UMA POSSÍVEL CONSIDERAÇÃO PARA O
VERBO RESISTIR
Quando é que nós Brasileiros,
seremos protagonistas de nossa própria história, produzindo novos ideais que se
materializem para além do que a humanidade já pensou, sem a negação simplista
de singulares teorias, como as presentes nos verbos amar, cuidar, preservar,
lutar, evoluir, revoluir, humanizar, respeitar, enfim, comunar . Mas, ao mesmo
tempo, termos a capacidade de superar o ódio e toda e qualquer forma de
opressão.
O verbo que se apresenta com
maior necessidade para cada trabalhador e trabalhadora do Brasil neste momento
é Resistir... Sobre esse verbo, eu, Marcos Cordeiro Bueno (Canguru), senti a
necessidade de me expor, ciente das possíveis consequências. Sou um servidor
público, educador, pai de três filhos e amante de uma companheira que carrega a
insígnia das contradições de ser mãe, mulher trabalhadora e educadora na atual
conjuntura, em especial no sentido da resistência de almejarmos juntos uma
sociedade justa e vivermos as contradições da "família tradicional".
Me sinto no dever de dialogar com cada ser humano que de um jeito ou de outro
tem ou já teve alguma vivência comigo, ou mesmo se identifica com as mesmas
preocupações que eu, resistindo e lutando... Sobrevivendo.
O momento é de resistir e me
atrevo a tentar explicar, desculpem minha pretensa ousadia. Talvez você não
tenha sentido a opressão da ditadura militar, ou por ter nascido após a mesma
ou porque sua família mais próxima não tinha nenhum envolvimento político no
respectivo período e detinha um poder aquisitivo situado a partir das classes
médias em ascensão. Se você é um trabalhador ou trabalhadora que mora na
periferia que sofre no dia a dia pela simples conquista do Pão, talvez você
identifique que ainda há ditadura, seja pela polícia ou pelo chefe do
"corre", mas, refletindo um pouco, provavelmente você reconhecerá o
que melhorou na vida dos trabalhadores desde a redemocratização do país. Em
especial a partir da primeira década deste século, com o avanço de direitos
tais como o poder de compra do salário mínimo, aumento do acesso à escola e a
universidade e ainda algumas medidas compensatórias no campo da valorização de
nossa cultura. Todas essas conquistas não foram benesses de governos ou pessoas
a frente desses governos, mas sim fruto da luta e da resistência da classe
trabalhadora.
Foi e é através dessa luta que
pudemos descobrir as contradições mais podres do modus operandi da sociedade
que vivemos, em especial no campo econômico-político, do qual a mancha da
corrupção e o mal uso dos impostos dos trabalhadores vem assombrando nosso
país. Sim esse problema é grave, mas é sistêmico, ou seja, é inerente enquanto
a formação social dominante for a do capital. Desculpa, sei que é chato resumir
o problema pela denúncia dos males do capitalismo e blá, blá blá, mas é esse
blá blá blá que precisamos considerar. Ou melhor, tomar conhecimento para
mantermos nossa resistência. Se você resume o problema do Brasil pela corrupção
então talvez o que eu continuar escrevendo não fará muito sentido, não ficarei
chateado se me criticar apenas pelo que escrevi até aqui. Mas se você continua
a compartilhar de minha pergunta inicial e da mesma preocupação peço que
reflita o seguinte: Vale a pena trocar nossa liberdade de pensamento e
expressão por apenas um pensamento e uma expressão? Vale a pena trocar uma
infinidade de possibilidades da criatividade humana para apenas uma que se
fundamenta no ódio aos que pensam diferente? Você de fato já se perguntou por
que há tanta riqueza em nosso país e tão pouca gente rica? Você sabe de cabeça,
sem olhar no Google, o nome de algum Ricaço além do dono Havan, da Ricardo
Eletro e do Amoedo? Provavelmente não. Mas acredite, existem mais pessoas, que
inclusive fazem destes aí meros limpadores de pinico de um império muito maior,
que tem incentivado o discurso do ódio no mundo inteiro, não apenas no Brasil.
