livre, o primeiro com formatura de dois novos "estagiários", com o registro ainda permanente do Ensaio da Puxada de Rede, cedido carinhosamente pelo meu irmão Maizena:

O aniversário desse batizado completou sua maioridade. Há 18 anos uma história cultural, da comunidade Vila Verde, em Curitiba, sob o comando do nosso grande Mestre Mineiro, consagrava um trabalho de capoeira de um grupo tornado família e presente também em nossos corações até os dias de hoje. Fica aqui o registro e um profundo agradecimento por este tempo que passou, mas que jamais sairá de nossa memória.

Obrigado especial ao Maizena, pela recuperação desse arquivo que agora fica registrado em nosso blog.


Com carinho,


Marcos Canguru.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Moacir Pereira, a velha cortina de fumaça e o real confisco no salário do serviço público municipal de Florianópolis.


Circulou nas redes sociais e nos jornais impressos, no dia de hoje, um artigo do ex-desembargador, ex-NSC/Globo/Diário Catarinense, atualmente colunista na Record, Moacir Pereira, criticando a política de combate a pandemia, em especial sobre a educação pública. De forma despudorada, cínica e em flagrante “cara de pau” o senhor Moacir citou os “diretores” de escolas privadas (o termo correto não seria “Donos da escola”?) que afirmam ter “constatado” que os professores da escola pública estão “acomodados”, por isso não criam “opções por aulas presenciais”.

É evidente que o tal artigo de opinião é uma afronta a educação pública, em especial porque é uma grande mentira. Uma pesquisa rápida no site da Secretaria Estadual de Educação, ou da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis já nos serve, com inúmeros registros e, portanto, sólidos argumentos, para refutar essa fala tendenciosa, mesquinha e definitivamente falsa. Simples assim.

Mas por que uma fala como essa circulando nos grupos dos servidores municipais de Florianópolis neste momento? Você servidor, você servidora, sabe o que de fato aconteceu no dia de hoje que realmente importa e impactará em sua vida profissional daqui em diante?

O secretário municipal de educação soltou uma nota respondendo ao Moacir de forma objetiva e serena, sem grandes alardes, mas defendendo a educação pública, afinal ele é o secretário. Mas o que ele e os demais secretários têm feito para realmente defender a educação e o serviço público municipal de Florianópolis? Sim, é uma pergunta retórica e está aqui apenas para citar a triste constatação de que a partir de hoje nossa educação, nossa saúde, nossa assistência social, enfim, nosso serviço público municipal de Florianópolis perde qualidade...

As trabalhadoras e trabalhadores que tem atuado na linha de frente nas UPAs, Centros de Saúde e CRAS, além dos que estão em trabalho remoto como no exemplo da educação, confortando as famílias de Florianópolis para que mantenham vínculo com a escola, respeitem o isolamento social, valorizem a ciência e protejam suas vidas, agora o farão recebendo 3% a menos de seus salários!

Em meio a pandemia, a proposta do governo federal de “passar a boiada” segue também no município de Florianópolis, mas vem com uma cortina de fumaça de Moacir Pereira, junto com a raspa do tacho de jornalistas desprezíveis, como Alexandre Garcia, Luiz Carlos Prates etc. É pessoal, a "granada explodiu em nossos bolsos" ou melhor, em nossos salários.

Que bom que houve reações da categoria para responder a opinião estapafúrdia do Moacir, como o exemplo da nota do coletivo de diretores das escolas do município. Mas e nossa reação ao confisco salarial? Muitas unidades de saúde e assistência social pararam os serviços após às 15:30, quando nossa organização sindical convocou a categoria para ação contra a votação do PL 1812, na câmara de vereadores. Algumas unidades educativas que tinham reuniões hoje, além de formações da Secretaria municipal, também foram interrompidas pelos trabalhadores para que nos organizássemos em resistência. Sim, perdemos essa batalha, a votação foi um escárnio, tal qual a política hipócrita do governo Gean e seus subalternos correligionários. Mas a luta não acabou e cobraremos nas ruas e nas urnas, de todos os inimigos do serviço municipal, de colunistas de jornal de quinta categoria à necropolíticos  como vereadores da base do prefeito e o próprio, já amplamente considerado o pior que a cidade já teve.

