A
Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF) vem mais uma vez
se colocar no debate acerca da atual organização do mundo do trabalho que se
reflete nas atuais reformas de estado já implantadas e em andamento do governo
lula. É de fundamental importância o posicionamento de nossa entidade (EXNEEF)
nesse debate, uma vez que a mesma se constitui enquanto instrumento de luta dos
estudantes de Educação Física de todo o Brasil que participam do Movimento
Estudantil de Educação Física (MEEF). É a entidade representativa dos
estudantes da área, na qual alicerçada aos Diretórios/Centros Acadêmicos e
estudantes de luta, auxilia na construção das trincheiras de resistência à onda
neoliberal que vem cada vez mais instituindo a barbárie no seio da humanidade.
Nos
organizamos de forma a tentar cobrir o Brasil inteiro, onde nos dividimos em 6
regionais: R1-> SP; R2-> ES, MG e RJ; R3-> AL, BA,
CE, MA, PB, RN e SE; R4-> AM, AP, MA, PA, PI e RR; R5-> DF, GO, MS, MT, RO e TO e R6-> PR, SC e RS. A organização se da em diversos espaços de
representatividade e debate no qual procuramos sempre avançar nas nossas lutas
e organizar como um todo, a luta dos estudantes. A atual gestão da ExNEEF,
eleita a partir do XXVII Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física
(ENEEF), realizado na cidade de Goiania teve um papel fundamental na
organização das lutas dos estudantes, bem como na formação dos mesmos, com o
intuito de avançar na pauta das nossas bandeiras de luta: Contra a Reforma
Universitária do Governo Lula; Pela revogação imediata das Diretrizes
Curriculares; Contra o sistema CONFEF/CREFs e portanto contra a Regulementação
da Profissão de Educação Fisica, ou seja, pela Regulamentação do Trabalho; e,
como em princípio, se colocando sempre ao lado dos trabalhadores na luta
histórica da construção de uma sociedade justa e igualitária: uma sociedade
socialista.
Diversas foram as
batalhas colocadas aos estudantes nesse ultimo período em relação a essas
bandeiras. Acerca das Diretrizes Curriculares, a ExNEEF atuou pautando o debate
nas escolas em diversas semanas acadêmicas e semanas de calouros, bem como com
a construção do Seminário Nacional Interativo de Diretrizes Curriculares que
aconteceu em alguns estados brasileiros respeitando a organicidade de nossa
entidade nas respectivas regionais. Diversas escolas passaram pela reformulação
curricular no último período, o que suscitou o debate e a ExNEEF apresentou sua
proposta de diretrizes curriculares para o curso de Educação Física construida
através de debates conjuntamente com a Linha de Estudos e Pesquisas em Educação
Física, Esporte e Lazer (LEPEL). Proposta essa que se pauta contrária a divisão
do curso em licenciatura e bacharelado, que aponta para a Licenciatura
Ampliada, não atendendo dessa forma aos ditames do mercado, mas sim abarcando
as esferas articuladas entre ensino, pesquisa e extensão; indissociabilidade
teoria-prática; Para além da esfera
acadêmico-profissional, pautar pela formação politica, cultural e pessoal,
entendendo o ser humano na sua totalidade com o conhecimento interdisciplinar e
não fragmentado, contribuindo assim para a formação humana na busca da
superação das relações de exploração do homem pelo homem.
Nossa luta contra a regulamentação da profissão vem
tendo um embate bastante especifico também, porém nos limitando a uma atuação
nos espaços promovidos pelos Diretórios e Centros Acadêmicos e principalmente
na semana do dia 1 de setembro, na qual participamos enquanto entidade, ao lado
do Movimento Nacional Contra a Regulamentação da Profissão (MNCR), fazendo o
embate contra o conselho federal de
Educação Física (CONFEF) que juntamente com os conselhos regionais (CREFs) não garante os direitos trabalhistas e se
pauta na reserva de mercado de forma autoritária, atuando na formação acadêmica
a partir das correntes diretrizes, sem uma mínima discussão de concepção de
sociedade, apesar de nós enquanto MEEF termos clareza que a posição desse tipo
de organização (CONFEF/CREFs) é a de cada vez mais dividir a classe
trabalhadora podendo assim garantir lucros a seu benefício exclusivo e não ao
trabalhadores. A ExNEEF por entender a necessidade de lutar ao lado da classe
trabalhadora, defende a Regulamentação do Trabalho em defesa dos direitos
trabalhistas conquistados historicamente.
