domingo, 26 de abril de 2020

MEEF - Fala na Formatura da Turma 2009/2 da UFSC

O Texto abaixo foi elaborado coletivamente, para auxiliar o orador da Turma 2009/2 no dia de nossa formatura. Um agradecimento especial aos companheiros militantes do MNCR da época, Bruno (orador), Vilmar, Ciça, Mineiro e Vanessa...



Texto lido pelo Orador:
Boa tarde pais, mães, maridos, esposas, namorados, namoradas, avós, vizinhos e amigos destes que aqui estão na condição de formandos! Trinta e seis saem daqui hoje, provavelmente para festejar o tão sonhado diploma e a festa de formatura. Isto é muito válido, uma vez que na condição em que nos encontramos hoje, entrar para uma universidade pública deveria ser um direito de todos mas é privilégio de poucos. Mas aqui é o local para dizermos que assumimos o compromisso com nossa àrea do conhecimento, seja na academia ou na escola, no circo ou na rua, ou nas mais diferentes
possibilidades de intervenção que nossa área possa abranger. Mas é muito importante destacar neste momento, que se hoje comemoramos, é bem provável que amanhã estaremos em mais uma fila de desempregados, nos matando pra conquistar algum emprego. Enquanto isto os “cartolas” de nossa área se afortunam cada vez mais as nossas costas. Quando digo cartolas, refiro-me aqueles que regulamentaram nossa profissão também conhecidos como sistema confef/crefs, (se tiver o representante na mesa, acho que vale apontar para o mesmo e denunciá-lo).
São estes que há quase doze anos vem nos explorando e fazendo-nos engolir uma lei ilegítima que ao invés de valorizar a nossa formação, acaba por nos separar cada vez mais ao ponto de ilegalmente cobrar a inscrição no CREF para participação de concursos em escolas públicas de nosso país. Se nem todos os formandos aqui presentes foram atuantes na defesa de seus direitos enquanto estudantes, todos tiveram mesmo que de longe um acesso ao MEEF e ao MNCR. Movimentos de luta em defesa da educação física enquanto prática pedagógica e área do conhecimento voltada para a formação humana e contra a regulamentação de nossa profissão.
O MEEF se organiza há mais de vinte anos sempre defendendo uma formação em educação física voltada para os reais interesses de nós seres humanos diferente deste currículo deturpado, fragmentado, estancado e desqualificado no qual hoje estamos nos formando.
O MNCR nasceu a 11 anos, da e para a luta contra este conselho e, consequentemente, contra os ataques do mesmo a nós, que agora ingressaremos como professores no mundo do trabalho. Mas, se engana quem pensa que apenas depois da formatura sofremos as conseqüências do sistema CONFEF/CREFs. 
Atualmente, os estudantes estão sofrendo um grande ataque por parte do mesmo, na medida em que o
CONFEF foi o órgão que mais articulou a aprovação das atuais Diretrizes Curriculares da Educação Física, que fragmentou a nossa formação, e busca restringir com isso a nossa área de atuação, desarticulando os estudantes e professores da área, na medida em que joga trabalhador contra trabalhador e, estudante contra estudante, na disputa por um lugar que supostamente seria reservado apenas para uma das habilitações. 
Diante disto, o motivo de abordarmos o MNCR e o MEEF nesta formatura é agradecer a estes movimentos pela luta que vem travando, pela revogação das atuais diretrizes curriculares, apontando para uma formação unificada. Abordar o MNCR aqui é, também, reconhecer que ele representa, através de suas ações, um instrumento concreto de luta para nós, professores de Educação Física, juntamente com toda a classe trabalhadora, lutarmos pela regulamentação do trabalho para todos, pois ser professor é reconhecer que todos os homens devem ter, concretamente, a possibilidade de serem humanos e que, portanto, devemos avançar na organização de uma sociedade justa e igualitária de fato, para todos.
Saímos desta universidade, alguns formados/formandos para a vida, outros formatados para o mercado, mas demonstrando que a ânsia por esta fala de teor polêmico e que talvez muitos da platéia possam não estar entendendo direito vem no sentido de denunciar a precarização de como nos formamos e mais ainda de como sobreviveremos daqui pra frente na condição de professores.
A falta de democracia no nosso próprio centro de desportos, as filas intermináveis no Restaurante Universitário, as disputas de consciência por parte de muitos professores com interesses próprios e visando apenas o lucro, nunca a formação, as dificuldades de nos adequarmos ao novo currículo de nosso curso que só piorou nossa formação, são apenas alguns pontos que não podem ser deixados para trás.
Que estes maus exemplos na administração pública e no ensino público nos sirvam de lição para buscarmos apoio em movimentos como o MEEF, MNCR, Sindicatos e outros no sentido de fazermos jus ao conhecimento precário que adquirimos mas que é de extrema importância se queremos e nos comprometemos a transformar nosso mundo em um lugar melhor a partir de nossa atuação como professores, seja na escola, na academia, na praia ou no banco de reservas – do campo de futebol, ou da fila do desemprego.

Na primeira noite eles se aproximam
E colhem a DANÇA de nosso jardim
E Não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem
Pisam a CAPOEIRA, matam nossa LIBERDADE
E não dizemos nada.
Depois percebem que ainda temos o YOGA e que podemos refletir,
Então muito rápido eles vem nos roubar
Mas não dizemos nada.
Posteriormente não precisam mais lutar
Criam leis que nos impedem até de JOGAR
Mesmo assim não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa
Rouba-nos a ESCOLA e, conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dizemos nada, já não podemos dizer nada.
Até quando ficaremos calados??

Esta turma de formandos não se calou!! E para finalizar...

Que para todos haja sempre pão para iluminar a mesa
Educação para aliviar a ignorância
Saúde para espantar a morte
Terra para colher o fruto
Teto para abrigar a esperança
E trabalho, para fazer dignas as mãos (EZLN, 1996).

Até a vitória!!!

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