O candidato do ódio que hora se
apresenta não é o resultado da reação contra a corrupção, mas sim a resposta
desses ricaços para continuarem a lucrar, em especial sem ter que esconderem a
podridão de seus valores. A síntese desses valores dos que nos dominam desde
sempre, ainda que sempre com muita resistência de nossa classe enquanto
"dominados", chama-se fascismo.
Aviso que a leitura agora ganha
alguns elementos mais chatos, porém necessários. Se o período democrático até
então nos permitia um diálogo tranquilo, por vezes debochado, mas sem muita
preocupação, após 2013 isso mudou e o empoderamento do achismo, da ignorância,
do ódio e da volta da ditadura vem ganhando contornos extremamente perigosos.
Mas também é fato que o exercício da memória tem sido forte instrumento de
resistência, ao passo que nenhuma luta está perdida.
Mesmo após as eleições, é certo
que o aumento dessa ideologia que não é de gênero, mas tenta generalizar a
supremacia da classe dominante, inclusive com um general entre seus comandantes
continuará viva. Trocadilhos a parte, fato é que o futuro nos impõe desafios
que caso nossa resistência não esteja organizada e forte, sofreremos
consequências de profundos retrocessos.
Pense comigo: Nas duas últimas
décadas questionamos toda essa política suja que tem sido nos imposta. Agora
com a vitória do fascismo a sujeira continuará em larga escala, mas não mais
poderemos questionar. Não, eu não estou pegando pesado, basta ver as defesas
dos coisos que tratam a ossada dos mortos pela ditadura de forma
ridicularizada, afirmando que "quem procura osso é cachorro". Também
questionamos o fato de o acesso à universidade privada ter aumentado o lucro
das próprias universidades, bem como, a expansão das universidades federais se
dar apenas aumentando o número de alunos sem garantia de qualidade e estrutura.
Com a vitória do fascismo a
universidade não será mais um lugar democratizado para a população pobre. Cotas
sociais ou raciais então, será motivo de piada, tal qual as opressões típicas
da época do senhor de engenho.
A escola, enquanto território
plural, de disputa e confronto de ideias, fábrica instável de produção de
singularidade humana será apenas uma fábrica, tal qual a de "tempos
modernos" passados, amordaçada. A família não refletirá mais sua
organização tal qual o Shrek, a Fiona, o burro e o Gato, os vingadores, o sense
8 e tantos outros exemplos da vida real, mas será restrita a bela e a fera, de
modo que nada fora disso será aceito. Se pela via da desmoralização no pior
estilo MBL fake News, não surtir efeito a opressão à famílias de crianças
criadas apenas por mães e avós, ou ainda por casais homossexuais, certamente
skinheads de plantão entrarão em cena, tanto encapados em uma farda, ou
abertamente em nome de Jesus, Reich Messias ou Mourão.
O serviço público será resumido a
segurança nacional e todo o resto sobreviverá enquanto migalhas para a
população que não puder pagar, mas até estas migalhas terão proprietários
tubarões conhecidos pela alcunha formal de OSs (Organizações Sociais). Sim o futuro
é incerto.
Apesar de tantas propostas de
caminhos, existe a certeza naquilo que não queremos. A nível de Brasil
poderíamos afirmar que uma # simboliza como nunca o que não queremos enquanto
nação: #EleNão. Exercitemos nossa criatividade pelas bandeiras de campanha para
afirmarmos "abre o olho", sem saber ao certo se "o Brasil é
Geraldo", ou "nem A, nem B é C", não querendo "chamar o
Meireles", mas reafirmando que é o "povo sem medo" que poderá
virar esse jogo contra o fascismo, enxergando quais são os "fortes
sinais" que podem de fato colocar uma "rebelião" a favor do
estabelecimento de relações humanas de igualdade, não colocando "o Brasil
acima de tudo", mas uma "vida digna" , buscando acabar com toda
"esculhambação" que nos atinge mas categoricamente afirmando e
concluindo: #EleNão.
A Resistência portanto, é a base
para recuperação e manutenção para o traçar de um novo caminho, no qual não
serão às sementes do ódio que brotarão, mas sim a de frutos de uma sociedade
mais humana, na qual a história só se repita naquilo que nos permita andar pra
frente, para além do capital. Podemos ser os protagonistas, sete de outubro
pode ser decisivo, depende de como você levará em consideração o verbo
resistir.

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