segunda-feira, 27 de abril de 2020

SINDICAL - Tese da Resistência Sindical para o Congreso do Sintrasem

Em setembro do ano passado ocorreu nosso congresso sindical. Há muitas mãos produzimos o texto abaixo, o qual tenho a honra de compartilhar por aqui, pois foi o primeiro passo oficial na inserção da Resistência na base de nosso sindicato... Clique aqui para ver o caderno de teses do sintrasem e aqui para o caderno de resoluções aprovado.



A Classe Trabalhadora Resiste!
Contribuição da Resistência Sindical para o Serviço Público Municipal de Florianópolis


1 - Situação Político-Econômica Atual e as Perspectivas de Resistência da Classe Trabalhadora
A crise econômica que chegou ao país na primeira metade desta década colocou em cheque o projeto de conciliação de classes dos governos petistas. A burguesia[1] não aceitaria mais um governo que se preocupava com programas assistenciais, inclusão dos pobres através do consumo, era o momento de implementar um governo de direita “puro sangue”, sem mediações. Nada é tão ruim que não possa piorar. O governo Temer, mesmo sendo marcado pela baixa popularidade, aplicou a cartilha neoliberal no país, garantiu a aprovação de ataques importantes como a Lei das Terceirizações e a Reforma Trabalhista. No entanto a resistência aos ataques impediu que a Reforma da Previdência fosse aprovada. Graças à frente única integrada pela CUT, CSP-Conlutas, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, entre outras centrais sindicais, sindicatos e movimentos foi garantida uma forte greve geral em 28 de abril de 2017 e os ataques naquele ano não foram mais devastadores.
O governo Temer, mesmo com recorde de desaprovação, se manteve até o final por ter ganhado hegemonia na classe dominante e em seus representantes no congresso, provando que o processo de Impeachment da Dilma não teve nada a ver com sua baixa popularidade. A ofensiva política do judiciário, principalmente através da criminosa Operação Lava Jato, repleta de vazamentos de comunicações comprometedoras inclusive dos seus investigadores, garantiu o enfraquecimento do PT, partido com maior capacidade de mobilização na classe trabalhadora. A prisão ilegal de Lula e a divulgação da delação premiada de Palocci fizeram com que o descrédito do PT diminuísse em alguns setores da sociedade. Mesmo com a grande resistência do movimento “Ele não!”, dirigido por movimentos feministas, e a unificação da esquerda e dos setores democráticos em torno da candidatura de Fernando Haddad, não foi possível reverter o resultado eleitoral.
Jair Bolsonaro foi eleito graças ao apoio dos setores mais reacionários da política brasileira como os militares, grupos de extrema direita, defensores da ditadura militar, grupos ultraliberais e conservadores religiosos. Bolsonaro foi eleito e nenhuma das promessas do “mercado” foi cumprida. O desemprego ultrapassa os 13 milhões, a perspectiva de crescimento do PIB neste ano já é inferior a 1% e os números não melhoraram após a aprovação da Reforma da Previdência, conforme era prometido pela grande mídia e pelos governantes.
Infelizmente a resistência contra a reforma não foi suficiente. O grande acúmulo de derrotas somados a baixa disposição de luta de algumas direções políticas (como por exemplo a postura dos governadores petistas que preferiram negociar pontos da reforma ao invés de mobilizar contra sua aprovação) fez com que a reforma fosse aprovada Câmara dos Deputados e agora encaminhada ao Senado. No entanto a luta nessa conjuntura atual continua, os poderosos tentam nos dividir retirando estados e municípios desses ataques, mas já estudam em nos atacar com a PEC paralela que incluirá os estados e municípios.
2 – A Resistência das Servidoras e Servidores Municipários frente aos Ataques do Prefeito Gean Lorota!