 A lição que fica é que precisamos fortalecer nossa resistência, superando as cortinas de fumaça que se apresentam no horizonte e combatendo o que de fato nos impacta: O governo Bolsonaro e sua política de ruptura pró-fascista, bem como os demais governos que representam o grande capital, como de Moisés e de Gean.

Moacir Pereira pode falar as abobrinhas que quiser, mas o fato é que ele não paga meu salário, diferente do prefeito e o próprio secretário de educação, que cortaram nosso vale alimentação em março, em julho e agora arrematam com o confisco da previdência de mais 3% do nosso salário. Um confisco que acoberta a parte patronal que não vem sendo paga corretamente, mas sim através de parcelamentos a perder de vista, desde as gestões anteriores e, de forma mais absurda, a partir do pacotão do Gean de 2017.

Enfim, a luta continua e não é, nem será em vão! A partir de 01 de janeiro de 2021 este hipócrita governo acabará e além da cortina de fumaça existe a esperança de dias melhores. A chuva de hoje será o nascer do sol e da vida de amanhã. As sementes têm sido cultivadas e por certo os girassóis vencerão as ervas daninhas... No meio ambiente, nas câmaras de vereadores, nos gabinetes de prefeitos...

Viva a Resistência!  

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Abre o Zóio Siri de Mangue!


Contribuição de análise de conjuntura para a 9º Semana da Capoeira.

Uma roda de capoeira com um vereador, várias mulheres, professoras e ainda alguns sindicalistas, promete ter bons jogos, em especial para derrubarmos nossos inimigos feitores, capitães do mato e senhores do engenho...
Esses eram os nomes dos inimigos de ontem, agora é preciso identificarmos quem são esses inimigos em nossos dias. É verdade também que desde os tempos da escravidão haviam contradições nas lutas por libertação, como o exemplo da guarda negra que protegeu a Princesa Isabel, ou ainda cooptação de negros para participação na guerra do Paraguai.
Nos dias de hoje há os que lutam, mas também há os que desfrutam. Neste momento 2.153 bilionários possuem mais riqueza que 60% da população mundial (cerca de 7,8 bilhões – Jul/2020).  Ou seja, a riqueza dessas 2.153 pessoas é equivalente a riqueza de 4,6 Bilhões de pessoas. Nosso país, por exemplo, tem 210 milhões de pessoas, apenas para termos uma noção da dimensão dessa desigualdade.
Nós, na condição de cidadãos brasileiros, capoeiras e trabalhadores, temos o dever de transformar essa injustiça, mas nos entendendo como agentes de transformação. Se não há condições iguais de oportunidade para todos não é possível defender a tese que “basta correr atrás que você consegue”. Vamos a dois exemplos:
1° Exemplo – Muitos professores e mestres de capoeira atuam na informalidade, de modo que ao longo da pandemia muitos estão em situação de vulnerabilidade econômica. Há ainda outros que não dependem da capoeira como sustento principal, mas que também trabalham informalmente em outras áreas. Bimba, o estivador, foi um desses exemplos ao longo da história.
Nesse momento de crise é que precisamos do Estado para nos amparar, ou seja, dos impostos que pagamos todos os dias, em cada quilo de arroz ou feijão, ou ainda descontado de nosso salário no final de cada mês, temos o direito de receber assistência até que a crise passe.