De todas as lutas tocadas nesse ultimo periodo, a mais
expressiva foi sem dúvida alguma a luta em defesa da Universidade Pública
contrariamente a reforma universitária do governo Lula. A inserção da ExNEEF
tanto na campanha pela retirada do pl 7200/06, quanto na Frente de Luta Contra
a Reforma Universitária no sentido de unificar a luta demonstra o
amadurecimento do MEEF. A partir do aprofundamento do debate, conseguimos ter o
entendimento da importância das duas trincheiras de luta, atuando enquanto
vanguarda nas duas. O avanço inibidor frente ao ensino público se da de
diversas formas: programa universidade para todos (prouni), ensino a distância,
lei de inovação tecnologica, parcerias público privadas, decreto das fundações,
sistema nacional de avaliação do ensino superior, medidas essas ja aprovadas, e
as propostas como a universidade nova, reuni, educação a distância e o pl
7200/06. Um grande passo nessa empreitada foram as ocupações das reitorias
(USP, UFRJ, UFMA, UFRGS, UFES, UFPA, UFAL e UFS) pelo país, onde a ExNEEF se fez presente,
conquistando diversas vitórias pontuais e especificas, levantando sua bandeira
histórica contra a reforma universitária do governo Lula.
Buscando a partir do
registro histórico, avançar no debate, a gestão 06/07 da ExNEEF apresenta o
Caderno de Debates número IX, com o tema Reformas do Estado e Mundo do
Trabalho, na qual a relevância de
tratarmos da questão dessas reformas inseridas no mundo do trabalho, se dá a
partir do momento em que o governo Lula aprofunda cada vez mais a sua política
neoliberal que vem desde o governo Collor e que agora ganha muito mais força,
espaço e até apoio de uma massa de trabalhadores não esclarecidos que ainda
apostam num governo construído em cima das lutas históricas dos trabalhadores
em geral, mas que as esqueceram a muito tempo. Política essa em que não
obstante as reformas propostas por este estado, retiram cada vez mais as
conquistas históricas da classe trabalhadora, em prol da burguesia, que
incansavelmente espolia o trabalhador, mascara a realidade degradada e lhe suga
a tão famosa mais valia até a sua ultima gota de suor. A ExNEEF, por fazer uma
opção de classe, se colocando ao lado da classe trabalhadora, na luta cotidiana
por uma sociedade justa e igualitária, sente a necessidade de pautarmos o
debate acerca desse tema.
“O
MEEF e a Luta de Classes” é um artigo construído a partir da realidade do
Movimento Estudantil de Educação Física, sendo este um movimento de condição
policlassista, mas que tem em princípio a opção pela classe trabalhadora. No
pomo deste trabalho serão encontradas as análises e o histórico das lutas que o
MEEF vem historicamente produzindo lado a lado com os estudantes em geral em
prol da superação do nosso atual modo de produção da vida, ou seja, a sociedade
capitalista. A história nos mostra que a luta de classes está no cerne de todas
as desigualdades produzidas ao longo da humanidade. O que os vários organismos
internacionais tanto da mídia como dos representantes de produção de
conhecimento científico vem nos mostrando é que não existem mais duas classes
antagônicas como dizia o jovem Marx, mas que todas estão mergulhadas numa
tamanha complexidade, que já não mais os seres humanos são classificados como
sendo desta ou daquela classe social. Esta análise é tão superficial quanto
equivocada e é com o intuito de desmascara-la que este artigo se consolida em
uma fonte esclarecedora que remete ao antagonismo da classe dos donos dos meios
de produção (burguesia) contra os que têm apenas a sua força de trabalho para
oferecer, ou seja, os despossuídos da sociedade, enfim, a classe trabalhadora
(proletariado).
