segunda-feira, 27 de abril de 2020

OPINIÃO - UMA POSSÍVEL CONSIDERAÇÃO PARA O VERBO RESISTIR

O primeiro turno das eleições de 2018 consolidaram a tendência que estava se tornando majoritária em nosso país. Na perspectiva de refletir o momento, o texto abaixo foi escrito, na data de 03 de Outubro...



UMA POSSÍVEL CONSIDERAÇÃO PARA O VERBO RESISTIR
Quando é que nós Brasileiros, seremos protagonistas de nossa própria história, produzindo novos ideais que se materializem para além do que a humanidade já pensou, sem a negação simplista de singulares teorias, como as presentes nos verbos amar, cuidar, preservar, lutar, evoluir, revoluir, humanizar, respeitar, enfim, comunar . Mas, ao mesmo tempo, termos a capacidade de superar o ódio e toda e qualquer forma de opressão.
O verbo que se apresenta com maior necessidade para cada trabalhador e trabalhadora do Brasil neste momento é Resistir... Sobre esse verbo, eu, Marcos Cordeiro Bueno (Canguru), senti a necessidade de me expor, ciente das possíveis consequências. Sou um servidor público, educador, pai de três filhos e amante de uma companheira que carrega a insígnia das contradições de ser mãe, mulher trabalhadora e educadora na atual conjuntura, em especial no sentido da resistência de almejarmos juntos uma sociedade justa e vivermos as contradições da "família tradicional". Me sinto no dever de dialogar com cada ser humano que de um jeito ou de outro tem ou já teve alguma vivência comigo, ou mesmo se identifica com as mesmas preocupações que eu, resistindo e lutando... Sobrevivendo.
O momento é de resistir e me atrevo a tentar explicar, desculpem minha pretensa ousadia. Talvez você não tenha sentido a opressão da ditadura militar, ou por ter nascido após a mesma ou porque sua família mais próxima não tinha nenhum envolvimento político no respectivo período e detinha um poder aquisitivo situado a partir das classes médias em ascensão. Se você é um trabalhador ou trabalhadora que mora na periferia que sofre no dia a dia pela simples conquista do Pão, talvez você identifique que ainda há ditadura, seja pela polícia ou pelo chefe do "corre", mas, refletindo um pouco, provavelmente você reconhecerá o que melhorou na vida dos trabalhadores desde a redemocratização do país. Em especial a partir da primeira década deste século, com o avanço de direitos tais como o poder de compra do salário mínimo, aumento do acesso à escola e a universidade e ainda algumas medidas compensatórias no campo da valorização de nossa cultura. Todas essas conquistas não foram benesses de governos ou pessoas a frente desses governos, mas sim fruto da luta e da resistência da classe trabalhadora.
Foi e é através dessa luta que pudemos descobrir as contradições mais podres do modus operandi da sociedade que vivemos, em especial no campo econômico-político, do qual a mancha da corrupção e o mal uso dos impostos dos trabalhadores vem assombrando nosso país. Sim esse problema é grave, mas é sistêmico, ou seja, é inerente enquanto a formação social dominante for a do capital. Desculpa, sei que é chato resumir o problema pela denúncia dos males do capitalismo e blá, blá blá, mas é esse blá blá blá que precisamos considerar. Ou melhor, tomar conhecimento para mantermos nossa resistência. Se você resume o problema do Brasil pela corrupção então talvez o que eu continuar escrevendo não fará muito sentido, não ficarei chateado se me criticar apenas pelo que escrevi até aqui. Mas se você continua a compartilhar de minha pergunta inicial e da mesma preocupação peço que reflita o seguinte: Vale a pena trocar nossa liberdade de pensamento e expressão por apenas um pensamento e uma expressão? Vale a pena trocar uma infinidade de possibilidades da criatividade humana para apenas uma que se fundamenta no ódio aos que pensam diferente? Você de fato já se perguntou por que há tanta riqueza em nosso país e tão pouca gente rica? Você sabe de cabeça, sem olhar no Google, o nome de algum Ricaço além do dono Havan, da Ricardo Eletro e do Amoedo? Provavelmente não. Mas acredite, existem mais pessoas, que inclusive fazem destes aí meros limpadores de pinico de um império muito maior, que tem incentivado o discurso do ódio no mundo inteiro, não apenas no Brasil.