“Contudo, no final de junho, o governo federal distribuiu apenas 10% da ajuda financeira prometida a trabalhadores e empresas, via Programa de Apoio ao Emprego de Emergência (PESE), com grandes empresas obtendo mais benefícios do governo do que trabalhadores ou micro e pequenas empresas. Da mesma forma, apenas 47,9% dos fundos destinados à assistência de emergência a pessoas vulneráveis foram distribuídos no início de julho.”

Na prática isso significa que 10 milhões de pessoas em situação de fome ainda esperam ser aprovadas para receber o auxílio emergencial. Ou seja, quase 90 bilhões de reais que poderiam auxiliar as famílias, ainda não saiu dos cofres públicos, mesmo já estando aprovados para tal. Como dizia um dos capitães do mato da atualidade, o ministro da economia Paulo Guedes, “Já colocamos a granada no bolso do trabalhador”. Sim, esse mesmo capitão do mato teve a cara de pau de afirmar que só deveriam ser ajudadas as grandes empresas, pois as pequenas não dão lucro. De fato para ele as vidas não importam.
Entre desempregados e desalentados no Brasil temos hoje cerca de 17,7 milhões de pessoas. Isso representa 12% da população em idade para trabalhar que está na rua...
2º Exemplo – Além da desigualdade econômica vivemos uma desigualdade étnica e de gênero. O feitor de ontem é o “neofascista” de hoje. É preciso dar nome aos bois, ou melhor, ao gado. O racismo e o machismo são elementos estruturais de nossa sociedade, não vieram com o Bolsonaro. Mas é pelo governo atual que movimentos fascistas têm crescido, o que aumenta o risco de vida do povo pobre, mas em especial dos negros, indígenas e das mulheres. Por exemplo, a cada 100 homicídios no Brasil, 75 são de pessoas negras. Com a pandemia dispararam os casos de violência doméstica contra a mulher, em especial em nosso estado, o qual tem uma mulher no próprio nome. Sei que outras pessoas trarão mais elementos sobre a questão racial e de gênero, por isso vou me ater a apenas mais alguns elementos:
72,7% da população pobre é composta por negros. Já entre as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, que não possuem renda superior a 145 reais por pessoa da família, 27,2 milhões são de mulheres negras. Se isso já é muito, o fato é que a renda por pessoa da família, entre pessoas negras é a metade do valor médio da renda de famílias brancas.
Nós precisamos lutar contra essas desigualdades, a começar pela defesa do avanço das políticas de equiparação social, as quais vem sendo destruídas no governo atual. Do jeito que as coisas vão, levaremos 202 anos para que as mulheres desfrutem do mesmo direito dos homens, apenas como exemplo.
Vivemos um governo que incentiva o fascismo. E foi o fascismo que assassinou Mestre Moa de Catende, foi o fascismo que matou Marielle Franco, é o fascismo militarizado que vem matando a juventude negra nas comunidades de nossa cidade, a exemplo das ações militares no morro do mocotó, do mont serrat, morro do quilombo e tantos outros. O número de pessoas mortas pela polícia militar no Brasil aumentou durante a pandemia. Nosso país é o que tem a polícia que mais mata e também o que mais policiais morrem. O direito a vida é de fato o direito pelo qual temos que lutar.
Mas estão roubando nossos direitos. A reforma trabalhista, a lei das terceirizações, a reforma da previdência, o sucateamento do serviço público, estão aí como armas do capital para fortalecer banqueiros e seus cofres, enquanto socializa para 99% da população apenas a pobreza e a miséria.
Nesse jogo a capoeira é mais que um patrimônio, é um bem cultural maravilhoso, singular, único! Mas sua prática ganha muito mais sentido quando aliada à sua história. É preciso reconhecer os avanços e os percalços.
Enfim, é preciso conclamar os capoeiras para realmente abrirem os olhos, pois a pandemia, vai passar, mas a luta contra o feitor permanece em nossos dias. É preciso identificarmos nossos inimigos, lutarmos para manter viva nossa história, mas principalmente, construirmos uma sociedade justa e igualitária, na qual o jogo da capoeira, a roda da capoeira, sejam mais que um patrimônio da humanidade, sejam bem culturais públicos, a serviço de nossa nação, tendo seus mestres e professores a proteção do estado para manutenção de nossa cultura.
Hoje são vários os movimentos em luta contra o governo e a lógica perversa do capital. Vidas Negras Importam, Fora Bolsonaro! Solidariedade a população necessitada! Em defesa do serviço público! Todo apoio as lutas dos trabalhadores entregadores de aplicativos! Contra o Genocídio, precisamos salvar vidas, não o lucro!
Seguindo as palavras de Mestre Cícero,
Eu sou capoeira, eu sou cantador, sou menino na hora da paz, sou guerreiro na hora da dor...” Iê Camará!