Nesta
mesma linha segue o estudo da “História do Movimento Estudantil na Disputa por
um Projeto de Sociedade”. O artigo busca fazer um paralelo das lutas recentes e
antigas, na qual o MEEF e o Movimento estudantil em geral vem se pautando por
um projeto de universidade que se contraponha ao pensamento hegemônico que vem
se construindo. Pensamento este, que trata a educação e o conhecimento enquanto
mercadoria, pautando apenas o que já foi produzido e reconhecido
hegemonicamente pela sociedade, além de robotizá-lo com a imposição de várias
limitações para as áreas humanas e críticas da ciência. O trabalho realizado
neste estudo esclarece qual o projeto de sociedade é defendido pela
universidade que se explicita através de sua prática elitista que se pauta para
a manutenção da produção do capital. Ao mesmo tempo o artigo também aponta para
o projeto de sociedade que historicamente vem sendo construído pelo ME, que se
dirige por uma sociedade justa e igualitária, ou seja, uma sociedade
socialista. Fato é que vale a pena ler!
A
bandeira de luta mas levantada em nossa atual conjuntura pelo MEEF, Contra a
Reforma Universitária, de fundamental tática de defesa para os direitos dos
trabalhadores do ensino superior e principalmente pros estudantes, é tema no
artigo “A Reforma Universitária no seio das reformas do Estado”. O afronte
apresentado para os trabalhadores nesta reforma, não é diferente, porém
inerente as demais reformas que vem se consolidando pelo atual governo Lula.
Neste contexto o estudo nos traz as lutas traçadas pelos diversos movimentos do
ensino superior para barrar a reforma universitária com pretensão de assegurar
uma universidade pública, gratuita e efetivamente de qualidade para todos,
respaldada por um sistema socialista de produção.
Em
conjunto com o Movimento Nacional Contra a Regulamentação do Professor de
Educação Física (MNCR), o MEEF vem se aprofundando em temas que são essenciais
para uma formação e atuação críticas para a transformação da sociedade. Nesse
sentido e para melhor exemplificar o que foi escrito no artigo anterior é que o
texto “Mundo do Trabalho e Reformas do Estado” se apresenta. Primeiro por se
tratar da categoria fundadora para a compreensão da natureza humana, ou seja, o
trabalho e, segundo para que a partir desta compreensão, o leitor terá muito
mais ferramentas para uma análise de conjuntura a cerca de onde entram as
Reformas de Estado do Governo Lula. O artigo ainda traz de forma nuclear a alternativa
para superação da sociedade de classes e para o fim das desigualdades
promovidas por essa nova ordem mundial de reestruturação das forças produtivas
chamada neoliberalismo.
Utilizamos
da leitura dos artigos anteriores para fundamentar o caso específico de nossa
profissão, tratada no documento “Reestruturação Produtiva e Formação do Trabalhador
de Educação Física”. Nossa área do conhecimento científico assim como tantas
outras, está a cada dia que passa, mais longe da emancipação dos seres humanos,
pois vem se pautando por conceitos somente estéticos, pós-modernos e
neoliberais. O caso mais atual são as competências e habilidades, tão faladas
nos estudos e em sala de aula, mas que não compreendem a realidade concreta e
ainda a abstraem. Este artigo apontará qual a proposta de educação física que
contempla os anseios da classe trabalhadora e se baseia na realidade concreta
para a superação da sociedade de classes, entendendo a formação do professor de
educação física como componente dessa construção.
E,
para finalizar a produção deste caderno de debates, apresentamos o trabalho “A
Luta de Classes na Atual Conjuntura: Reforma ou Revolução?”. Não há como
admitirmos somente com a análise crítica, que a sociedade, do jeito que está
não dá mais. Ou efetivamente nos engajamos na construção da sociedade
socialista, esclarecidos que isto só se dará a partir de um processo
revolucionário, ou nossa crítica não servirá para nada lembrando Marx que, em
sua análise, constatou que é a revolução a força motriz da história. Chamando todos
à luta, o artigo objetará o que está na ordem do dia para a humanidade, ou
seja, ‘reforma ou revolução’? O trabalho considerará a realidade brasileira
pautada pelos movimentos sociais como um todo e pelas lutas dos trabalhadores
apontando a revolução como única alternativa viável para a superação da luta de
classes.
Desejamos
uma ótima leitura a todos e sem sombra de dúvida, a luta é pra vencer!!
Obrigado.

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