O candidato do ódio que hora se apresenta não é o resultado da reação contra a corrupção, mas sim a resposta desses ricaços para continuarem a lucrar, em especial sem ter que esconderem a podridão de seus valores. A síntese desses valores dos que nos dominam desde sempre, ainda que sempre com muita resistência de nossa classe enquanto "dominados", chama-se fascismo.
Aviso que a leitura agora ganha alguns elementos mais chatos, porém necessários. Se o período democrático até então nos permitia um diálogo tranquilo, por vezes debochado, mas sem muita preocupação, após 2013 isso mudou e o empoderamento do achismo, da ignorância, do ódio e da volta da ditadura vem ganhando contornos extremamente perigosos. Mas também é fato que o exercício da memória tem sido forte instrumento de resistência, ao passo que nenhuma luta está perdida.
Mesmo após as eleições, é certo que o aumento dessa ideologia que não é de gênero, mas tenta generalizar a supremacia da classe dominante, inclusive com um general entre seus comandantes continuará viva. Trocadilhos a parte, fato é que o futuro nos impõe desafios que caso nossa resistência não esteja organizada e forte, sofreremos consequências de profundos retrocessos.
Pense comigo: Nas duas últimas décadas questionamos toda essa política suja que tem sido nos imposta. Agora com a vitória do fascismo a sujeira continuará em larga escala, mas não mais poderemos questionar. Não, eu não estou pegando pesado, basta ver as defesas dos coisos que tratam a ossada dos mortos pela ditadura de forma ridicularizada, afirmando que "quem procura osso é cachorro". Também questionamos o fato de o acesso à universidade privada ter aumentado o lucro das próprias universidades, bem como, a expansão das universidades federais se dar apenas aumentando o número de alunos sem garantia de qualidade e estrutura.
Com a vitória do fascismo a universidade não será mais um lugar democratizado para a população pobre. Cotas sociais ou raciais então, será motivo de piada, tal qual as opressões típicas da época do senhor de engenho.
A escola, enquanto território plural, de disputa e confronto de ideias, fábrica instável de produção de singularidade humana será apenas uma fábrica, tal qual a de "tempos modernos" passados, amordaçada. A família não refletirá mais sua organização tal qual o Shrek, a Fiona, o burro e o Gato, os vingadores, o sense 8 e tantos outros exemplos da vida real, mas será restrita a bela e a fera, de modo que nada fora disso será aceito. Se pela via da desmoralização no pior estilo MBL fake News, não surtir efeito a opressão à famílias de crianças criadas apenas por mães e avós, ou ainda por casais homossexuais, certamente skinheads de plantão entrarão em cena, tanto encapados em uma farda, ou abertamente em nome de Jesus, Reich Messias ou Mourão.
O serviço público será resumido a segurança nacional e todo o resto sobreviverá enquanto migalhas para a população que não puder pagar, mas até estas migalhas terão proprietários tubarões conhecidos pela alcunha formal de OSs (Organizações Sociais). Sim o futuro é incerto.
Apesar de tantas propostas de caminhos, existe a certeza naquilo que não queremos. A nível de Brasil poderíamos afirmar que uma # simboliza como nunca o que não queremos enquanto nação: #EleNão. Exercitemos nossa criatividade pelas bandeiras de campanha para afirmarmos "abre o olho", sem saber ao certo se "o Brasil é Geraldo", ou "nem A, nem B é C", não querendo "chamar o Meireles", mas reafirmando que é o "povo sem medo" que poderá virar esse jogo contra o fascismo, enxergando quais são os "fortes sinais" que podem de fato colocar uma "rebelião" a favor do estabelecimento de relações humanas de igualdade, não colocando "o Brasil acima de tudo", mas uma "vida digna" , buscando acabar com toda "esculhambação" que nos atinge mas categoricamente afirmando e concluindo: #EleNão. 
A Resistência portanto, é a base para recuperação e manutenção para o traçar de um novo caminho, no qual não serão às sementes do ódio que brotarão, mas sim a de frutos de uma sociedade mais humana, na qual a história só se repita naquilo que nos permita andar pra frente, para além do capital. Podemos ser os protagonistas, sete de outubro pode ser decisivo, depende de como você levará em consideração o verbo resistir.

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