Minha gratidão ao Fórum pela oportunidade e aos grandes camaradas Danusa, Marquito, Vitinho, Jumeri e Elisa que contribuíram imensamente em minha formação no dia de hoje. Abraços.


Referências dos dados:


segunda-feira, 20 de julho de 2020

FELIZ DIA DO AMIGO!




Pessoal, dizem que hoje é O DIA DO AMIGO. Como professor, para comemorarmos esse dia, ainda que distantes de nossos amigos e de nossos educandos, me permito citar as palavras de Paulo Freire na expectativa de fazermos desse dia um dia do amigo coerente com as necessidades de construção da humanidade. No caso do Brasil, na expectativa que no dia do amigo tenhamos a aprovação do #FUNDEBpraValer, sem emendas e destaques, sem a pegadinha do governo federal que é INIMIGO da educação. Como afirmava Paulo Freire (1996, p.36-37):
Como professor, se minha opção é progressista e venho sendo coerente com ela, se não me posso permitir a ingenuidade de pensar-me igual ao educando, de desconhecer a especificidade da tarefa do professor, não posso, por outro lado, negar que o meu papel fundamental é contribuir positivamente para que o educando vá sendo o artífice de sua formação com a ajuda necessária do educador. Se trabalho com crianças, devo estar atento à difícil passagem ou caminhada da heteronomia para a autonomia, atento à responsabilidade de minha presença que tanto pode ser auxiliadora como pode virar perturbadora da busca inquieta dos educandos; se trabalho com jovens ou adultos, não menos atento devo estar com relação a que o meu trabalho possa significar como estímulo ou não à ruptura necessária com algo defeituosamente assentado e à espera de superação. Primordialmente, minha posição tem de ser a de respeito à pessoa que queira mudar ou que recuse mudar. Não posso negar-lhe ou esconder-lhe minha postura mas não posso desconhecer o seu direito de rejeitá-la. Em nome do respeito que devo aos alunos não tenho por que me omitir, por que ocultar a minha opção política, assumindo uma neutralidade que não existe. Esta, a omissão do professor em nome do respeito ao aluno, talvez seja a melhor maneira de desrespeitá-lo. O meu papel, ao contrário, é o de quem testemunha o direito de comparar, de escolher, de romper, de decidir e estimular a assunção deste direito por parte dos educandos.
Recentemente, num encontro público, um jovem recém-entrado na universidade me disse cortesmente:
“Não entendo como o senhor defende os sem-terra, no fundo, uns baderneiros, criadores de problemas.”
“Pode haver baderneiros entre os sem-terra”, disse, “mas sua luta é legítima e ética”. “Baderneira” é a resistência reacionária de quem se opõe a ferro e a fogo à reforma agrária. A imoralidade e a desordem estão na manutenção de uma “ordem” injusta.
A conversa aparentemente morreu aí. O moço apertou minha mão em silêncio. Não sei como terá “tratado” a questão depois, mas foi importante que tivesse dito o que pensava e que tivesse ouvido de mim o que me parece justo que devesse ter dito.
É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço por superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos.