Ainda nas primeiras semanas do recém empossado novo governo, Gean Loureiro apresentou um “pacotão” de 40 medidas de desmantelamento do serviço público municipal. A classe trabalhadora de Florianópolis foi a luta e numa greve de 38 dias resistimos a praticamente todos os ataques, mantendo conquistas e levantando a bandeira do “NENHUM DIREITO A MENOS”. Desde então o governo seguiu sua cartilha fisiológica de valorizar cargos comissionados que não conhecem a realidade do serviço público municipal em detrimento das/os servidoras/os de carreira. Processos Administrativos atacando quem atende na ponta é apenas um desses vários exemplos.
Falta de Materiais e insumos na Saúde, Educação e Assistência tornou-se rotina neste governo, buscando desculpas na burocracia das licitações para justificar sua incompetência, enquanto age de má fé assinando acordos coletivos e não cumprindo, como o pagamento do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos do Quadro Civil (PCCV do Civil) e os reajustes inflacionários dos primeiros anos de governo, além de manter a ficha funcional dos servidores/as com o ilegal código 04 referente à paralisação de 28/04/17 e assembléia de 05/07/17. Ao mesmo tempo em que o serviço público é precarizado para os/as usuários/as, a prefeitura divulga na grande mídia que as contas do município estão positivas devido à redução de gastos desnecessários. Em resistência reafirmamos: Lá na UPA, no Centro de Saúde, na Escola e no NEIM está faltando TUDO!
No último período ainda nos deparamos com Cargos Comissionados sendo presos na operação “Alcatraz” da Polícia Federal e o próprio prefeito na operação “Chabu”, sem contar o secretário de educação que já é réu, fruto da operação “Ouvidos Moucos”.
Gean é inimigo do Serviço Público, o famoso lobo em pele de cordeiro, mas a conjuntura para o próximo pleito municipal ainda nos aponta que é possível piorar, por isso nenhuma ilusão em candidaturas que representem os interesses do grande empresariado! Dinheiro Público é para o Serviço Público!
3 – Sindicato Forte, Democrático com Unidade na Luta!
O período mais recente tem sido marcado na esfera sindical com a unidade na luta da maior parte das centrais sindicais em pautas como a Reforma da Previdência. Tal como colocado acima, o momento é de construir e ampliar a unidade em defesa dos direitos da classe trabalhadora e nosso sindicato é peça fundamental neste processo!
Apesar de vários acordos espúrios da Central Única dos Trabalhadores durante os governos petistas, é fato que o último período tem sido de fortalecer todos os instrumentos de luta da classe trabalhadora, buscando a unidade na luta para barrar todos os ataques da burguesia, superando assim as divergências táticas e estratégicas no campo da esquerda. Nesse ínterim é preciso um Sindicato forte que mantenha sua história enquanto referência a nível municipal e estadual, mas que avance nas diversas lutas da classe trabalhadora, atuando não apenas em pautas econômicas, mas construindo estratégias que qualifiquem a luta por melhores condições de trabalho, bem como esteja inserido nas mais variadas lutas da classe trabalhadora contra todas as opressões, tais como no campo da defesa dos direitos LGBT’s, contra homofobia, contra o racismo e em defesa dos direitos da mulher.

4 - “Se as Mulheres Pararem o Mundo Para!”: A Nova Primavera Feminista.

Temos ocupado a vanguarda das lutas no mundo inteiro, pois as mulheres trabalhadoras estão entre os setores mais afetados, diante dos duros ataques e retiradas de direitos que temos vivido. Somos nós que demandamos mais pelos serviços públicos, que chefiamos famílias e sabemos o preço do feijão no mercado. 

Uma onda de lutas, com o protagonismo de mulheres, foi percebida em todo o mundo. Contra as ditaduras na Tunísia, Líbia, Egito; O movimento Black Lives Matter contra a violência policial e as desigualdades raciais nos Eua; As massivas manifestações contra o feminicídio do “Ni una a menos” na Argentina; Os protestos contra Trump nos EUA, demonstram nossa força.  Percebemos que não estamos sós. O movimento feminista e de mulheres trabalhadoras esteve à frente da luta contra o golpe parlamentar e pelas liberdades democráticas, denunciando a retirada de direitos. Lembrando que nosso 8M abriu as portas para a greve geral, derrotando a reforma da previdência de Temer em 2017.
4.1 - As Mulheres Apontam O Caminho.
A resposta veio por meio das grandes manifestações pelo Brasil. Os atos do #EleNão - maior ato feminista da História do país - foram um marco da resistência ao avanço da extrema direita e seu projeto de aumento das violências e do discurso de ódio contra todos os oprimidos, e de novos patamares de exploração do nosso trabalho.
Os ataques às mulheres, LGBTQs e negras são diários, vindos seja do presidente, seja da sua equipe. Não há constrangimentos quando defendem salários menores para mulheres porque engravidam, o aumento da idade mínima para a aposentadoria, a proibição do debate de gênero nas escolas, o ensino doméstico, as emendas constitucionais para anular a legislação – hoje ainda restritiva – que dá o direito às mulheres sobre seu próprio corpo, a alegação que não existe racismo no Brasil, ao mesmo tempo em que o exército usa helicópteros e franco atiradores nas favelas, e metralha carros de passeio nas periferias, aumentando o projeto genocida em curso no país.
Não vemos sentido numa separação ou hierarquização entre as lutas das mulheres, negras e das LGBT’s de um lado e as demais lutas sindicais, de outro. A experiência da opressão se traduz de maneiras diversas, assim como a atuação do Estado atinge de maneiras diferentes homens e mulheres, negras e brancas. Nossa categoria é em sua esmagadora maioria composta por mulheres. É preciso um sindicato que fortaleça as lideranças feministas, que atue de forma eficaz em nossas pautas, como a passagem do quadro das auxiliares de sala para o magistério, o avanço na implementação do PCCV, considerando e dialogando com cada setor da base, bem como as demandas de condições das Margaridas da COMCAP. Somente fortalecendo a luta feminista em nosso sindicato é que avançaremos nas pautas de toda categoria!
5 – Plano de Lutas para Fortalecer a Resistência de nossa Categoria!