Se o ditado popular afirma que o cão é o melhor amigo do homem, talvez seja mais válido lembrar que sem o professor e a professora, as chances do homem respeitar o cão em sua singularidade talvez sejam infinitamente menores. Por isso, vale a máxima para o dia de hoje: Feliz aquele e aquela que aprenderam ou ainda aprendem com seus professores a professoras a construírem uma sociedade justa e igualitária, respaldada no direito à vida de todos os seres, na coletividade, na socialização dos meios de produção, enfim, fundada e multiplicada no amor. Boa semana à todes!
 
Referência:
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 25° Ed. 1996.

terça-feira, 2 de junho de 2020

CAPOEIRA - O QUE PODEM DIZER OS DISCÍPULOS DE BIMBA E PASTINHA SOBRE O RACISMO?

Camaradas, abaixo uma reflexão em forma de ideia/campanha...



Uma pergunta título tem o objetivo único de provocar a manifestação de Mestres e discípulos dos dois maiores ícones da capoeira, Mestre Pastinha e Mestre Bimba. Em 2018 a morte de Mestre Moa foi um prelúdio do que viria pela frente.
Para não haver dúvidas, começo me identificando, afirmando que sou um praticante de capoeira de origem branca, criado em uma família cristã. Contudo, ao vivenciar organicamente a capoeira, me apaixonei por esse bem cultural, pelos variados elementos da cultura afro-brasileira e, desde então, sou um amante e defensor da cultura afrodescendente. Minha construção acadêmico-universitária só foi possível pela Capoeira, tenho uma dívida eterna com esse fenômeno cultural e por essa razão assumo o ônus e o bônus das provocações que virão a seguir.

CHAMANDO PRO JOGO...
A morte da população negra é histórica e, como diria Will Smith, a diferença é que “está sendo filmada”. Mas a luta do povo negro pela igualdade racial também é histórica e nesse momento ganha contornos de enfrentamento que nos exige uma tomada de posição. Berimbau já fez sua chamada, é hora de lutar...
Infelizmente, aqui na região Sul do país, há exemplos (não sei quantos, mas existem e podem ser facilmente identificados em redes sociais e grupos de capoeira no whatsapp) de praticantes de capoeira que abertamente ainda defendem o governo Bolsonaro e, nessa mesma toada, tem acordo com a fala racista do atual “presidente” da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, o qual afirmou em uma recente gravação de áudio que o Movimento Negro (MN) é uma “escória maldita”. Este ser ainda criticou o Dia da Consciência Negra, xingando Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a escravidão no Brasil.
Muitos estudiosos trariam elementos históricos para repudiar Sérgio Camargo, bem como comprovar o quanto sua fala sobre Zumbi é preconceituosa e equivocada. Mas há um caminho que talvez seja mais elementar e profícuo...

CAPOEIRA ME CHAMA EU VOU ATENDER (M.Canjiquinha)
Ao pouco que sei, faço uma aposta que as duas maiores contribuições para a permanência e existência da capoeira até os dias atuais se deram a partir da vida em prol da capoeira de dois Mestres: Bimba e Pastinha.
Esses dois mestres são relembrados nas cantigas e em muitos ensinamentos que seus discípulos disseminaram e disseminam pelo Brasil e pelo mundo. As poucas filmagens que temos demonstram muito o profundo vínculo de Pastinha e Bimba com a cultura Afro-brasileira, com a Capoeira, com a luta pela vida, contra o preconceito racial.
Pois bem, diante do grave momento que nosso país e nosso mundo passam, com uma pandemia, crise econômica e o bater na porta da população negra o risco de governos autoritários retirarem ainda mais direitos sociais, o que tem então a dizer os que caminharam ao lado desses mestres, sobre o racismo e as reações de enfrentamento?
Mestre Bimba e Mestre Pastinha, se estivessem vivos, assistiriam calados a toda essa situação? Que orientação cada um daria para seus discípulos? Concordariam eles com as ações governamentais de colocar Sérgio Camargo a frente da principal entidade que representa a cultura negra do Brasil? Concordariam eles com as palavras e opiniões deste “presidente” da Fundação Palmares?

AO PÉ DO BERIMBAU, À LUTA NECESSÁRIA
            Não há dúvidas que a diversidade da capoeira é o que faz desse bem cultural um símbolo único e ao mesmo tempo plural. Nesse momento muitos mestres, discípulos de Bimba e Pastinha tem opiniões muito diversas sobre a capoeiragem. Mas será que suas opiniões também são tão diversas em relação a defesa da igualdade racial?
            A partir dos ensinamentos de Bimba e Pastinha, como cada discípulo poderia expor, nesse momento sua opinião em relação ao preconceito racial?
            Sinceramente, meu objetivo é que esses variados discípulos, pudessem se manifestar nesse momento, em vídeos, áudios ou textos, expondo sua opinião sobre a luta contra o racismo, sobre a presença de Sérgio Camargo na Fundação Palmares, enfim, sobre a necessária luta em defesa do povo negro, de nossa cultura ancestral. Para isso, da forma que for possível, citar a hashtag #CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA,  #CAPOEIRASCONTRAORACISMO, #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO ou ainda outra forma que você criar e compartilhar nas redes sociais. O importante é contribuir com sua opinião.
            Como tem afirmado movimentos em defesa da igualdade racial pelo mundo, “Black Lives Matter!”, ou seja, “Vidas Negras Importam!”. A comprovação entre nós, defensores da capoeira, que de fato vidas negras importam, bem como Salvar Vidas é mais importante do que salvar os lucros ou os governos, me faz provocar aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar um pouco das vivências de Mestre Bimba e Mestre Pastinha para que contribuam nessa campanha, em defesa da vida! Você mestre e/ou discípulo, desses que foram e são nossos grandes detentores do saber da capoeira, poderia contribuir com essa iniciativa? Você capoeirista, que defende esse bem cultural, bem como a vida, que não concorda com o Racismo e o Fascismo, vamos nos somar também? Todas as contribuições são bem vindas, a provocação é para que consigamos ecoar nossa voz, pois é preciso nos unirmos nessa luta, em nosso país e no mundo.
            Partir da referência de Mestre Pastinha e Mestre Bimba, pode, quem sabe, auxiliar a todos os praticantes da capoeira ou mesmo simpatizantes de nossa cultura, a tomarem consciência e se unirem na luta em defesa de nossa cultura, de nosso povo atual e ancestral.
            Termino essa reflexão com a saudosa, porém enigmática citação de Mestre Pastinha quando afirmou que “a capoeira é tudo que a boca come”. Se é, não podemos permitir que capoeiras em geral comam as sementes do Racismo e do Fascismo, pois isso seria o fim da capoeira, pelo menos em sua pluralidade, resistência ao opressor, e em defesa da vida. A você Mestre, Professor, Graduado, iniciante ou simpatizante, a hora é agora!
             Comente aqui no Blog ou em sua rede social preferida, mas não se cale! Essa luta é de todos! Como dizia o Samba, "a minha liberdade custou sangue",
            Axé.
#CAPOEIRASEMDEFESADAVIDA #CAPOEIRASCONTRAORACISMO #CAPOEIRADIZNAOPRORACISMO


domingo, 10 de maio de 2020

FAMILIA - DIA DAS MÃES, UM DIA COMO TODOS OS OUTROS?


Há os ventos da alma...