I.COMCAP:

1- Nenhum direito a menos! Pelo cumprimento do acordo coletivo 2018/2019! 2- Contra o sucateamento da Frota e demais ferramentas de trabalho e EPI’s! 3- Mais Vagas para o Concurso Público! 4- Equipes Completas de acordo com o quantitativo de trabalho! 5- Eleição para Gerentes/Coordenadores e/ou encarregados, sem conchavo com o Patrão! 6- Gerência de todo o resíduo sólido pela COMCAP, inclusive a destinação final! 7- COMCAP 100% Pública! Concursados novos com os mesmos direitos históricos de toda a categoria!
II.MAGISTÉRIO
1- Contra os cortes na Educação! 2- Hora Atividade de 50% para todos os Profissionais da Educação! 3- Luta pela passagem das Auxiliares de Sala para quadro do Magistério - Pela criação do cargo de Professora Auxiliar de Sala, com os mesmos direitos dos/as demais professores/as! 4- Luta pela Aposentadoria Especial para todos os cargos do Magistério, incluindo Profissionais Auxiliares e Especialistas em Assuntos Educacionais. 5- Pela manutenção do direito de Cátedra! Contra qualquer tipo de assédio e desvalorização dos educadores e educadoras! 6- Em defesa da Escola pública, gratuita e de qualidade para todos/as os/as trabalhadores/as, da Educação Infantil ao Ensino Superior! 7- Por uma organização do trabalho pedagógico democrática! Pela manutenção e qualificação do processo eleitoral para Direção de Unidade Educativa! 8- Contra a Superlotação nas Salas de Aula da Educação Infantil e Educação Fundamental! Que Mandados Judiciais sejam cumpridos nas unidades educativas sem exceder o limite de crianças por sala, conforme resolução 01/2009-CME. 9- Contra a contratação de Estagiários para atuar na Educação Infantil! Estágio é para qualificar a formação, não para sucatear o atendimento, legitimando a superlotação nas salas de aula! 10- Contra a presença Militar em todas as instâncias da Educação! 11- Pela valorização da Carreira do Magistério! Pagamento do Piso do Magistério em todas as tabelas salariais, níveis e classes de aperfeiçoamento! 12- Em defesa de uma Educação de Jovens e Adultos (EJA) com as mesmas condições de trabalho que o ensino regular, com Equipe Pedagógica, profissionais auxiliares e lotação mínima de efetivos para todos os Polos e Núcleos.
III.QUADRO CIVIL

1- Luta concreta pela implementação total do PCCV! Chega de Parcelamentos! 2- Contra o Laudo que desconsidera as atividades realizadas dentro das Unidades de atendimento ao Público da Secretaria de Saúde como sendo insalubres! 3- Em defesa do direito de escolha democrática para todos os cargos de chefia na Saúde, Assistência Social e demais setores da PMF. 4- Pela garantia de Equipes de Referência Completas durante todos os períodos nos locais de trabalho da Assistência Social! 5- Pelo cumprimento da Portaria 3124/2012 e 256/2013 em relação aos parâmetros “máximo e mínimo” das equipes NASF! 6- Pela Garantia da gratificação do PSF incorporada na carreira e pelo pagamento da gratificação de extensão de jornada para os trabalhadores da Saúde que atuam com jornada de 40 horas semanais. 7- Contra o programa “LISTA DE PACIENTES” e do “SISTEMA DE ACREDITAÇÃO EM SAÚDE! Contra a meritocracia em todos os setores da Saúde! 8- Pelo direito de lotação e remoção nos mesmos moldes do quadro do magistério para todos os setores da PMF! 9- Pela reconstrução e recuperação de todos os setores hoje terceirizados pela PMF tais como a Secretaria de Obras, Habitação entre outras; 10- Contra o voluntariado sanguinário na Assistência Social! 11- Em defesa do SUS e SUAS 100% Público!
I.GERAL
1- Por um sindicato classista e combativo em todas as lutas da classe trabalhadora! 2- Em defesa do direito democrático de organização Sindical! Contra qualquer ataque aos instrumentos de luta da classe trabalhadora! 3- Em defesa do Serviço Público! 4- Por uma participação crítica em conselhos e/ou comissões locais e municipais que constroem as lutas da cidade, tais como CME, CMS, CMAS, CMDCA, entre outros, em defesa das conquistas dos/as trabalhadores/as e da qualidade do Serviço Público. 5- Concurso Público para todas as vagas e todos os setores, sem ingerência da PMF/COMCAP! 6- Estabilidade no Emprego! Contra demissões de Concursados efetivos! 7- Pela criação imediata do Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador! 8- Reajuste Salarial anual com base no maior índice inflacionário. 9- Pagamento de Gratificação de Dedicação Exclusiva para todos os Cargos da PMF! 10- Pela revogação das leis aprovadas do Governo Gean que retiram direitos! 11- Contra a Meritocracia em todo o Serviço Público Municipal!  12- Construção e Participação nas lutas da Classe Trabalhadora pela revogação de todas as leis que retiram direitos. 13- Contra a Criminalização do Movimento Sindical e demais Movimentos Sociais e Populares! 14- Lula Livre! Preta Ferreira Livre! Em defesa das Liberdades Democráticas! 15- Contra as O.S e todos os tipos de terceirizações! Dinheiro Público é para o Serviço Público! 16- 10% do PIB Nacional para Educação Pública! 17- Contra a Reforma da Previdência! Por uma Previdência Pública e Solidária! 18- Nenhum Direito a menos! 19- Por uma Sociedade Justa e Igualitária!