Quem é este ser que permite o habitar de outro ser, o qual ao sair de suas entranhas, torna-se sua razão de ser?
Quem é este ser, que, como primeiro ato consumado, serve de alimento para o ser por si criado?
Mãe, palavra originada a partir de uma ação concreta, do fornecer o alimento para a criança...
Sua mama é a chave primeira para o ato mais nobre dos seres que, mais que viverem na natureza, a recriam e a transformam, ao seu interesse e semelhança.
Ser mãe é isso... O doar-se para a geração...
Dessa doação, nos seres humanos em geral, emana um sentimento que resume o que de melhor a humanidade já produziu: O Amor...
Celebrar a existência de todas as mães do mundo é um fenômeno cultural de profundo conjunto de sentimentos... Se o amor resume todos eles, é válido lembrar que neste meio se encontra o afeto, a saudade, a preocupação, a alegria, a dor... E quando as emoções não encontram mais palavras para se justificar, a ação que permanece é a do Choro, emoção sensivelmente não elaborada, que diz muito, mesmo quando não consegue dizer nada...
Fui criado numa cultura eurocêntrica, por isso, ou apesar disso, aprendi a valorizar a mãe para além de sua particularidade, ou seja, cada ser gerado deveria ter uma forma de mãe que contemplasse apenas o que de melhor as mães da história já registraram, mas em verdade, o mundo não funciona dessa forma...
E que bom que não funciona!
Seria tedioso se todas as mães fossem apenas Deusas e não seres humanos, contraditórios, únicos!
Aos Deuses da história, que destaquemos Reia, a mãe dos Deuses... Ou a Mãe Terra, como também a chamam... Pachamama, melhor dizendo...
Sim, existem referências históricas e muitas outras mitológicas...
Mas ninguém é igual a minha mãe!
Capitalistas podem vender a imagem da mãe branca, bonita, sempre sorridente, dona de casa, recatada e do lar... que merece uma mercadoria em forma de homenagem...
Outros ainda podem carregar a mágoa de momentos históricos impeditivos, os quais não permitiram que mulheres, pelas mais variadas razões, fossem mães, ou ainda, se o fossem, não tenham vivido o momento mãe com seus filhos e filhas...
Mas repito, ninguém é igual a minha mãe!
Por isso estou cansado de dar voltas sobre a necessidade de justificar um dia a mais, para celebrar a vida e todos os momentos que passamos juntos...
O dia das mães, apesar de todas as contradições, em especial sua perversa metabolização pelo capitalismo, não é um dia como todos os outros...
Se sinto a segurança em afirmar que minha mãe me ama, me amou e me amará durante todos os dias de sua vida, isso é mais do que suficiente para justificar que sim, ela merece ser amada todos os dias também!
Porém, ao somarmos nosso amor, em especial na minha família, considerando que minha mãe teve seis filhos, a celebração de um dia a mais, para resumir e recordar, o ato de ser mãe, mas não de qualquer mãe e sim da minha mãe, é sem dúvida, de extrema necessidade!


Mãezinha, estou distante, mas estou perto, estou triste, mas estou feliz, porque eu te amo e sempre te amarei.
Se a contradição desse menino, programado para nascer, que fugiu de perto de sua asa, para voar ainda mais longe do que o horizonte aponte, é sabido que seu ninho, onde você estiver, é e sempre será meu eterno refúgio! Por isso meu amor por você transborda e se multiplica... pelo menos por três!


E as palavras vêm a mente apenas para tentar elaborar a profundidade de emoções que não se explicam, mas que explodem em mim, principalmente no atual momento pandêmico que vivemos...
Por isso, não haverá álcool em gel, máscara ou isolamento que me impeça de te contagiar... Com meu amor, minha saudade, enfim, a manutenção de minha esperança na humanidade, tendo como referência maior o amor que você depositou em mim, desde o ato de minha criação até os cabelos brancos que já me atingem nesses trinta e poucos anos...
Te amo demais!!!

Mas fica em casa, tá?

Que os ventos de minha alma, pedindo ajuda para Mercedes Sosa... cheguem até você e a nossa linda, amada e única família!










 Com cambaleante carinho... 

Seguindo os ventos da liberdade...

Marcos com Orgulho CORDEIRO...