ASSINAM A TESE:

Andreia Santos Da Costa Ferrao – EBM Donícia Maria da Costa;
Angelita Tefen Wingers – EBM Donícia Maria da Costa;
Aristides Hilario Goes Filho – COMOSG;
Barbara Funke Haas – EBM’s Donicia Maria da Costa e Vitor Miguel de Souza;
Benedito Ferreira Filho – EBM João Alfredo Rohr;
Bruna Mansani Da Silva – EBM Donícia Maria da Costa;
Carlos Francisco Chaves – EBM Adotiva Liberato Valentin;
Christine Bareño Etges Prates - EBM Acácio Garibaldi São Thiago
Cícero Farias – Professor de Ciências Aposentado;
Claudia Schiara de Medeiros Santos – EBM José Jacinto Cardoso;
Claudir Didomenico – EBM Albertina Madalena Dias;
Cleo Carvalho Da Silva – EBM Osvaldo Machado;
Daniela Cristina Silva – NEIM Irmão Celso;
Dayane dos Santos Cordova – NEIM Maria Elena da Silva;
Diego Alessandro Kair – NEIM Irmã Sheila;
Diego Pacheco – EJA Núcleo Continente II;
Eliane Cristina Zeni – EJA Núcleo Centro III;
Elisabete Farina Pereira – EBM Paulo Fontes;
Gisely Pereira Botega – PAEFI/SMAS;
José Maria Rosa Trindade (Zeca) – EJA Núcleo Norte I
Luciana Franca Alborghetti e Silva – EBM Donícia Maria da Costa;
Marcel Noznica Penesso – NEIM Maria Nair da Silva
Marcelo Fabiano Floriani – EBM’s Donícia M. da Costa e Antônio Paschoal Apóstolo;
Marcos Cordeiro Bueno (Canguru) – EBM Donícia Maria da Costa;
Marlus Henrique Tanner – EBM Donícia Maria da Costa;
Nailze Pereira De Azevedo Pazin – EBM Beatriz de Souza Brito;
Paulo Rafael Vladimir de Mello – NEIM Almirante Lucas;
Paulo Roberto Pellegrini – NEIM Stella Maris Corrêa Carneiro;
Pedro Cabral – Professor de Artes Aposentado;
Roberto Rivelino Felisbino – COMCAP;
Roni Monteiro Kampf – EBM Henrique Veras;
Rosemar Ucha Peres – EJA Núcleo Centro III;
Solange Rocha – EBM Dilma Lúcia dos Santos;
Tiago Coelho Aziz Lima – EBM Donícia Maria da Costa;
Vinicyus da Silva de Melo – EBM Adotiva Liberato Valentin;
Virgínia Maria Muniz – EBM Donícia Maria da Costa



[1] “Por burguesia, entendemos a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social e empregadores do trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos operários assalariados modernos que, não possuindo meios próprios de produção, reduzem-se a vender a força de trabalho para poderem viver” (MARX e ENGELS, O Manifesto do partido Comunista, 2006, p. 23). Atualizando este entendimento, basta identificar que 26 (vinte e seis) pessoas apenas concentram a riqueza da metade mais pobre da população mundial (3,8 Bilhões de pessoas), de acordo com o Relatório OXFAM 2019, publicado às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano.

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